"A PIOR FORMA DE FAZER POLÍTICA É PELO MEDO"
Marina diz que Dilma quer “ressuscitar o medo” na “pior
forma de fazer política”
MARINA DIAS
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Marina Silva, candidata à Presidência da República durante entrevista ao Portal G1 Quarta-feira, 3 de setembro de 2014 |
Candidata
do PSB ao Palácio do Planalto, Marina Silva rebateu o tom mais agressivo
adotado pelo PT contra sua candidatura e disse que a presidente Dilma Rousseff
"está tentando ressuscitar o medo" durante a campanha eleitoral.
"A
pior forma de fazer política é pelo medo", declarou Marina nesta
quarta-feira (3), em sabatina promovida pelo portal G1.
"Acredito
profundamente que a esperança venceu o medo. A sociedade brasileira, quando
faziam terrorismo contra o [ex-presidente] Lula, repetia essa frase [em 2002].
Infelizmente, quem está querendo ressuscitar o medo é a presidente Dilma. A
pior forma de fazer política é pelo medo. Prefiro fazer política pela esperança
e pela confiança", afirmou a pessebista.
Desde
que Marina despontou nas pesquisas e apareceu ao lado de Dilma com 34% das
intenções de voto, segundo o último Datafolha, a campanha de reeleição da
petista repaginou a "estratégia do medo" – condenada pelo próprio
partido em outras disputas – para tentar desconstruir a imagem da ex-senadora.
Dilma e
várias lideranças do PT se dizem "preocupados" com o programa de
governo de Marina e fazem investidas para explorar o que chamam de
"inconsistências" da presidenciável.
Marina
foi orientada pelo comando de sua campanha a não deixar os ataques de Dilma sem
resposta e intercalar as críticas que faz ao atual governo federal aos
compromissos de seu programa.
Com seu
discurso de nova política e a promessa de que:
- enviará uma emenda constitucional ao Congresso Nacional para estabelecer o fim da reeleição e o mandato de cinco anos para o presidente da República,
- a candidata do PSB repetiu propostas como o passe livre para estudantes em todo o Brasil,
- o repasse de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação e
- de 10% da receita bruta da União para a Saúde.
- Juntas, as medidas teriam um custo de mais R$ 120 bilhões para a máquina pública.
"Existem
muitos projetos que são verdadeiras máquinas de destruição de recursos do
contribuinte. Você tem que corrigir os erros", afirmou. Questionada sobre
qual projeto poderia ser revisto, Marina citou a transposição do Rio São
Francisco, mas também não deixou claro o que faria diante da obra. "O país
vai voltar a crescer e vamos ter os recursos para investir em saúde e
educação", concluiu.
SEGUNDO TURNO
Marina
se recusou a dizer se aceitaria o apoio do PSDB em um eventual segundo turno
contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e disse que, em 2010, quando era
candidata ao Planalto pelo PV e aparecia em terceiro lugar nas pesquisas,
sentia-se "incomodada quando vocês [jornalistas] ficavam me perguntando
quem eu iria apoiar no segundo turno. Segundo turno a gente discute no segundo
turno".
O
coordenador-geral da campanha de Aécio Neves (PSDB), José Agripino Maia (DEM),
disse esta semana que estava disposto a compor com Marina em um eventual
segundo turno, o que irritou os tucanos.
PRÉ-SAL
Ainda
na estratégia de responder vigorosamente as críticas de adversários, a
candidata do PSB reforçou seu discurso quanto à exploração e investimento do
pré-sal, uma das principais bandeiras do governo Dilma.
A
petista tem dito que Marina não vai dar a atenção devida ao recurso já que seu
programa de governo coloca fontes de energia limpa e renovável como prioridade.
"Não
é verdade o que está sendo dito pelos meus concorrentes em relação ao pré-sal.
Nós vamos priorizar, mas vamos também priorizar outros investimentos. Não há
necessidade de tirar recursos do pré-sal", declarou.
PINGA-FOGO
No
último bloco da sabatina, Marina precisou responder com "sim" ou
"não", "a favor" ou "contra", para perguntas
rápidas do jornalista. Teve dificuldade de ser objetiva.
