A CORRUPÇÃO NA PETROBRAS - SAIBA OS DETALHES...
Um depoimento exclusivo revela o
elo entre os escândalos do
mensalão e da Petrobras
HUDSON CORREA E RAPHAEL GOMIDE
Empresário
conta à polícia como o ex-deputado José Janene, o ex-diretor da Petrobras Paulo
Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef levaram para a estatal parte do
esquema do mensalão
Os dois
períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico,
disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de
corrupção. No primeiro mandato,
reinou o mensalão. Ele acabou na
prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e
condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de
investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de
propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras (leia detalhes na reportagem reproduzida ao
final deste artigo), esquema que
continuou durante o governo de Dilma Rousseff. Neste momento, as
autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no
esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão
financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos. O ex-deputado federal José Janene (que
morreu em 2010), o doleiro Alberto
Youssef e o executivo Paulo Roberto
Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras.
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José Janene (foto) - deputado federal do PP - Cópia de parte do depoimento de Hermes Freitas Magnus |
Um
depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira
mão e disponível em vídeo em epoca.com.br
–, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas. O
autor do depoimento é o empresário
Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do
mensaleiro Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$
4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois
escândalos. Magnus foi sócio de Janene
– e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele.
Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um
cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia
do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu,
condenado por corrupção (assista ao trecho no vídeo clicando aqui).
Segundo
Magnus, na hierarquia dos dois esquemas, Janene estava acima do doleiro Alberto
Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. De
acordo com o depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado de Youssef
– revelado com exclusividade na última terça-feira por epoca.com.br –, foi Janene
quem apresentou Youssef a Paulo Roberto. O trio operou junto em dois
momentos. Youssef ajudou Janene a lavar
o dinheiro do mensalão. Ainda no primeiro mandato de Lula, Janene indicou Paulo Roberto à Diretoria de
Abastecimento da Petrobras. No segundo mandato de Lula, os três operaram
juntos no esquema da Petrobras. Investigações da Operação Lava Jato revelam que
Youssef intermediava pagamento de propina na estatal. Por meio de empresas de fachada, Youssef recebia dinheiro de
empreiteiras interessadas em assinar contratos com a Petrobras. Usando um
emaranhado de depósitos bancários feitos por laranjas, fazia o suborno chegar a
Paulo Roberto, o homem que tinha a caneta para fazer as contratações – e, agora
preso, começa a entregar os participantes do esquema. Enquanto isso, Janene, por ser guardião dos segredos do
PT, ganhava espaço na Petrobras. Ele continuou como deputado apenas no
início do segundo governo Lula. Por causa de uma doença no coração, Janene
arrancou em 2007 uma aposentadoria por invalidez na Câmara dos Deputados,
embora já respondesse à acusação de receber dinheiro do mensalão. Continuou
ativo na política, agindo nos bastidores.
O
relato que Magnus fez à Justiça Federal revela o grau de influência dele na
Petrobras. “Lá, mando eu”, costumava
dizer Janene, conforme o relato de
Magnus – embora houvesse outros partidos e esquemas na Petrobras. “Alguns
deputados federais queriam falar com diretores da Petrobras sem a intervenção
de José Janene, e não conseguiam. Então, entravam em contato com Janene pelo
telefone”, afirmou Magnus. Ele disse ainda que presenciou uma performance
debochada de Janene ao telefone. Ele ironizava um parlamentar que tentara
contato sem sua ajuda. “E aí, a espera tá grande?” Segundo Magnus, Janene tinha “acesso livre” e intermediava
negócios entre a Petrobras e empresas de grande porte, como as construtoras
Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Ele não deu detalhes que possam identificar
que tipos de contrato seriam ou se houve algum tipo de ilegalidade. Procurada,
a construtora Queiroz Galvão afirmou que não há “irregularidades nem
ilegalidades” em seus contratos, que são negociados “dentro das regras
estabelecidas pela legislação e sem a intermediação de terceiros”. A Camargo
Corrêa disse que só presta serviços à Petrobras por meio de licitações
públicas.
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Alberto Youssef (na foto) - cópia do depoimento de Hermes... |
Magnus começou a contar o que sabia à
Polícia Federal ainda em 2009, quando o escândalo de corrupção na Petrobras
ainda era desconhecido. Concluiu a história com riqueza de
detalhes no depoimento de julho passado. Ele parece ter credenciais para falar.
