Catolicismo cresce e chega a 1,27 bilhão de fiéis no mundo
Jamil Chade
Jorge Bergoglio foi escolhido como papa em fevereiro de
2013 e, no
comando da Igreja, abriu um novo espaço para o
catolicismo
![]() |
PAPA FRANCISCO Deita-se em sinal de humildade e condolência ao Cristo Morto Sexta-feira da Paixão, Basílica de S. Pedro (Vaticano), 25 de março de 2016 |
Depois
de décadas em queda, o número de
católicos no mundo volta a crescer a uma taxa superior à expansão da população
mundial. Dados oficiais do Vaticano indicam que o aumento de pessoas batizadas nos últimos dez anos coloca o
catolicismo no caminho de somar um quinto da população mundial nos próximos
anos.
Em
fevereiro de 2013, Jorge Bergoglio foi escolhido como papa e, no comando da
Igreja, abriu um novo espaço para o catolicismo. Segundo os especialistas, o
aumento no número de batizados em uma década não pode ser somente atribuída à
popularidade do papa. Mas o Vaticano não
nega que a tendência ganhou força a partir de início de 2013.
Segundo
o Escritório Central de Estatística do
Vaticano, o número de católicos
passou de 1,11 bilhão em 2005 para 1,27 bilhão ao final de 2014, 17,8% da
população mundial. Em dez anos, 157 milhões de pessoas foram batizadas.
Isso
significa, segundo a Santa Sé, que a Igreja está ganhando adeptos num ritmo
maior que o crescimento da população mundial. Essa realidade é registrada em todos os continentes, salvo na Oceania.
A maior expansão ocorreu na
África, com um salto de 41% no número de católicos em dez anos. Nesse mesmo período, a
população aumentou em 23%. Na Ásia, a
expansão dos fiéis foi de 20%, contra um aumento da população de 9,6%.
Nas
Américas, o crescimento também é
registrado, ainda que menor. Os católicos aumentaram em 11,7% entre 2005 e
2014, contra uma expansão demográfica de 9,6%. Segundo o Vaticano, o continente americano ainda representa 50%
dos católicos do planeta.
Em
dificuldade, a Igreja na Europa
comemorou o fato de voltar a crescer. Mas a taxa de apenas 2% em dez anos
não permitiu que a taxa total fosse modificada. Hoje, 40% dos europeus se dizem católicos, de acordo com o
Vaticano.
Padres
Segundo
o Vaticano, o número de padres também voltou a subir, em 9,3 mil entre 2005 e
2014. No total, 415 mil religiosos estão
espalhados ao mundo, à serviço do Vaticano.
Mas
se na Ásia e África a expansão é considerada como "dinâmica" pelo
Vaticano, ela sofreu uma nova queda na Europa. No Velho Continente, a taxa foi
reduzida em 8% em dez anos.
ANÁLISE
Daqui a uns anos a Igreja colherá frutos do
papa Francisco
Francisco
Borba Ribeiro Neto*
![]() |
FRANCISCO BORBA RIBEIRO NETO Biólogo, Professor e Coordenador do "Núcleo Fé e Cultura" da PUC-SP |
Este
aumento de fiéis dificilmente é motivado apenas pelo novo papa. Provavelmente,
o número de simpatizantes pelo Catolicismo aumentou com Francisco, mas o número
de convertidos e batizados depende do trabalho pastoral. Quando um papa propõe
mudanças na Igreja, é preciso um tempo de maturação para que as comunidades
locais as assimilem e elas tenham efeito. O que estamos experimentando hoje é
mais fruto da ação de João Paulo II e Bento XVI. Só daqui a uns anos colheremos
os frutos do trabalho do papa Francisco, em termo s de conversão de fiéis.
O
período recente, porém, foi muito difícil para o Catolicismo. Na Europa e nas
Américas, há um aumento do secularismo e, com isso, um descrédito e até uma
perseguição a quem se diz cristão. Na África e na Ásia existe a perseguição dos
radicais muçulmanos e até de governos, como na China. A Igreja Católica teve
ainda grandes dificuldades com os escândalos de pedofilia e a crise do
Vaticano, que levou à renúncia do papa Bento XVI. Esses episódios obrigam as
pessoas a se perguntarem por que são católicas e fortalece sua convicção na
experiência que estão fazendo.
Está
no DNA do Cristianismo crescer na dificuldade. Assim como certas plantas
precisam ser podadas para crescer mais robustas, o Cristianismo precisa da
dificuldade para se robustecer. Em um período de grandes desafios, os católicos
tendem a ser mais convictos e coerentes, mais militantes e dar mais testemunho.
Com isso, o número de conversões aumenta. As barreiras dos anos são como a poda
que fortalece a árvore.
* FRANCISCO BORBA RIBEIRO NETO é o coordenador do
Núcleo de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP).
Comentários
Postar um comentário