Afirmou
ser a favor "dentro do respeito à lei e do bem-estar das crianças" da
adoção por casais homossexuais; contrária à eutanásia, à diminuição da
maioridade penal e à revisão da Lei da Anistia; e favorável ao voto
obrigatório.
Disse
que a taxação de grandes fortunas e o fim do serviço militar obrigatório devem
ser debatidos e que a lei que existe hoje sobre o aborto é
"suficiente".
Fonte: Folha de S. Paulo – Eleições 2014 –
03/09/2014 – 12h43 – Internet: clique aqui.
Suplicy pede que PT interrompa
“discurso do medo” contra
Marina
GABRIELA
GUERREIRO
Aliado
da presidente Dilma Rousseff, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) recomendou
nesta quarta-feira (3) que a campanha da petista à reeleição não adote o
discurso do "medo" contra a candidata Marina Silva (PSB). No plenário
do Senado, Suplicy disse ser contrário ao que chama de "apresentação
crítica" aos adversários do PT na corrida presidencial.
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Senador Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP) |
"Eu
quero fazer uma recomendação ao meu partido, à presidenta Dilma, ao meu
presidente Rui Falcão - e eu quero a reeleição da Presidenta Dilma - de que o
melhor não é estar apresentando críticas aos nossos adversários. O melhor será
mostrar aquilo que temos feito de melhor e aquilo que vamos fazer ainda
melhor", afirmou.
A
campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff repaginou a "estratégia
do medo"– condenada pelo próprio partido em outras disputas eleitorais –
para tentar desconstruir a imagem de Marina, que se tornou a principal
adversária da petista na disputa pelo Planalto.
Suplicy
falou no plenário numa intervenção ao discurso do senador Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), que subiu à tribuna para fazer duras críticas à campanha de Dilma.
Jarbas disse que o PT deu início a uma "campanha de desqualificação"
de Marina depois que as pesquisas de intenção de votos mostraram a candidata do
PSB empatada numericamente com a presidente.
Jarbas
mencionou o fato de Dilma ter mostrado, no horário eleitoral, uma comparação de
Marina com os ex-presidentes Fernando Collor e Jânio Quadros.
"Em
épocas de desespero, o PT não poupa nem seus aliados. O Collor é aliado de
primeira hora dos governos petistas, de Lula e Dilma. Não deixa de ser uma
lorota e uma atitude de ingratidão e autofagia na medida em que, com o intuito
de ganhar a eleição presidencial a todo custo, sacrifica um aliado que é
candidato à reeleição para o Senado Federal", afirmou o senador.
Segundo
Jarbas, Dilma faz "papel de diabo" no exercício do poder usando
dinheiro público para fazer sua campanha à reeleição. "Nada, absolutamente
nada, vai fazer o povo brasileiro deixar de votar pelas mudanças. Nada,
absolutamente nada, vai impedir os brasileiros e brasileiras de mandarem Dilma,
o PT e seus aliados para a oposição nas eleições de 5 de outubro próximo",
disse o peemedebista.
A troca
de farpas entre aliados do PT e de Marina começou nesta terça-feira (2) no
Senado, quando o líder petista na Casa, Humberto Costa (PE), subiu à tribuna
para acusar a candidata do PSB de ser o "FHC de saias", em referência
ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Costa
disse que Marina é candidata "sem posição" e vai "baixar a
cabeça" ao mercado financeiro e retomar a política neoliberal do governo
FHC, caso eleita. "Será uma FHC de saias. A proposta de Marina é deixar
que a mão do mercado regule tudo. É dar autonomia total ao Banco Central, coisa
que nem o Fernando Henrique deu."
Em
resposta ao petista, o líder do PSB, senador Rodrigo Rollemberg (DF), disse que
o discurso do "medo" foi adotado contra o PT antes do ex-presidente
Lula ser eleito. "O presidente Lula foi vítima desse tipo de ameaça. A
esperança vai vencer o medo. O que a ex-ministra representa para a população é
um desejo de mudança, de transformação. Querer tratar candidaturas como ameaça,
não cola", afirmou.
Fonte: Folha de S. Paulo – Eleições 2014 – 03/09/2014
– 17h14 – Internet: clique aqui.
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