A Operação Lava Jato teve início justamente a partir da investigação sobre um
negócio de Magnus com Janene. De acordo com o MPF, Janene lavou dinheiro do
mensalão ao investir parte da quantia recebida na Dunel Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos
que pertencia a Magnus. Janene usou a empresa de fachada CSA Project Finance, uma sociedade mantida pelo doleiro Youssef,
para aplicar R$ 1,16 milhão dos R$ 4,1 milhões que ganhara no mensalão na
Dunel. Isso ocorreu em julho de 2008.
Era
mais um golpe aparentemente perfeito idealizado por Janene. Magnus tinha as
características de vítima ideal para operadores experientes do mercado negro.
Sua firma de eletrônicos automotores precisava de dinheiro para crescer, e ele
buscava um investidor. Janene e Youssef estavam atrás de uma oportunidade para
esquentar dinheiro frio de corrupção. O primeiro encontro com Magnus foi em
junho de 2008, na sede da CSA, em bairro nobre de São Paulo. Acompanhado de
Youssef, o afável Janene – já ex-deputado – chegou abraçando afetuosamente o
futuro sócio, ou melhor, a futura vítima. O doleiro e o mensaleiro traziam
soluções rápidas e práticas, quase um sonho para quem precisava de uma injeção
de capital. “Olha, podemos viabilizar seu
negócio: se quiser dinheiro do Estado do Espírito Santo para cima, tenho a
opção do Banco do Nordeste. Se não quiser se meter com banco, temos uma solução
mais tranquila, um recurso nosso. Se quiserem, coloco 1 milhão de início”,
disse Janene.
As
imagens do depoimento obtidas por ÉPOCA mostram que, no momento em que Magnus
conta essa história, Youssef senta-se ao lado do advogado dele e, apontando
para Magnus, reclama: “Ele está mentindo, ele é mentiroso”. O juiz Sérgio Moro,
que ouvia Magnus, interrompe Youssef. Ele só se cala quando é ameaçado por Moro
de ser retirado da sala. Em pouco tempo,
Magnus foi alijado da Dunel e virou, como ele mesmo se definiu, uma espécie de
zumbi na firma. Os equipamentos encomendados não chegavam, e a produção
emperrava. Ao consultar um advogado, Magnus descobriu que estava no meio de uma
trama de lavagem de dinheiro. Resolveu procurar a PF para contar o que sabia. Afirma que Janene o ameaçou de morte e que,
na época, um incêndio misterioso destruiu uma casa dele.
Youssef, mais uma vez, se deu bem. Lavou
o dinheiro para Janene e, ainda naquele ano de 2008, estreitou relações com
Paulo Roberto, o executivo dos grandes contratos da Petrobras. Mal se livrara
de uma condenação a sete anos de reclusão graças a uma delação premiada,
Youssef reincidia em sua especialidade, a lavagem de dinheiro. Tinha o amigo e
sócio Janene como cliente. Juntos, tinham um hotel, uma agência de viagens em
Londrina e uma locadora de automóveis. A proximidade da dupla ia além dos
negócios. Os dois se visitavam e se tratavam pelos títulos de compadre e
padrinho. “Youssef chegava à casa de Janene e era padrinho pra cá, padrinho pra
lá... Compadre pra cá, compadre pra lá. E era muito íntimo na lida das coisas”,
afirmou Magnus à Justiça Federal. Numa dessas reuniões, Janene prometeu pagar o que chamou de “lua de mel” na Europa para
Youssef e a mulher. Em seguida, explicou a ele o motivo da generosidade:
“Ela só não pode pensar que você vai fazer aqueles câmbios para mim na França.
Não deixe ela sonhar que você está fazendo isso”.
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Hermes Freitas Magnus - ex-sócio do Deputado José Janene |
Os desvios de dinheiro por meio de
contratos superfaturados na Petrobras identificados até agora ocorreram de 2009
a 2014. A morte de Janene por infarto, na fila do transplante de
coração, em 2010, não interrompeu a afinada e conveniente parceria entre
Youssef e Paulo Roberto. Ao contrário, os laços ficaram ainda mais estreitos.
Durante a Operação Lava Jato, a PF interceptou e-mails recebidos por Youssef.
Uma das mensagens veio de um ressentido João Claudio Genu, ex-chefe de gabinete
de Janene e um dos condenados do mensalão. Genu expressava seu “inconformismo”
com a aproximação de Youssef e Paulo Roberto. Aparentemente, àquela altura, o doleiro e o diretor da Petrobras tinham
estabelecido uma linha direta, sem intermediários, e Genu perdera seu quinhão
no esquema. Paulo Roberto se tornara milionário. A Justiça descobriu que ele mantinha R$ 51,3 milhões em 12 contas
secretas na Suíça.
