QUAL POBREZA DIMINUIU NO BRASIL?
Diminuição da pobreza
Editorial
A
economia nacional vai mal. E o País continua com graves problemas sociais que
precisam ser urgentemente enfrentados. Mas reconhecer esses fatos não impede que
se veja que o Brasil reduziu a pobreza,
como mostra um estudo do Banco Mundial. De 1999 a 2011, houve uma
significativa redução da parcela da população que vive em estado de pobreza. Antes, 35% dos brasileiros eram pobres.
Agora, são 17%.
O
estudo utilizou uma nova metodologia para analisar a pobreza no Brasil. Dividiu
a população pobre em quatro segmentos, com base não apenas na renda, mas também
em sete fatores multidimensionais:
- se as crianças e os adolescentes frequentam a escola,
- o grau de escolaridade dos adultos,
- o acesso a água potável,
- saneamento e
- luz elétrica,
- a qualidade da moradia e
- o acesso a bens, como telefone, fogão e geladeira.
O Banco
Mundial reconhece que a atuação do governo brasileiro não se baseou na
distinção entre pobres transitórios e pobres crônicos. No entanto, o estudo
mostra que o País conseguiu reduzir a
pobreza em todos os grupos definidos pela nova metodologia. Segundo
López-Calva, isso foi possível graças à diversidade de estratégias de redução
da pobreza, ao se utilizar de diferentes programas sociais, sem concentrar os
esforços apenas no programa Bolsa Família, por exemplo. Em sua opinião, é impossível que uma sociedade consiga
zerar a população pobre, mas deve batalhar pelo objetivo de eliminar a pobreza
crônica.
Em
situação de pobreza extrema -
categoria que engloba as famílias que
vivem com menos de R$ 70 mensais por pessoa e que não estão sob uma rede de
proteção social (formada pelos componentes multidimensionais) -, o Brasil tinha 7% da população em 1999. Em
2011, o porcentual caiu para 2%. Queda similar foi observada no grupo
"pobreza moderada", formado por quem tem uma situação monetária
bastante precária, mas conta com o acesso aos fatores multidimensionais. Como
reflexo da queda da pobreza, em 2011, o porcentual da população brasileira
nesse grupo foi também de 2%.
O
terceiro grupo é formado pelos
"vulneráveis". É a situação inversa ao grupo "pobreza
moderada", pois eles têm renda um pouco acima da linha de pobreza, mas não
têm acesso aos componentes multidimensionais. Em 2011, 4% da população brasileira estava nesse grupo, metade do
índice de 1999.
Já "pobreza transitória" é a
situação das pessoas que estão sem renda (desempregados temporários, por
exemplo), mas continuam com acesso aos fatores multidimensionais, o que lhes
permite sair mais facilmente da pobreza. Segundo o estudo, esse grupo teve uma
redução de 25% nos 12 anos analisados. Atualmente,
são 9% da população.
Como
causas para essa redução expressiva da pobreza, o estudo lista:
- o crescimento econômico,
- o aumento do emprego e da renda, bem como
- a expansão dos programas sociais.
Reconhecer
os acertos é uma questão de justiça. E também de prudência. Seja para avançar
ainda mais, seja para não estragar o que já foi feito.
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