E o que mais aconteceu? (Interessante!)
MOISÉS NAÍM*
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Moisés Naím |
Síria,
Ucrânia, Gaza, Iraque, Estado Islâmico, Ebola. A lista é longa. Mas durante o
trágico verão (no hemisfério setentrional) de 2014 houve outros acontecimentos
que, embora chamassem menos a atenção, poderiam ser tão importantes quanto as
notícias que dominaram a TV e os periódicos.
Alguns
deles são mudanças inesperadas, enquanto outros revelam tendências que, a se
manterem, terão consideráveis consequências.
1. Caiu o preço do petróleo. O
preço do petróleo chegou ao seu patamar mais baixo em um ano. As guerras no
Oriente Médio e na Ucrânia e as graves sanções impostas à Rússia deveriam ter
provocado o seu aumento. Mas não foi assim. Graças ao aumento da produção nos
EUA [Estados Unidos da América], em julho foi registrado o maior volume de bruto do mundo desde 1987. Por
outro lado, a fraca atividade econômica mundial não gera tanta demanda de
energia como antes. A combinação de mais oferta e menos demanda pressiona os
preços para baixo. Se essas tendências se mantiverem, mudarão o mundo.
2. A pior seca em 106 anos. O
oeste dos EUA, o México e a América Central há três anos registram uma chuva
extraordinariamente escassa e a situação se tornou crítica. O verão foi
assolado por acidentes climáticos extremos.
3. A freada econômica europeia. Neste
verão ficou confirmado que a lenta recuperação das economias europeias foi
interrompida. Chegamos à conclusão de que durante a primeira metade do ano, a
atividade econômica declinou na Alemanha e na Itália e estancou na França. Nem
todas as notícias foram ruins. Na Espanha, a economia continua crescendo e o
Banco Central Europeu tomou medidas para estimular as economias da zona do
euro. Entretanto, lamentavelmente, ao mesmo tempo, reapareceu na Europa o
fantasma da deflação: uma queda crônica do nível de preços que, combinada a
altos níveis de endividamento, resulta muito perigosa. Uma vez que se cai nesta
armadilha, é difícil sair dela.
4. Quem é Federica Mogherini? A
partir de novembro, ela será chefe da política externa europeia. Quando assumir
o cargo, Federica, nomeada em agosto, negociará em nome da Europa. Também
dirigirá o Conselho Europeu e o Serviço Europeu de Ação Exterior. Qual é sua
principal credencial? Ter sido ministra do Exterior da Itália por seis meses.
Antes disso, nenhuma experiência. Analistas concordam que ela não está qualificada
para o cargo. Concordam ainda que sua nomeação confirma que os países europeus
não estão interessados em ter uma política internacional comum.
5. Acidente aéreo. Com o
acidente de 13 de agosto que matou Eduardo Campos, candidato à presidência do
Brasil, Marina Silva substituiu-o e as pesquisas indicam que ela poderá
derrotar Dilma. Se isso acontecer, é provável que poderá acabar a cega
solidariedade que Lula e Dilma têm com os governos latino-americanos que minam
a democracia e violam os direitos humanos.
* Moisés Naím é
escritor venezuelano e membro do Carnegie Endowment.
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