O
depoimento de Magnus reitera uma conclusão: o mensalão e o escândalo da
Petrobras são dois esquemas distintos, mas com métodos, causas e consequências
semelhantes. A causa é o fisiologismo:
garantir apoio no Congresso usando cargos que deveriam ser preenchidos por
critérios estritamente técnicos. O método: desvio de dinheiro público para
financiar campanhas ou enriquecer os políticos envolvidos. A consequência:
corrupção. Com a descoberta do mensalão, em 2005, quando o primeiro mandato de
Lula se aproximava do fim, foi preciso assegurar a fidelidade dos mesmos
partidos – e dos mesmos políticos – ao governo do PT. Com a reeleição de Lula, o governo continuaria a precisar de apoio no
Congresso. E o Congresso não mudara. As regras de Brasília também não. Lula e o PT acomodaram-se às práticas
políticas de sempre. E distribuíram aos partidos da base os cargos que os
políticos tanto queriam. São aqueles que servem tão somente para gerar
favores e dinheiro, seja para campanhas, seja para o bolso de quem está no
esquema. Nenhum cargo era tão desejado pelos políticos quanto uma diretoria na
Petrobras, a mais rica e poderosa empresa do país. No segundo mandato de Lula, a Petrobras, mais que qualquer outra
estatal, ocupou o vácuo deixado pelo mensalão.
Janene
está morto, não pode mais ameaçar nem delatar ninguém. Parentes seus são réus
com Youssef na ação penal sobre a lavagem de dinheiro do mensalão. Um deles é Meheidin Jenani, primo de Janene.
Magnus, o ex-sócio de Janene, afirma que Meheidin
é especialista em assar carneiros e ia constantemente do Paraná a Brasília para
preparar carneiros para a então ministra da Casa Civil, e hoje presidente Dilma
Rousseff. Procurado por ÉPOCA, Meheidin desconversou. Procurada por ÉPOCA,
a assessoria do Planalto disse que Dilma Rousseff não conhece Meheidin, muito
menos era fã de carneiros preparados por ele.
Por que Paulo Roberto decidiu
abrir o jogo?
Macelo Rocha
No
camburão, o ex-diretor da Petrobras avisou o
doleiro Youssef que não
resistiria.
Como
foi o caminho até lá
Ao
deixar o prédio da Justiça Federal no Paraná, após uma audiência de testemunhas
convocadas para ser ouvidas no caso da Operação Lava Jato, em julho, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, ex-parceiros de
negócios e colegas de cela, aproveitaram a viagem de camburão até a
Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba para conversar. Paulo Roberto comentou com Beto, apelido de
Youssef, que estava propenso a fazer um acordo de delação premiada com o
Ministério Público Federal (MPF). Ele tentara, sem êxito, suspender a ação
penal contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). Dias depois, na cela em que
dividiam na cadeia, Paulo Roberto voltou a comentar com Youssef que realmente
buscaria o acordo. Youssef desejou apenas boa sorte ao amigo. Desde o dia 29 de
agosto, Paulo Roberto tem revelado a procuradores da República e delegados da
PF detalhes do esquema de corrupção que desviou milhões de reais dos cofres da
maior estatal do país.
Uma
semana antes, a PF [Polícia Federal] e uma força-tarefa do MPF vasculharam casas e escritórios
das filhas e dos genros de Paulo Roberto. Os investigadores buscavam mais
provas depois de uma devassa no sigilo fiscal das empresas dele, de seus
familiares e laranjas. Como ÉPOCA revelou, o principal deles era Marcelo
Barboza Daniel. Os documentos descobriram 18 empresas de consultoria, que
receberam R$ 17 milhões de 13 empreiteiras. O objetivo da operação na rua era
fazer Paulo Roberto falar. Deu certo. Enquanto Paulo Roberto fala, em sua cela
Youssef espera. A exemplo da família de Paulo Roberto, a de Youssef quer que
ele colabore com as investigações em troca de algum beneficio.
Por
enquanto, Youssef e seu advogado, Antonio Basto, preferem aguardar. Apostam que
a colaboração de Paulo Roberto exigirá informações que só Youssef poderá dar.
