“A rigidez esconde alguma coisa”
Sergio
Centofanti
Rádio
Vaticano
24-10-2016
Atrás da rigidez há sempre algo escondido, uma vida
dupla,
os rígidos não são livres, são escravos da lei.
Deus, ao contrário, doa a liberdade, a ternura e a
bondade.
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PAPA FRANCISCO Celebrando a Santa Missa na Capela Santa Marta - Vaticano |
No
Evangelho dessa segunda-feira, Lc
13,10-17, Jesus cura uma mulher no sábado, provocando a indignação do chefe
da sinagoga, porque – diz – a Lei do Senhor foi violada. "Não é fácil – comenta o papa – caminhar na lei do Senhor", é "uma graça que devemos pedir".
Jesus o acusa de ser
hipócrita, uma palavra que Ele "repete muitas vezes aos rígidos, àqueles
que têm uma atitude de rigidez ao cumprir a lei", que não têm a liberdade
dos filhos, "são escravos da
Lei".
Em
vez disso, "a Lei – observou o
papa – não foi feita para nos tornar
escravos, mas para nos libertar, para nos tornar filhos". "Por
trás da rigidez há uma outra coisa, sempre! E, por isso, Jesus diz,
hipócritas!"
"Por trás da rigidez,
há alguma coisa escondida na vida de uma pessoa. A rigidez não é um dom de
Deus. A mansidão, sim; a bondade, sim; a benevolência, sim; o perdão, sim. Mas
a rigidez, não! Por trás da rigidez, há sempre algo escondido, em muitos casos uma
vida dupla; mas também há algo de doença.
Como sofrem os rígidos: quando são sinceros e se dão conta disso, eles sofrem!
Porque não conseguem ter a liberdade dos filhos de Deus. Eles não sabem como se
caminha na Lei do Senhor e não são bem-aventurados. E sofrem tanto! Parecem bons, porque seguem a Lei; mas, por
trás, há algo que não os torna bons: ou são ruins, hipócritas ou estão doentes.
Sofrem!" [E como existe esse tipo de atitude
na Igreja de hoje! Entre cardeais, bispos, padres, religiosos e religiosas e
entre o povo de Deus em geral!]
O
Papa Francisco lembra a parábola do
filho pródigo, em que o filho mais velho, que sempre tinha se comportado
bem, fica indignado com o pai, porque acolhe novamente com alegria o filho mais
novo dissoluto, mas que voltou para casa arrependido. Essa atitude – explica o
papa – mostra o que está por trás de uma certa bondade: "A soberba de se crer justo". [O
achar-se melhor, mais santo, mais correto e temente a Deus que os demais!]
"Por
trás desse fazer o bem, há a soberba. O filho mais novo sabia que tinha um pai
e, no momento mais escuro da sua vida, foi ao encontro do pai. O filho mais
velho, do pai, só entendia que ele era o patrão, mas nunca o tinha sentido como
pai. Era um rígido: caminhava na Lei com rigidez. O outro tinha deixado a Lei
de lado, foi-se embora sem a Lei, contra a Lei, mas, em um certo ponto, pensou
no pai e voltou. E teve o perdão. Não é
fácil caminhar na Lei do Senhor sem cair na rigidez."
O
papa concluiu a sua homilia com esta oração:
"Rezemos
ao Senhor, rezemos pelos nossos irmãos e pelas nossas irmãs que creem que
caminhar na Lei do Senhor é se tornar rígidos. Que o Senhor os faça sentir que Ele é Pai e que Ele gosta da
misericórdia, da ternura, da bondade, da mansidão, da humildade. E nos
ensine a todos a caminhar na Lei do Senhor com essas atitudes."
Traduzido
do italiano por Moisés Sbardelotto.
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