E A EDUCAÇÃO NO BRASIL, COMO VAI?
Quase 900 escolas públicas das capitais e do DF tiveram
queda no Ideb
Mariana Tokarnia
Quase
um terço das escolas públicas das capitais brasileiras e do Distrito Federal
não apenas não cumpriu a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb), como teve uma queda entre 2011 e 2013. São 894 escolas de um total de
2.974 que atendem a estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º
ao 5º ano. Apenas a cidade de São Paulo não está incluída no levantamento
porque não teve os resultados divulgados.
Os
dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep) e foram organizados pela plataforma de dados educacionais QEdu,
uma parceria entre a Meritt Informação Educacional e a Fundação Lemann,
organização sem fins lucrativos voltada para a educação. O QEdu classifica
essas escolas como em situação de alerta, ou seja, precisam melhorar para
garantir mais alunos aprendendo na idade adequada. Essas escolas não atingiram
o índice 6, que é a média dos países da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), e a meta brasileira para 2022.
O Ideb
é considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até
dez e é calculado de dois em dois anos. No quinto ano, utiliza as notas na
Prova Brasil, na qual são cobrados português e matemática, e a taxa de
aprovação dos estudantes. O Ideb de 2013 foi divulgado pelo governo no início
do mês. A meta estimada de 4,9 para anos iniciais foi a única cumprida pelo país,
que obteve um índice de 5,2.
"Por
mais que o município tenha uma boa média, é importante olhar para todas as
escolas", diz o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Faria.
"O aprendizado é um direito. O Ideb é uma parte, além de português e
matemática, há outras habilidades que os alunos têm que desenvolver, mas não dá
para pensar [aprendizado] sem essas disciplinas". De acordo com Faria, as
escolas que estão abaixo da meta e não estão evoluindo "precisam de
suporte".
O
coordenador explica que quando consideradas as capitais, avalia-se a
complexidade de gestão e das grandes redes de ensino. "Tem esse desafio,
de como fazer bem em escala razoável. Nos anos iniciais, isso tem que ser
enfrentado, não está em um patamar adequado. Quando olhamos os municípios
maiores, não tem nenhum caso apontando um caminho".
Segundo
os critérios usados pelo QEdu, do total de quase 3 mil escolas, 281 devem manter
o Ideb, pois alcançaram a meta e o índice 6. Outras 805 devem melhorar, pois,
apesar de terem crescido e cumprido a meta, não alcançaram o índice 6. As
demais 994 estão em situação de atenção, por não apresentarem um dos critérios
considerados. Com exceção do Distrito Federal (DF), cujas escolas são da rede
estadual, as escolas analisadas são todas da rede municipal.
"Alcançar
as metas vai se tornando cada vez mais difícil. As políticas têm que ser cada
vez mais ambiciosas para, de fato, gerarem transformação. Chega a um momento
que o nível socioeconômico influencia no desempenho e é a articulação com
outras políticas que vai promover melhorias", diz a coordenadora-geral do
movimento Todos pela Educação, Alejandra Velasco.
O
Ministério da Educação (MEC) informou que as prefeituras e o governo DF são os
órgãos mais apropriados para comentar os resultados por se tratar de escolas
municipais. Mas em coletiva de imprensa, na qual apresentou os dados, o
ministro da Educação, Henrique Paim, considerou o resultado geral da etapa
positivo e disse que o avanço dos anos iniciais poderá ter impacto positivo nas
etapas seguintes de estudo.
Em
nota, a prefeitura de São Paulo explicou que solicitou que o Inep não
divulgasse os índices da etapa pois uma adesão tardia da rede municipal
"ao ensino fundamental de nove anos, pela gestão passada, provocou uma
redução do número de alunos matriculados no 5º ano, em 2013, para apenas 7.088
alunos, diferentemente da média histórica de 50 mil estudantes". Além
disso a prefeitura avalia que esse total de alunos não conseguia representar a
rede municipal "nem qualitativa, nem quantitativamente".
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