Sua estratégia é tornar-se necessário, para negociar um acordo. Basto teme a
possibilidade de vazamento de alguns pontos da delação, como aconteceu com
Paulo Roberto. "(As autoridades) Falharam", afirma. "A
colaboração processual deveria estar totalmente protegida pelo sigilo. O réu
ficou completamente exposto com o vazamento dessas informações." A
estratégia de defesa de muitas empreiteiras passa pela tentativa de invalidar a
delação de Paulo Roberto por causa do vazamento. Os procuradores ainda relutam
também em aceitar Youssef como colaborador. Ele fez uma delação premiada em
2004, quando foi preso pelo envolvimento no caso Banestado, mas descumpriu o
trato. Entregou apenas informações que não o comprometiam e, pior, voltou à
atividade anterior.
Paulo
Roberto fez de tudo para não ter de apelar à delação. Foi justamente por medo
de estar nessa situação que tomou atitudes desesperadas quando os policiais
federais chegaram a seu apartamento no condomínio Riomar IX, na Barra da
Tijuca, no final de março. Àquela altura, ele era um próspero consultor de
grandes empreiteiras com negócios com a Petrobras. Os policiais que bateram à
sua porta tinham a missão de prendê-lo como cliente do doleiro Youssef, alvo de
uma operação por lavagem de dinheiro, batizada de Lava Jato. Sem saber que era
monitorado pela polícia, assim que soube que seria preso, Paulo Roberto correu
para o telefone e ordenou que familiares fossem a seu escritório e destruíssem
computadores e documentos. Os federais não sabiam que Paulo Roberto não era um
mero cliente de Youssef. Não sabiam que ele fora um poderoso ex-diretor de
Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, bancado por um consórcio formado
por PT, PMDB e PP, detentor de tantos segredos incômodos da Petrobras e de
algumas das maiores empresas do país, aquelas que movem o fluxo de caixa de
campanhas eleitorais. Ao rastrear os telefonemas dados por ele no momento de
desespero, uma equipe da PF foi ao escritório e encontrou tudo vazio. As
imagens feitas por câmeras internas identificaram que duas filhas e genros de
Paulo Roberto saíram do local carregando um vasto material.
Recuperados e
esmiuçados pela polícia e pelo MPF, os arquivos agora obrigam Paulo Roberto a
contar às autoridades tudo o que sabe e a incriminar políticos e seus antigos
clientes, para escapar de uma pena que pode chegar a 50 anos de cadeia. No ano
passado, antes mesmo de Paulo Roberto ser preso ou do início de qualquer
investigação oficial ser deflagrada, ÉPOCA começou a revelar com exclusividade
casos escabrosos na Petrobras. Era o início de uma longa investigação sobre os
obscuros negócios na estatal. No primeiro caso, a Petrobras pretendia vender
parte da Petrobras Argentina, uma de suas subsidiárias no exterior, por US$ 900
milhões, um valor questionado pelo mercado. O mais estranho era o comprador.
Apesar de três concorrentes qualificados, o favorito para fechar o negócio era
Cristóbal López, um empresário do ramo de cassinos, que chegara ao ramo
petrolífero graças à ajuda do casal presidencial Néstor (morto em 2010) e
Cristina Kirchner. Meses depois, a Petrobras desistiu da venda. A motivação de
negócios desse tipo ficou clara quando o lobista João Augusto Henriques fez
revelações a ÉPOCA. Numa conversa surpreendente, ele contou como trabalhava
para intermediar negócios entre grandes empresas e a Petrobras. Ele afirmou
que, dos negócios que fechava, precisava entregar comissões ao PMDB. João
Augusto disse que, se a refinaria San Lorenzo, parte do patrimônio da Petrobras
Argentina, fosse vendida ao empresário Cristóbal López, teria de entregar uma
comissão de R$ 5 milhões ao PMDB.
O mais
surpreendente estava num contrato maior, que renderia dividendos ao PT. Segundo
João Augusto, a empreiteira Odebrecht deu uma contribuição equivalente a US$ 8
milhões ao caixa dois da campanha eleitoral da então candidata Dilma Rousseff
em 2010, por ter sido escolhida para fazer um trabalho de segurança ambiental
de ativos da Petrobras no exterior, por US$ 825 milhões. João Augusto afirmou
também que o PMDB lucrou na operação. O partido ganhou, segundo ele, uma
comissão para encerrar a CPI da Petrobras que corria no Senado na ocasião. Com
base na reportagem de ÉPOCA, o MPF no Rio de Janeiro denunciou João Augusto, o
ex-diretor Jorge Zelada e um executivo da Odebrecht pelo acordo
Petrobras-Odebrecht. A presidente da estatal, Maria das Graças Foster, cortou
pela metade o valor do contrato. Procurada por ÉPOCA, a Odebrecht, por meio de
nota, disse que a afirmação de João Augusto não corresponde à verdade, que a
empresa faz doações eleitorais, em respeito absoluto à legislação e que estão
publicadas nos tribunais eleitorais.
