Pare de fumar! Faz bem à saúde e ao bolso!
Gasto com cigarro é quase igual ao do arroz
com feijão
Daniela Amorim
e Clarissa Thomé
Fumo consome 1,08% do orçamento mensal das famílias,
enquanto
o tradicional prato da cozinha brasileira fica com
1,12%
As
campanhas de conscientização sobre os males causados pelo cigarro diminuíram o
consumo, mas o peso dos gastos com o produto ainda é alto no bolso das famílias
brasileiras. O cigarro leva uma fatia de
1,08% do orçamento mensal das famílias, participação mais de três vezes
superior à da batata, por exemplo.
Os
dados são da metodologia de cálculo da inflação oficial no País, medida pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A fatia do orçamento mensal
das famílias destinada ao fumo praticamente equivale à da despendida com o
tradicional arroz com feijão carioca (1,12% do IPCA), ou a tudo o que se gasta
no mês com manicure, cinema e médico juntos (1,1% do IPCA). O gasto dos consumidores com cigarro é
ainda 13,5 vezes superior ao do cafezinho, a bebida predileta do
brasileiro.
Por
ter um peso relevante, qualquer
movimento no preço do cigarro mexe com a inflação no País, mas Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de
Preços do IBGE, lembra que a influência já foi maior. Há vinte anos, o peso do cigarro na cesta de produtos consumidos pelos
brasileiros chegava a 1,4%. Como o item ficou 448,17% mais caro desde
então, contra uma alta de 252,08% da inflação oficial, o movimento mostra que
as famílias cortaram despesas com o item.
“Isso
é principalmente aumento de imposto. Não só para aumentar a arrecadação, mas,
por ser considerado um item supérfluo e prejudicial à saúde, aumentou muito a
tributação como uma política mesmo. Mais
de 70% do preço do cigarro são impostos”, ressaltou Eulina. [Ainda é pouco! Pena que os dependentes do cigarro apelam
para aquele contrabandeado do Paraguai por ser mais barato! A saída é os
fumantes se convencerem que devem parar com esse vício o quanto antes!]
Tributação
Segundo
Leonardo Senra, diretor financeiro da fabricante de cigarros Souza Cruz, os impostos variam entre 75% a 88% do preço
do produto, dependendo do Estado e das alíquotas locais de tributação. “Ou
seja, se um maço de cigarro custa R$ 10, o consumidor está pagando entre R$
7,50 e R$ 8,80 só de imposto”, explicou Senra.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca)
divulgou recentemente que o número de mortes por câncer de pulmão entre homens
caiu pela primeira vez, saindo de 18,5 a cada 100 mil, em 2005, para 16,3 por
100 mil em 2014. O resultado seria decorrente de políticas para redução do
tabagismo, como proibição de propaganda, aumento de impostos e Lei Antifumo,
que proíbe o fumo em locais fechados.
“A literatura mostra que o aumento dos
impostos é o maior determinante para a redução do tabagismo. E no Brasil o
preço do cigarro é ‘zilhões’ de vezes mais barato do que em outros lugares do
mundo. Na Irlanda, o maço custa € 12 [doze euro]. Aqui, R$ 4 ou R$ 5. A
indústria está desesperada porque seus lucros estão caindo. Infelizmente, a gente ainda não conseguiu
convencer o mundo de que essa é uma indústria que deveria fechar”, defendeu
a epidemiologista Liz Almeida, gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do
Inca.
Contrabando
Embora
faça parte de uma política para desestimular o consumo, a elevação da tributação acabou também por reduzir a competitividade do
produto brasileiro ante os cigarros que entram no País por meio do contrabando.
Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, a indústria
nacional de fumo acumula uma queda de 48,3% nos últimos 10 anos (até agosto de
2016, último dado disponível).
Na
indústria do fumo, o cigarro responde por aproximadamente 60% do volume
produzido, enquanto o fumo processado detém os 40% restantes.
A linha de produção do setor
está operando atualmente 69,1% abaixo do pico da série histórica da pesquisa,
registrado em agosto de 2006. O resultado ainda está apenas 6,3% acima do piso
da série histórica, iniciada em janeiro de 2002 pelo IBGE.
O
diretor da Souza Cruz lembra que, nos
últimos dez anos, o imposto que incide sobre o cigarro aumentou 450%. Em
cinco anos, a alta foi de 140%, uma das principais razões para que a fatia do
produto ilegal no mercado brasileiro avançasse de 21% em 2011 para 35% em 2016.
![]() |
CAROLINA RUHMAN Economizou R$ 40.000 em dez anos porque parou de fumar! |
Economia
O susto com a elevação de
preços e a perspectiva de economizar um bom dinheiro acabaram por incentivar
muitos fumantes a abandonar o vício. Só em 2016, os cigarros já estão 12,62% mais
caros, segundo o IPCA.
A
especialista em finanças pessoais Carolina
Ruhman, fundadora do site Finanças
Femininas, conta que economizou R$
40 mil após decidir deixar o vício. Ao completar dez anos sem fumar, ela calculou quanto teria gastado se tivesse
mantido o hábito de consumir dois maços por dia.
“No
curto prazo não faz muita diferença. Você vai deixar de gastar entre R$ 5 e R$
10 por dia, não dá para perceber no bolso. Para um fumante parece um dinheiro
bem gasto. Mas, quando você coloca esse
custo no longo prazo, você consegue ver o tamanho do rombo”, diz Carolina.
Ela
só lamenta que não tenha se organizado para juntar o dinheiro economizado.
“Quando parei de fumar estava com 22 anos, morava com meus pais, infelizmente
não pensava em economizar. Continuei gastando tudo”, disse.
Já
a cozinheira Daniele Borges usa um
aplicativo no telefone celular para ajudá-la a contar os dias livre do vício e
o montante economizado. Em 491 dias sem
fumar, ela evitou 19.654 cigarros e poupou R$ 5.896. Vítima de depressão e
síndrome do pânico, ela encontrou forças nos resultados e num grupo de apoio
para conseguir se libertar.
“Comprei uma geladeira, um
jogo de mesa, uma televisão e paguei a cirurgia da minha gata”, conta. “Nunca parei para
ver quanto gastava, nenhum fumante quer fazer isso. Fumei por 20 anos”,
acrescentou.
Comentários
Postar um comentário