26º Domingo do Tempo Comum – Ano A – HOMILIA
Evangelho: Mateus 21,28-32
Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo:
28 Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: “Filho, vai trabalhar hoje na vinha!”
29 O filho respondeu: “Não quero”. Mas depois mudou de opinião e foi.
30 O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: “Sim, senhor, eu vou”.
Mas não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro.” Então Jesus lhes disse: Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas
vos precedem no Reino de Deus.
32 Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele.
28 Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: “Filho, vai trabalhar hoje na vinha!”
29 O filho respondeu: “Não quero”. Mas depois mudou de opinião e foi.
30 O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: “Sim, senhor, eu vou”.
Mas não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro.” Então Jesus lhes disse: Em verdade vos digo, que os publicanos e as prostitutas
vos precedem no Reino de Deus.
32 Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele.
JOSÉ
ANTONIO PAGOLA
O RISCO DE NOS
ACOMODARMOS NA RELIGIÃO
São
muitos os cristãos que acabam por se instalar comodamente em sua fé, sem que
sua vida se veja afetada. Poderia dizer-se que sua fé é um apêndice, não algo
nuclear que anima seu viver diário.
Quantas
vezes, a vida dos cristãos fica como que dividida em duas partes. Atuam, se
organizam e vivem como todos os demais ao longo dos dias e, aos domingos, se
dedicam, por certo tempo, a cultuar um Deus que está ausente de suas vidas o
restante da semana.
Cristãos
que se desdobram e mudam de personalidade, dependendo se ajoelham para orar a
Deus ou entregando-se a suas ocupações diárias. Deus não penetra em sua vida
familiar, em seu trabalho, em suas relações sociais, em seus projetos ou
interesses. A fé se converte, assim, em um costume, um reflexo, um “relaxamento
semanal”, como diria Jean Onimus, e, de todo modo, em uma prudente medida de
segurança para esse futuro que, talvez, exista após a morte.
Todos
devemos nos perguntar, com sinceridade, o que significa realmente Deus em nosso
viver diário. Aquilo que se opõe à verdadeira
fé não é, muitas vezes, a descrença, mas a falta de coerência.
O que
importa o CREIO que pronunciam nossos lábios, se falta, em seguida, em nossa
vida um mínimo esforço de seguimento sincero de Jesus? Que importa – nos diz
Jesus em sua parábola –que um filho diga a seu pai que vai trabalhar na vinha
se, em seguida, não o faz de verdade? As palavras, por mais bonitas que sejam,
não deixam de ser palavras.
Não reduzimos, com frequência, nossa fé a
palavras, ideias ou sentimentos? Não nos esquecemos,
demasiadamente, que a fé verdadeira dá novo significado e orientação diferente
a todo o comportamento da pessoa? Os
cristãos não deveriam ignorar que, na realidade, não cremos no que dizemos com
os lábios, mas naquilo que expressamos com nossa vida inteira.
CRÍTICA AOS
PROFISSIONAIS DA RELIGIÃO
A
parábola de Jesus é breve e clara. Um pai envia seus filhos para trabalhar em
sua vinha. O primeiro lhe responde: “Não quero”, porém depois se arrepende e
vai. O segundo lhe diz: “Já vou”, porém não se dirige ao trabalho. Jesus
pergunta: “qual dos dois fez a vontade do pai?”
A
parábola, dirigida por Jesus aos sacerdotes e dirigentes religiosos de Israel,
é uma forte crítica aos “profissionais” da religião, que têm continuamente em
seus lábios o nome de Deus, porém, habituados à religião, terminam por ser
insensíveis à verdadeira vontade o Pai do céu.
Segundo
Jesus, a única coisa que Deus quer é que
seus filhos e filhas vivam, desde agora, uma vida digna e feliz. Esse é
sempre o critério para agir segundo sua vontade. Se alguém ajuda as pessoas a
viverem, se trata a todos com respeito e compreensão, se espalha confiança e
contribui para uma vida mais humana, está “fazendo” o que deseja o Pai.
Jesus
adverte, muitas vezes, os escribas, sacerdotes e dirigentes religiosos de um dos
perigos que ameaça os “profissionais” da religião: falam muito de Deus,
acreditam saber tudo sobre Ele, pregam em seu nome a lei, a ordem e a moral.
Podem ser zelosos e diligentes, porém podem acabar por transformar a vida das
pessoas mais dura e penosa do que já é.
Não é
má vontade, porém há um modo de entender o religioso que não contribui para uma
vida mais plena e digna. Há pessoas muito
“religiosas” que acusam, ameaçam e, até, condenam em nome de Deus, sem jamais
despertar no coração de ninguém o desejo de uma vida mais elevada. Nessa
forma de entender a religião, tudo parece estar em ordem, tudo é perfeito, tudo
se ajusta à lei, porém, ao mesmo tempo, tudo é frio e rígido, nada convida à
vida.
Ao
concluir a parábola, Jesus acrescenta estas palavras terríveis: “Os publicanos
e as prostitutas vos precedem no caminho do reino de Deus”. Aqueles que, aparentemente,
têm pouco a ver com Deus estão, com frequência, mais próximos dele que os teólogos
e sacerdotes, pois entendem e acolhem melhor a compreensão e a bondade de Deus
com todos.
Traduzido
do espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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