A
prisão de Paulo Roberto, um homem que participava das entranhas de negócios
suspeitos, desencadeou uma onda de terror em Brasília. Surgiram nomes que
sempre atuaram na sombra, como os lobistas Jorge Luz, Pedro Paulo Leoni Ramos,
o PP, e Fernando Soares. Conhecido como Fernando Baiano, ele foi um dos
intermediários entre a diretoria de Paulo Roberto e empresas interessadas em
fazer negócios com a Petrobras. Após a prisão de Paulo Roberto, governo e
oposição começaram a se enfrentar no Congresso para abrir ou impedir uma CPI
para investigar os negócios da Petrobras. Paulo Roberto fora indicado pelo
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o chamava de "Paulinho".
Devia favores às bancadas de PP, PT e PMDB - todos, obviamente, dispostos a
evitar CPIs. O presidente do Senado, Renan Calheiros, era uma das forças
contrárias à CPI. Renan nega ser padrinho político de Sérgio Machado,
presidente da Transpetro, cuja indicação lhe é atribuída há 11 anos. Na
Transpetro, uma auditoria recente mostrou que empresas contratadas por milhões
não prestaram os serviços acordados. A resistência à CPI contava ainda com os
deputados petistas Vander Loubet, Cândido Vaccarezza e André Vargas e do
senador Fernando Collor, todos padrinhos de diretores da BR Distribuidora, uma
subsidiária da Petrobras. Os parlamentares temiam a revelação de casos como da
Jaraguá, fornecedora da Petrobras que distribuiu contribuições de campanha a
deputados do PP em 2010. Logo depois, abocanhou um contrato de R$ 200 milhões
para a construção da Refinaria Abreu e Lima, comandada por Paulo Roberto.
Nenhuma
das duas CPIs instaladas produziu um fiapo de informações sobre a corrupção na
Petrobras. As investigações da PF, no entanto, revelam as razões para a falta
de empenho dos parlamentares. Planilhas apreendidas pela PF sugerem pagamentos:
- da empreiteira Camargo Corrêa (Consórcio CNCC),
- da Sanko-Sider,
- da OAS,
- da Galvão Engenharia,
- da Jaraguá e
- da Odebrecht (Consórcio Conest)
Paulo
Roberto e Youssef eram detalhistas e organizados, por isso a polícia conseguiu
descobrir a extensão de seus negócios. ÉPOCA revelou que, em maio de 2013,
Youssef fez um relatório sobre quatro contas secretas mantidas em conjunto com
Paulo Roberto no exterior: uma no banco UBS de Luxemburgo; outra no banco
Lombard Odier, na Suíça; uma terceira no banco Itaú, não se sabe em que país; e
a última no Royal Bank of Canada [RBC], nas Ilhas Cayman. O relatório não é exato
sobre o valor acumulado nessas contas. Somando apenas o saldo de algumas delas
aos depósitos pagos naquele momento pelas empresas com negócios na Petrobras,
chega-se ao total de US$ 3,7 milhões. A conta no Itaú referia-se, segundo o
relatório, à empreiteira Alusa e tinha saldo de R$ 127.400 em agosto de 2011,
quando Paulo Roberto estava na Petrobras. A Alusa firmou contratos de R$ 3,5
bilhões com a Petrobras nos últimos anos. O maior deles, de R$ 1,5 bilhão, foi
firmado em 2010. Em 2008, a Alusa fechara um contrato de R$ 966 milhões para
fazer obras na Refinaria Abreu e Lima. A conta com maior saldo - US$ 2,42
milhões - está no RBC das Ilhas Cayman. A PF apurou que esse dinheiro é fruto
de propina arrecadada entre fornecedoras da Petrobras na obra do Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Depois disso, a Suíça bloqueou US$ 23
milhões em contas bancárias de Paulo Roberto no país.
Ao
deixar a Petrobras, Paulo Roberto se tornou consultor. Planilhas apreendidas
com sua filha Arianna Costa detalhavam a contabilidade da Costa Global, sua
empresa de consultoria. Paulo Roberto chegou a ter ao menos 81 contratos com
fornecedores da Petrobras. Há provas de que ele recebeu milhões de 23
empreiteiras, na maior parte das vezes sem prestar nenhum serviço. Para a PF,
há indícios de que esses contratos eram apenas acertos de conta por favores
feitos nos tempos de Petrobras. É o caso de contratos com empreiteiras como
Engevix, Iesa, Queiroz Galvão e, num dos casos, também da Camargo Corrêa.
