Um discurso imoral ! ! !
A culpa dos outros
Editorial
São inacreditáveis o cinismo e a irresponsabilidade de
Lula
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LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA |
Acossado pela ameaça cada vez
mais concreta de amargar um melancólico fim de carreira atrás das grades, Luiz Inácio Lula da Silva perdeu a noção do
ridículo e abriu mão da responsabilidade imposta por sua condição de líder
popular. Lula protagonizou na quarta-feira passada [23 de março], em São
Paulo, um comício em recinto fechado dirigido a líderes das centrais sindicais
– todos identificados com pulseiras brancas atadas ao pulso direito – aos quais
transmitiu importante palavra de ordem: a
Operação Lava Jato é um dos principais responsáveis pela crise econômica,
particularmente pelo aumento do desemprego e pelo consequente “pânico criado na
sociedade brasileira”. Mas garantiu que, se o Congresso Nacional tiver “seis meses de paciência”, ele, Lula,
produzirá o milagre de transformar o Brasil no “País da alegria”.
Afirmou Lula: “Essa operação
de combate à corrupção é uma necessidade para esse país. Mas eu acho que vocês
deveriam procurar a força-tarefa, o juiz, para saber o que eles estão
discutindo sobre quanto essa operação já deu de prejuízo para este país. Será
que não dá para combater a corrupção sem fechar as empresas? Já ouvi falar R$
200 bilhões, R$ 250 bilhões de prejuízo”. E acrescentou: “Quando isso terminar,
você pode ter muita gente presa, mas pode ter muita gente desempregada nesse
país. Vocês têm que procurar a força-tarefa e perguntar se eles têm consciência
do que está acontecendo nesse país”.
São inacreditáveis o cinismo
e a irresponsabilidade de Lula. O
subtexto de seu discurso é claro, ao estabelecer uma hierarquia entre valores
como o COMBATE À CORRUPÇÃO e os INTERESSES DOS ASSALARIADOS, sugerindo que estes
devem prevalecer sobre aqueles, como se fosse impossível a solução óbvia de
compatibilizá-los. Lula quer induzir as lideranças
sindicais a enxergar o combate à corrupção como prejudicial à “classe operária”.
Quer ver os trabalhadores na rua atacando a Lava Jato e o juiz Sergio Moro e
defendendo, na verdade, a impunidade dele, Lula, afastando os riscos de ter de
pagar por ilicitudes que possa ter praticado em relações promíscuas com a elite
representada pelos empresários e executivos corruptos das maiores empreiteiras
de obras públicas do País.
As sucessivas derrotas de
Lula, Dilma e o PT nos tribunais – só até certo ponto aliviadas pela decisão do
ministro Teori Zavascki de manter o ex-presidente momentaneamente fora da
jurisdição do juiz Sergio Moro – estimularam o lulopetismo a partir para um
vigoroso ataque no campo político. Faz parte dessa estratégia, além dos
recentes e frequentes pronunciamentos de Dilma Rousseff em atos públicos
programados com esse objetivo, também a intensa agenda de encontros de Lula com
lideranças políticas e com as chamadas “bases populares” do PT. A capacidade de mobilização dos petistas e
das entidades e organizações sobre as quais o partido mantém forte influência
já não é a mesma de tempos atrás, quando o PT e seus líderes eram exemplos
de virtude, mas ainda é o trunfo mais valioso com os quais Dilma e Lula contam
hoje para se livrarem do impeachment
e da cadeia.
Essa estratégia, que se por
um lado tem obrigado Dilma à tarefa ingrata de se haver com suas enormes
dificuldades de manejar a língua e a lógica – na quinta-feira acusou a oposição
de “criar motivos inexistentes” para atacá-la –, por outro lado coloca Lula
exatamente no lugar em que se sente mais à vontade: o palanque. Eventualmente,
o picadeiro, considerando a risível promessa de criar o “País da alegria” no
fantástico prazo de seis meses.
Mas Lula acha que pode tudo, até mesmo considerar-se
mais poderoso do que nunca, apesar de estar na incômoda situação de enfrentar
entraves na Justiça para assumir o cargo de ministro e ficar a salvo das
“perseguições” de Sergio Moro. Lula
preferiria, é claro, livrar-se do magistrado que se tornou herói nacional por
ousar tratá-lo, e a muitos outros poderosos, como cidadãos iguais perante a
lei. Do alto de sua soberba, Lula continua
se achando mais igual do que todo mundo e fala como se fosse o chefe do governo
– o que, de fato, é, depois que Dilma Rousseff se dobrou a todas as suas
exigências, no desespero de salvar um mandato que não exerce.
Se você
não acredita, assista ao vídeo com o discurso de Lula e, depois,
a
reação indignada do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da
República,
Sr.
José Robalinho Cavalcanti:
Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e Informações – Sexta-feira, 25 de março de 2016 – Pág. A3 – Internet:
clique aqui.
REAÇÃO INDIGNADA:
Presidente
da Associação Nacional dos Procuradores da República,
Sr. José Robalinho Cavalcanti
«Relacionar a Lava Jato com corrupção ou
com impactos econômicos é a mesma coisa de culpar
o médico por localizar e tentar tratar um câncer ou o policial que por acaso encontrou um cadáver na rua por um homicídio.
Isso não faz nenhum sentido.
A situação econômica do país deriva de
decisões econômicas e de gestão, que não cabe a nós discutir, mas que nada têm
a ver com a Lava Jato, a situação da própria Petrobras deriva de decisões de
gestão que também nada têm a ver com a Lava Jato», afirmou.
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