23º Domingo do Tempo Comum – Ano A – HOMILIA
Evangelho: Mateus
18,15-20
Naquele
tempo, Jesus disse a seus discípulos:
15 “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, à sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.
16 Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17 Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.
18 Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19 De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus.
20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou ali, no meio deles.”
15 “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, à sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.
16 Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17 Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.
18 Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19 De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus.
20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou ali, no meio deles.”
JOSÉ ANTONIO PAGOLA
ESTÁ ENTRE NÓS
Ainda
que as palavras de Jesus, recolhidas por Mateus, sejam de grande importância
para a vida das comunidades cristãs, poucas vezes atraem a atenção de
comentaristas e pregadores. Esta é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no
meio deles”.
Jesus
não está pensando em celebrações de massa como aquelas da Praça de São Pedro,
em Roma. Ainda que sejam, somente, dois ou três, ele está no meio deles. Não é
necessário que esteja presente a hierarquia; não é necessário que sejam muitos
os reunidos.
O que importa é que “estejam reunidos”, não
dispersos, nem em confronto: que não
vivam desqualificando-se uns aos outros. O decisivo é que se reúnam “em seu nome”: que escutem
seu chamado, que vivam identificados com seu projeto do reino de Deus. Que Deus
seja o centro de seu pequeno grupo.
Esta presença viva e real de Jesus é a que deve animar, guiar e sustentar as pequenas
comunidades de seus seguidores. É Jesus quem há de alentar sua oração, suas
celebrações, projetos e atividades. Esta
presença é o “segredo” de toda comunidade cristã viva.
Nós,
cristãos, não podemos nos reunir em nossos grupos e comunidades, hoje, de
qualquer maneira: por costume, por inércia ou para cumprir umas obrigações
religiosas. Sejamos muitos ou, talvez, poucos. Porém, o importante é que nos reunamos em seu nome, atraídos pela sua pessoa e
por seu projeto de fazer um mundo mais humano.
Devemos
reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus. Reunimo-nos para escutar seu Evangelho, para manter viva sua recordação, para contagiar-nos com seu Espírito, para acolher em nós sua alegria e sua paz, para anunciar sua Boa Notícia.
O
futuro da fé cristã dependerá, em boa parte, do que fizermos em nossas
comunidades concretas nas próximas décadas. Não basta aquilo que possa fazer o
Papa Francisco no Vaticano. Não podemos, tampouco, depositar nossa esperança
num punhado de sacerdotes que possam ser ordenados nos próximos anos. Nossa única esperança é Jesus Cristo!
Somos nós
que devemos focar nossas comunidades
cristãs na pessoa de Jesus como a única
força capaz de regenerar nossa fé desgastada e rotineira. O único capaz de
atrair os homens e mulheres de hoje. O único capaz de engendrar uma fé nova
nestes tempos de incredulidade. A renovação das instâncias centrais da Igreja é
urgente. Os decretos de reformas, necessários. Porém, nada é tão decisivo
quanto voltar, com radicalidade, para Jesus Cristo.
AJUDAR-NOS A SER
MELHORES
Cansados
devido à experiência diária, nascem em nós, às vezes, perguntas inquietantes e
sombrias. Podemos ser homens e mulheres muito melhores? Podemos mudar nossa
vida de modo decisivo? Podemos transformar nossas atitudes equivocadas e adotar
um comportamento novo? Com frequência, o
que vemos, o que escutamos, o que respiramos ao nosso redor não nos ajuda a ser
melhores, não eleva nosso espírito nem nos anima a ser mais humanos.
Por
outro lado, se diria que perdemos a
capacidade para penetrarmos em nossa própria consciência, descobrir nosso
pecado e renovar nossa existência. Não queremos interrogar a nós mesmos. O
tradicional “exame de consciência”, que nos ajudava a iluminar, ficou
marginalizado como algo ridículo e sem alguma utilidade. Não desejamos inquietar
nossa tranquilidade. Preferimos seguir
lá, “sem interioridade”, sem nos abrirmos a nenhum chamado, sem despertar
nenhuma responsabilidade. Indiferentes a
tudo aquilo que possa interpelar nossa vida, empenhados em assegurar nossa
pequena felicidade pelos caminhos egoístas de sempre.
Como
despertar em nós o apelo à mudança? Como nos livrar da preguiça? Como recuperar
o desejo de bondade, generosidade ou nobreza?
Nós,
que cremos, deveríamos escutar hoje, mais do que nunca, o chamado de Jesus a
corrigirmo-nos e ajudarmo-nos, mutuamente, a ser melhores. Jesus nos convida,
sobretudo, a atuar com paciência e sem precipitação, aproximando-nos de maneira
pessoal e amigável daqueles que estão atuando de modo errado. “Se teu irmão pecar, repreende-o sozinho,
entre os dois. Se ele te ouvir, terás salvado o teu irmão.”
Quanto
bem pode nos fazer essa crítica amigável
e leal, essa observação oportuna,
esse apoio sincero no momento em que
nos havíamos desorientado. Todo homem é capaz de sair do pecado e voltar à
razão e à bondade. Porém, necessita, com frequência, encontrar-se com alguém que o ame de verdade, convide-o a
interrogar-se e lhe infunda um desejo novo de verdade e generosidade.
Talvez,
o que mais muda muitas pessoas não são as grandes ideias nem os belos
pensamentos, mas o fato de ter-se encontrado na vida com alguém que tenha
sabido aproximar-se delas amigavelmente, ajudando-as a renovar-se.
Traduzido
do espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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