O que poderá vir após o impeachment de Dilma?
Cunha, Temer e Gilmar
José Roberto
de Toledo
CONGRESSO NACIONAL EM SESSÃO CONJUNTA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E SENADO Temos 271 Deputados Federais enfrentando algum tipo de acusação criminal! É nas mãos deles que está o destino da Nação!!! |
Pelo
calendário de Eduardo Cunha, a
comissão do impeachment deve receber
a defesa de Dilma Rousseff, analisá-la e votar um parecer até 11 de abril. Se
passar na comissão, o pedido de impeachment
poderá ser votado pelo plenário da Câmara dos Deputados logo em seguida. Aprovado
lá, o Senado tende a virar apenas um carimbo burocrático. Logo, pelo Plano
Cunha, a crise acabaria em três, quatro semanas. É a trilha coreografada pelo
dueto PMDB-PSDB. Mas o fim desta crise é só o começo da próxima.
O impeachment tocado a toque de caixa pelo
denunciado Cunha em uma comissão com
dezenas de investigados e, finalmente, aprovado por um plenário onde - como
lembra o [jornal] The New York Times -
271 deputados enfrentam acusações que
vão da fraude ao homicídio é uma admirável obra de engenharia política.
Quisera o Metrô paulista e as obras do PAC andassem com a mesma velocidade. Se
essa é a luz no fim do túnel, o que há do outro lado dele?
O governo Temer - porque, com exceção de
Marina Silva e sua Rede, nenhum outro ator político topa se arriscar em uma
nova eleição presidencial agora. Nem quem diz que sim. Em caso de dúvida, ver o desempenho cadente de Aécio Neves,
Geraldo Alckmin e José Serra (os presidenciáveis que, por ora, estão no
PSDB) nas mais recentes pesquisas do Datafolha.
Para quem não confia em estatísticas, é só lembrar como os dois primeiros foram
tratados por manifestantes durante os protestos de 13 de março.
Para
se erguer, o governo Temer
precisará, necessariamente, lotear cargos e ministérios para a maior quantidade
de partidos que toparem encarar essa empreitada. Se conseguir comprometer as 25
siglas com representação no Congresso, tanto melhor. Até o PT? Não será por
falta de convite. Os empreiteiros do
novo governo se verão diante de contradições de difícil superação.
MICHEL TEMER (PMDB - SP) O vice-presidente da República assume caso Dilma receber o impeachment, mas não estará tranquilo, pois ele também está sendo investigado devido ao financiamento da chapa Dilma-Temer! |
A
primeira delas, produzir a retomada do
crescimento econômico e realizar um ajuste fiscal ao mesmo tempo. Ou seja,
cortar gastos públicos e fomentar investimentos. Talvez o espírito animal dos
capitalistas desperte após o eventual impeachment.
Atender à expectativa de dois terços da
população pelo fim do governo Dilma produzirá uma onda de otimismo. Mas por
quanto tempo?
Dependerá de o novo governo
conseguir mostrar serviço logo. Não é nada fácil. Após o impeachment de Fernando Collor, o
governo Itamar Franco queimou três ministros da Fazenda antes de nomear
Fernando Henrique Cardoso [FHC]. E o próprio FHC precisou de mais um ano para
engendrar e colocar em prática o Plano Real.
Com
o agravante, no caso de Temer e companhia, de que não havia a politização do
Judiciário que há hoje. Procuradores não faziam comícios, juízes não faziam
passeata e ministros do Supremo Tribunal Federal só falavam nos autos - não nos
alto-falantes. Durante o governo Itamar, Sérgio Moro era estudante de Direito,
delação premiada não era legal e não havia processo de cassação da chapa que
elegera o vice correndo na Justiça Eleitoral.
Essas
novidades não são inconsequentes. Se
empossado, Temer será o presidente com um olho no Supremo e outro do Tribunal
Superior Eleitoral. A pessoa mais poderosa da República não será ele, mas
alguém de toga. Gilmar Mendes deve
assumir a presidência do TSE dias após Temer - pelo Plano Cunha - mudar-se
do anexo para o Palácio do Planalto. Gilmar
ditará o ritmo do processo contra o eventual novo presidente. Pode sentar
em cima ou apressá-lo.
Se Temer não se comportar,
se arriscará a ter o mesmo fim da antecessora. Imaginando-se que essa hipótese só aconteceria
após 31 de dezembro, significa que o sonho dos parlamentaristas enfim se
tornaria realidade. Caberia aos 271 investigados da Câmara, seus equivalentes
no Senado e o resto dos congressistas escolherem um novo presidente - por
eleição indireta.
Esse
é o cenário otimista.
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