CAMPANHAS POLÍTICAS: QUEM DÁ O DINHEIRO?
Três empresas bancam 39% da campanha
RODRIGO BURGARELLI, DANIEL BRAMATTI,
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO E DIEGO RABATONE
Construtoras
OAS e Andrade Gutierrez estão em primeiro e terceiro lugar na lista de maiores
doadores, completada pelo frigorífico JBS
A
Construtora OAS, o frigorífico JBS e a Construtora Andrade Gutierrez são os
três principais financiadores da campanha até o momento, de acordo com a
segunda prestação parcial de contas apresentada pelos candidatos à Justiça
Eleitoral. Juntas, as três empresas
doaram quase R$ 64 milhões, 39% do total de recursos que entrou na
contabilidade oficial dos três principais concorrentes ao Planalto.
As doações das três maiores beneficiaram
principalmente a presidente Dilma Rousseff (PT), que disparou no
ranking de arrecadação. Depois de sair atrás de Aécio Neves (PSDB) no primeiro
mês de campanha, ela se recuperou na segunda parcial da prestação de contas,
cujo prazo para entrega se esgotou na terça-feira. No total, a petista já arrecadou R$ 123,6 milhões até agora –
cerca de cinco vezes o valor declarado pelas contas da campanha presidencial do
PSB, partido de Marina Silva, sua principal adversária.
Dilma arrecadou sozinha mais da metade dos
cerca de R$ 200 milhões declarados por todos os presidenciáveis nas
duas parciais entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes das
eleições. Em segundo lugar vem Aécio, com R$ 44,5 milhões. Marina Silva ainda não tem registros de doações em seu nome, pois
sua candidatura ainda precisa ser deferida pelo TSE. O total arrecadado na
conta do ex-candidato do PSB Eduardo Campos e em seu comitê chega até agora a
R$ 24 milhões.
A OAS é a líder no ranking de doações,
com R$ 26,1 milhões repassados nos
três primeiros meses de campanha. A
principal beneficiária foi Dilma, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26
milhões (a conta incluiu a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, outra empresa
do grupo). A Andrade Gutierrez doou
R$ 11,8 milhões.
Os
dados foram calculados pelo Estadão
Dados em parceria com a Transparência
Brasil, com base nos registros contábeis apresentados pelas campanhas à
Justiça Eleitoral. Foram levadas em consideração todas as doações nas contas da
campanha de cada candidato e do comitê para presidente, além do dinheiro que
saiu das direções nacionais dos partidos para essas duas contas.
Segundo
o diretor executivo da Transparência
Brasil, Claudio Weber Abramo, o valor parcial das doações aos candidatos a
presidente neste ano já se aproxima do que foi doado ao longo de toda a eleição
de 2010, incluindo o segundo turno – quando os valores são corrigidos para
eliminar o efeito da inflação. Se as
doações continuarem nesse ritmo, 2014 terá uma campanha ainda mais cara do que
a anterior. É uma tendência que se repete desde 2002.
Uma
parte do aumento das doações pode ser creditada à diminuição do caixa 2 e à maior eficácia dos mecanismos de controle,
diz Abramo. Mas outra parte é aumento de custos.
Balanço
O [jornal]
O Estado de S. Paulo constatou diversas
inconsistências na contabilidade do PSB. Na conta da direção nacional do
partido, por exemplo, há registro de repasses para a conta do comitê de Eduardo
Campos, mas estes não aparecem como receita na contabilidade do mesmo comitê.
Também acontece o contrário: na conta do comitê aparecem repasses vindos do
partido, mas estes não estão na contabilidade da legenda. Ainda assim, o Estado
conseguiu mapear todas as doações de pessoas físicas e jurídicas.
Além
dos recursos que já caíram nas contas de candidatos e comitês, os três partidos
ainda têm dinheiro em caixa, que pode ou não ser repassado para as campanhas
presidenciais. O PT tem R$ 2 milhões, diferença entre os R$ 66,5 milhões que
recebeu em doações e os R$ 64,5 milhões que distribuiu a diversas campanhas –
principalmente aos candidatos a governador do partido. O PSDB está com uma
sobra de caixa ainda maior: R$ 4,4 milhões. O PSB, por sua vez, dispõe de R$
2,6 milhões para distribuir entre seus candidatos.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Política –
Sexta-feira, 5 de setembro de 2014 – Pg. A10 – Internet: clique aqui.
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