Rede social ELLO desafia Facebook

Lígia Aguilhar
Para participar da rede é preciso ter convite
 
 Uma semana antes do Orkut encerrar suas atividades em definitivo no Brasil, uma nova rede social começa a fazer barulho em todo o mundo. A Ello é uma rede social livre de anúncios e que se apresenta por meio de um manifesto no qual garante que se manterá sem anunciantes e métricas. “Acreditamos que redes sociais podem ser uma ferramenta de empoderamento. Não uma ferramenta para enganar, coagir e manipular – um lugar para conectar, criar e celebrar a vida. Você não é um produto”, diz trecho do texto do manifesto.

Além do posicionamento anti-Facebook, a Ello está gerando curiosidade e interesse por outra característica: a rede só aceita convidados. Bem-vindo ao Orkut de anos atrás! A disputa está grande. As redes sociais já estão lotadas de pessoas pedindo convites para a Ello e tem até quem esteja vendendo convites no eBay.

 
Como funciona?

 
A Ello foi lançada em março por um grupo de artistas e designers que inicialmente desenvolveu o sistema para uso próprio, mas depois decidiu expandir o sistema para mais usuários. “Éramos um grupo de amigos de saco cheio de outras redes sociais, exaustos e geralmente cansados da publicidade, desordem e de nos sentir manipulados e enganados por empresas que claramente não têm os nossos interesses por definição”, explicou o cofundador da rede, Paul Budnitz, ao site Motherboard.

 
A interface do site é clean. Do lado esquerdo, mostra a lista de amigos, e do direito, o que eles estão postando.

 
Dá para organizar os amigos em listas, postar mensagens, adicionar fotos e links. Quem já está na rede tem o poder de enviar convites para outras pessoas entrarem no site. Para os demais mortais, resta o cadastro no site e aguardar a liberação por novos convites.

 
Segundo o TechCrunch, o site recebeu um investimento-anjo de US$ 400 mil do fundo FreshTracks Capital para entrar no ar.


Site tem interface clean



Anti-Facebook

A Ello não é a primeira rede criada para confrontar o Facebook, mas está conseguindo atrair uma atenção incomum em relação aos seus concorrentes indies. “Nós criamos a rede especificamente pensando em pessoas criativas, pessoas que valorizam conteúdo, com bastante discussão e diálogo acontecendo ao redor do conteúdo”, disse Budnitz, na entrevista ao Motherboard. Outro motivo para a migração seria a insatisfação da comunidade LGBT pela obrigatoriedade de usar nomes verdadeiros no Facebook.

Difícil prever se o crescimento da rede continuará exponencial e chegará de fato a ameaçar o Facebook. Uma pesquisa da Universidade de Princeton, nos EUA, divulgada no início do ano, apontou que a rede social de Mark Zuckerberg [Facebook] irá perder 80% do seu público ao longo dos próximos três anos. O motivo seria o cansaço dos usuários, que tendem a perder interesse e migrar para outras redes.  ”Facebook e Tumblr não são redes sociais – são plataformas de anúncios. A missão deles é vender anúncios”, diz Budnitz.

O próprio Facebook começou sem anúncios, mas o mundo das startups exige um modelo de negócio e a alternativa para plataformas sociais tem sido a propaganda. Diante disso, como a Ello pretende se manter para sempre sem anúncios, como prega em seu manifesto?

A resposta está em FAQ no próprio site, no qual os criadores dizem que planejam lançar recursos especiais pelos quais as pessoas poderão pagar. O bom e velho modelo freemium adotado por muitos aplicativos, no qual o acesso é gratuito, mas algumas ferramentas de uso são pagas.

Fonte: ESTADÃO.COM.BR – link – Sexta-feira, 26 de setembro de 2014 – 18h38 – Internet: clique aqui.

 

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