A relação com as empreiteiras era tão próxima, que foi a elas que a turma recorreu na hora do aperto. Em depoimento dado no dia 5 de setembro, a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, disse à Justiça que recorreu às empreiteiras para bancar despesas com advogados quando o chefe foi preso na Operação Lava Jato. "Não tinha dinheiro para nada", afirma. Segundo ela, João Procópio Prado, um dos acusados de fazer parte do grupo criminoso, disse que iria até a Camargo Corrêa e que ela se encarregaria de recorrer à UTC/Constran. "O Augusto Pinheiro, da Constran, disse que ajudaria sim, que não teria problema", diz Meire. Ela diz que João Procópio recebeu da Camargo Corrêa a promessa de que ajudariam a resolver o problema. "João me disse para tentarmos conseguir algum dinheiro. Ele disse que iria até a Camargo Corrêa, para tentar alguma coisa, e me pediu para ir até a UTC", diz Meire. "Eu tinha contato com o Valmir e com o Augusto (Pinheiro, diretor), da Constran, em função de alguns negócios. Eu tinha o celular dele, liguei e ele me recebeu lá na Constran. Fui até lá para pedir R$ 500 mil, que ajudariam a pagar os advogados." No próprio depoimento, Meire afirma que a UTC não atendeu a seu pedido. 0 advogado Ricardo Berenguer, que defende João Procópio, disse que não teve acesso ao depoimento de Meire e que não poderia fazer comentários a respeito. A UTC informou, por meio de nota, que "ninguém da UTC ou da Constran foi encarregado de conversar com pessoas ligadas ao senhor Alberto Youssef para viabilizar auxílio financeiro ao grupo investigado pela Polícia Federal". A Camargo Corrêa, por intermédio de sua assessoria de imprensa, nega que tenha sido procurada por pessoas ligadas a Youssef interessadas em ajuda financeira.
A relação com as empreiteiras era tão próxima, que foi a elas que a turma recorreu na hora do aperto. Em depoimento dado no dia 5 de setembro, a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, disse à Justiça que recorreu às empreiteiras para bancar despesas com advogados quando o chefe foi preso na Operação Lava Jato. "Não tinha dinheiro para nada", afirma. Segundo ela, João Procópio Prado, um dos acusados de fazer parte do grupo criminoso, disse que iria até a Camargo Corrêa e que ela se encarregaria de recorrer à UTC/Constran. "O Augusto Pinheiro, da Constran, disse que ajudaria sim, que não teria problema", diz Meire. Ela diz que João Procópio recebeu da Camargo Corrêa a promessa de que ajudariam a resolver o problema. "João me disse para tentarmos conseguir algum dinheiro. Ele disse que iria até a Camargo Corrêa, para tentar alguma coisa, e me pediu para ir até a UTC", diz Meire. "Eu tinha contato com o Valmir e com o Augusto (Pinheiro, diretor), da Constran, em função de alguns negócios. Eu tinha o celular dele, liguei e ele me recebeu lá na Constran. Fui até lá para pedir R$ 500 mil, que ajudariam a pagar os advogados." No próprio depoimento, Meire afirma que a UTC não atendeu a seu pedido. 0 advogado Ricardo Berenguer, que defende João Procópio, disse que não teve acesso ao depoimento de Meire e que não poderia fazer comentários a respeito. A UTC informou, por meio de nota, que "ninguém da UTC ou da Constran foi encarregado de conversar com pessoas ligadas ao senhor Alberto Youssef para viabilizar auxílio financeiro ao grupo investigado pela Polícia Federal". A Camargo Corrêa, por intermédio de sua assessoria de imprensa, nega que tenha sido procurada por pessoas ligadas a Youssef interessadas em ajuda financeira.
Na
última quarta-feira, perto das 15 horas, Nestor Cerveró, ex-diretor da área
Internacional da Petrobras, chegou relaxado e sorridente a sua terceira visita
ao Congresso desde que os escândalos na Petrobras começaram a pipocar. Era como
se Cerveró acreditasse que sua atuação na compra da refinaria de Pasadena, um
negócio que rendeu um prejuízo de US$ 792 milhões, perdera importância. Agora
que Paulo Roberto, seu ex-colega da diretoria de Abastecimento, começou a
delatar os meandros e os integrantes do esquema mais amplo de corrupção na
Petrobras, Pasadena parece um assunto distante. Tanto que, ao depor na CPI
mista da Petrobras na semana passada, numa sala lotada, a primeira celeuma
instalada entre os parlamentares foi para definir em que condição Cerveró
estava ali. Testemunha ou acusado? O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo,
titubeou: "Ele está aqui como investigado... Estamos investigando a
participação dele no negócio". O deputado tucano Carlos Sampaio, promotor
de carreira, contestou. "Se ele não está indiciado, deveria depor como
testemunha. Até para ser obrigado a falar a verdade." Vital do Rêgo
resistiu. Cerveró depôs na condição de "investigado".
