SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA: QUEM PARTICIPARÁ?
A composição do Sínodo dos Bispos sobre a família é
decepcionante
Thomas Reese
National Catholic Reporter
10-09-2014
A lista
dos que participarão no Sínodo dos Bispos sobre a família é decepcionante para
os que esperam por reformas da Cúria e os que desejam que os leigos sejam
ouvidos durante os dias de encontro.
A
nomeação de 25 autoridades da Cúria para o Sínodo sobre a família é um sinal de
que o Papa Francisco ainda não compreende o que uma reforma verdadeira da Cúria
Romana requer. Esta nomeação me fez temer que quando tudo estiver dito e feito,
ele poderá fechar ou fundir alguns departamentos, rearranjar algumas
responsabilidades, mas não realizar nenhuma mudança profunda.
Segundo
a lei vigente, o moto proprio Apostolica
Sollicitudo, um sínodo extraordinário é composto pelos principais líderes
episcopais das igrejas católicas orientais, pelos presidentes das conferências
dos bispos e por três religiosos escolhidos pela União dos Superiores Gerais. A
lei também afirma: “Os cardeais que presidem os escritórios da Cúria Romana
também participarão”.
O papa
também pode nomear bispos e padres adicionais bem como observadores leigos.
Ter autoridades curiais como membros de um
sínodo não permite reconhecer que, antes, deveriam estar a serviço, e não
atuando como formuladores de políticas. Estas autoridades poderiam
participar do sínodo como funcionários, mas não deveriam ser membros com
direito a votos. No mais, deveriam ser observadores,
e não oradores. Estes participantes têm todas as demais semanas do ano para
assessorarem o papa. Os sínodos
constituem um momento para que os bispos de fora de Roma tornem conhecidas as
suas opiniões.
Se o Papa Francisco e o Conselho de Cardeais
não estiverem dispostos a mudar o Sínodo dos Bispos em sua composição, será
difícil acreditar que eles irão, de fato, consertar a Cúria Romana.
Os
prelados americanos no Sínodo serão o arcebispo de Louisville (no estado do
Kentucky), Dom Joseph Kurtz, e os
cardeais Timothy Dolan, Donald Wuerl e Raymond Burke. Kurtz irá participar por ser o presidente da
Conferência dos Bispos Católicos dos EUA [Estados Unidos da América]. Dolan e
Wuerl se farão presentes como membros do conselho do sínodo ordinário. E Burke
participará porque é o prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica.
Além
dos bispos componentes do Sínodo, há os colaboradores (especialistas) e
auditores (observadores). A metade dos
especialistas são padres, o que parece estranho para um sínodo sobre a família.
Nenhum dos 16 especialistas é estadunidense; 10 são da Europa (incluindo cinco
da Itália), três da Ásia; e um do México, outro do Líbano e, por fim, um da
Austrália.
Há mais
leigos entre os 38 auditores, incluindo 14 casais, dos quais dois são dos
Estados Unidos. Grande parte dos
observadores são funcionários da Igreja Católica ou líderes de organizações
católicas, incluindo organizações de planejamento familiar natural.
Por
exemplo, um casal dos EUA é composto por Jeffrey
Heinzen, diretor de planejamento familiar natural na diocese de La Crosse,
no estado do Wisconsin, e Alice Heinzen,
participante do Conselho Consultivo de Planejamento Familiar Natural, da
Conferência dos Bispos Católicos americana.
O outro
casal americano é composto por Steve e
Claudia Schultz, membros do International
Catholic Engaged Encounter, grupo que trabalha no ministério de preparação
para o casamento católico.
Teremos
que esperar e ver se os auditores vão apresentar aos bispos as opiniões dos
leigos católicos, mesmo assim é difícil sustentar que estes representem, em
geral, os católicos. Com certeza, aqueles
que pensam que o planejamento familiar natural seja o grande presente da Igreja
para os leigos não representam os católicos da base. E os que são
funcionários da Igreja poderão ter medo de perder seus empregos caso falarem a
verdade.
No
Sínodo de 1980 sobre a família, os participantes leigos constituíram um fator
importante para a total falta de contato com a realidade que os participantes
demonstraram. Receio que estejamos prestes a ver isso acontecer novamente.
A maioria dos colaboradores e auditores foi
escolhida sob a recomendação das conferências episcopais, e esta é a
contradição fundamental do papado de Francisco. Ele
quer mudar as coisas, mas igualmente quer a participação dos bispos locais em
muitas delas.
Há
também uma ironia nisso tudo. Nas décadas seguintes ao Concílio Vaticano II, os
católicos progressistas pediram, constantemente, pela descentralização na
Igreja. Hoje, quando estão gostando do que o papa está fazendo, eles querem que
o líder da Igreja faça as coisas via ordem executiva. Enquanto isso, os
conservadores estão começando a enxergar as vantagens da subsidiariedade na
Igreja. Deus tem, mesmo, um senso de humor incrível.
Traduzido
do inglês por Isaque Gomes Correa.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos –
Notícias – Quinta-feira, 11 de setembro de 2014 – Internet: clique aqui.
Sínodo da Família e os participantes brasileiros
Boletim da CNBB
10-09-2014
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Arturo e Hermelinda Zamperline - únicos leigos brasileiros no Sínodo sobre a Família |
O
Vaticano divulgou na terça-feira, 9 de setembro, a lista dos participantes da
3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá de 5 a
19 de outubro, com o tema "Os
desafios pastorais da família no âmbito da evangelização".
Entre
os 253 presentes, estão os cardeais
brasileiros:
- Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB;
- João Braz de Aviz, prefeito da Congregação Pontifícia para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
- Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo;
- Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro; acompanhados do
- Monsenhor Edgard Madi, bispo de Nossa Senhora do Líbano, em São Paulo.
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