O
relator da CPI, o deputado petista Marco Maia, fez perguntas por mais de uma
hora. Quando a palavra finalmente foi passada aos deputados e senadores, um
jogo de bate-assopra se iniciou. Um a um, os inquiridores primeiro criticavam
Cerveró por seu papel num escândalo que representa muito dos desmandos na
estatal. Em seguida, os mesmos parlamentares passavam a acarinhar Cerveró e a
tentar seduzi-lo a entregar maracutaias que tivesse presenciado. O deputado
Fernando Francischini, do Solidariedade, disse: "Vossa Senhoria deixará
que sua cabeça seja colocada em uma bandeja? Vossa Senhoria deveria fazer uma
delação premiada". Cerveró seguia impassível, de queixo erguido. Depois,
foi a vez de Carlos Sampaio: "Podemos fazer uma sessão reservada, secreta,
para que Vossa Senhoria fique à vontade para nos contar o que sabe".
Cerveró mal se mexia. Foram três horas de depoimento. Nenhuma informação nova
veio à tona. O que pairava na sala era apenas a sensação de que ainda há muito
a desvendar. A presidente Dilma Rousseff afirma ter feito uma limpeza na
estatal e diz que "se houve sangria, ela já foi estancada".
Todas
as empresas envolvidas negam relações irregulares com Youssef e Paulo Roberto.
A Sanko-Sider diz ter contratado a Costa Global, de Paulo Roberto, e as
empresas de Youssef para trabalhos técnicos e de representação comercial - e
nega irregularidades. Não foi possível encontrar representantes da Jaraguá
Equipamentos, que está em recuperação judicial. A empresa já afirmara que os
depósitos para a MO, de Youssef, se referem a um contrato para realizar
consultoria comercial na licitação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A Iesa afirma ter pagado R$ 300 mil à Costa Global, de Paulo Roberto. "Foram
realizadas diversas reuniões com a Costa Global e com empresa de engenharia
conceitual e identificados potenciais parceiros fornecedores de tecnologia para
o fornecimento de minirrefinarias modulares", diz a Iesa. O Consórcio CNCC
(Camargo Corrêa e CNEC) afirma que não tem nenhum relacionamento com as
empresas de Paulo Roberto e Youssef. A Odebrecht nega também ter feito contrato
com o lobista João Augusto. Sobre a auditoria interna, a Transpetro afirma que
"recebeu as denúncias em questão e as encaminhou para apuração" e que
"as não conformidades encontradas foram devidamente sanadas e seis
colaboradores foram afastados da Companhia". Em nota, a Mendes Júnior
afirma que seus contratos são feitos de acordo com as normas legais e que é
prestadora de serviços de engenharia da Petrobras desde os anos 1970. Diz ainda
que faz doações para campanhas eleitorais segundo a legislação vigente.
O
ministro Edison Lobão confirma que teve uma audiência com Paulo Roberto. O
senador Fernando Collor não se manifestou sobre o lobista Pedro Paulo Leoni
Ramos, o PP. O senador Romero Jucá nega ter colaborado para enterrar a CPI da
Petrobras em 2009. Os deputados Mário Negromonte e João Pizzolatti não foram
encontrados. O deputado Cândido Vaccarezza afirma que é amigo do diretor
da BR Distribuidora Andurte de Barros e, com outros deputados, o indicou para o
cargo. Vaccarezza nega "peremptoriamente ter recebido recursos" de
Paulo Roberto Costa. Em nota, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, disse
que nunca participou de nenhum esquema de corrupção nem solicitou "ao
ex-diretor da Petrobras recursos de qualquer natureza". "Tomarei
todas as medidas cabíveis para resguardar minha honra e minha dignidade",
diz Roseana. A advogada de Paulo Roberto Costa, Beatriz Catta Preta, foi
procurada, mas não respondeu. O lobista Fernando Baiano não foi encontrado.
Pedro Paulo Leoni Ramos preferiu não se manifestar.
UM PRÉ-SAL DE CORRUPÇÃO
A enorme reserva de desvio de recursos da Petrobras descoberta nos últimos meses
PETROBRAS ARGENTINA (PESA)
Valor do contrato: US$ 900 milhões
O grupo Indalo, do argentino Cristóbal López, amigo da presidente Cristina Kirchner, fez um acordo confidencial com a Petrobras para comprar 33% da Pesa e virar sócio da estatal.
Em 2002, a Petrobras pagara US$ 1,1 bilhão para entrar no negócio e investiu US$ 2,4 bilhões.
O negócio com López não foi finalizado.
ODEBRECHT
Valor do contrato: US$ 825 milhões
Suspeita de propina: US$ 8 milhões
O lobista João Augusto diz que o contrato internacional firmado entre a Petrobras e a Odebrecht para reforma e reabilitação de refinarias em dez países foi feito mediante o pagamento de US$ 8 milhões para o caixa da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010. A Odebrecht nega com veemência a acusação.
MAERSK
Valor do contrato: US$ 300 milhões
Suspeita de propina: US$ 6,2 milhões
A Maersk fechou um contrato de US$ 300 milhões para fornecer quatro navios à Petrobras.
De cada pagamento feito pela Petrobras à Maersk, segundo a Polícia Federal, 1,25% era devolvido a Paulo Roberto na forma de propina.
REFINARIA ABREU E LIMA
Valor do contrato: R$ 8,9 bilhões
Suspeita de propina: R$ 31 milhões
ÉPOCA revelou que, segundo investigações da Polícia Federal, Paulo Roberto Costa intermediou diversos negócios relacionados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Entre os "repasses" e "comissões", a Polícia Federal desconfia que pelo menos R$ 31 milhões sejam "propina".
PASADENA
Valor: prejuízo de US$ 792 milhões
Em 2006, a Petrobras comprou 50% da refinaria americana por US$ 360 milhões - no ano anterior, a belga Astra Oil pagara apenas US$ 42,5 milhões pela refinaria completa.
Depois de brigar com a Astra na Justiça, a Petrobras ainda foi forçada a comprar a outra metade da refinaria, com seus estoques, por mais de US$ 820 milhões.
Fonte: Revista ÉPOCA – Tempo/Investigação – 15 de setembro de 2014 – Edição nº 850 – Pgs. 36 a 42 – Internet: clique aqui.
UM PRÉ-SAL DE CORRUPÇÃO
A enorme reserva de desvio de recursos da Petrobras descoberta nos últimos meses
PETROBRAS ARGENTINA (PESA)
Valor do contrato: US$ 900 milhões
O grupo Indalo, do argentino Cristóbal López, amigo da presidente Cristina Kirchner, fez um acordo confidencial com a Petrobras para comprar 33% da Pesa e virar sócio da estatal.
Em 2002, a Petrobras pagara US$ 1,1 bilhão para entrar no negócio e investiu US$ 2,4 bilhões.
O negócio com López não foi finalizado.
ODEBRECHT
Valor do contrato: US$ 825 milhões
Suspeita de propina: US$ 8 milhões
O lobista João Augusto diz que o contrato internacional firmado entre a Petrobras e a Odebrecht para reforma e reabilitação de refinarias em dez países foi feito mediante o pagamento de US$ 8 milhões para o caixa da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010. A Odebrecht nega com veemência a acusação.
MAERSK
Valor do contrato: US$ 300 milhões
Suspeita de propina: US$ 6,2 milhões
A Maersk fechou um contrato de US$ 300 milhões para fornecer quatro navios à Petrobras.
De cada pagamento feito pela Petrobras à Maersk, segundo a Polícia Federal, 1,25% era devolvido a Paulo Roberto na forma de propina.
REFINARIA ABREU E LIMA
Valor do contrato: R$ 8,9 bilhões
Suspeita de propina: R$ 31 milhões
ÉPOCA revelou que, segundo investigações da Polícia Federal, Paulo Roberto Costa intermediou diversos negócios relacionados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Entre os "repasses" e "comissões", a Polícia Federal desconfia que pelo menos R$ 31 milhões sejam "propina".
PASADENA
Valor: prejuízo de US$ 792 milhões
Em 2006, a Petrobras comprou 50% da refinaria americana por US$ 360 milhões - no ano anterior, a belga Astra Oil pagara apenas US$ 42,5 milhões pela refinaria completa.
Depois de brigar com a Astra na Justiça, a Petrobras ainda foi forçada a comprar a outra metade da refinaria, com seus estoques, por mais de US$ 820 milhões.
Fonte: Revista ÉPOCA – Tempo/Investigação – 15 de setembro de 2014 – Edição nº 850 – Pgs. 36 a 42 – Internet: clique aqui.
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