SAÚDE NO BRASIL: NINGUÉM ESTÁ CONTENTE ! ! !
A absurda guerra na saúde
EDITORIAL
Que 93%
dos entrevistados considerem o desempenho dos serviços públicos e privados de
saúde no Brasil regulares, ruins ou péssimos impressiona, mas não surpreende.
Os dados de pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela
Associação Paulista de Medicina (APM) constatam o que salta aos olhos de quase
todos.
Ao
divulgarem a pesquisa, o CFM e a APM destacaram que:
- a saúde é tida como a área mais importante por 87% dos brasileiros;
- que para 57% merecia ser prioritária para o governo federal; e
- que os principais problemas enfrentados pelo setor são filas, falta de acesso aos serviços e má gestão.
- acesso ao atendimento e
- tempo de espera.
A
pesquisa concluiu também que duas em cada dez pessoas ouvidas foram atendidas
no prazo de um mês e 29% esperam há mais de seis meses para ter sua demanda
atendida. O grupo que passa mais tempo na fila é composto por mulheres com
idade entre 25 e 55 anos, que concluíram o ensino fundamental e moram no
Sudeste.
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Roberto Luiz d'Ávila Presidente do Conselho Federal de Medicina |
Segundo
o presidente do CFM, Roberto Luiz d'Ávila, a pesquisa mostra que não são apenas
os médicos que continuam afirmando que a insatisfação é muito grande. "No
nosso meio, temos certeza absoluta de que esse atendimento é insatisfatório. E
eu diria mais: é prejudicial", afirmou. Para o vice-presidente do
conselho, Carlos Vital, "vivemos uma fase de agonização desse problema nos
últimos 12 anos. Orçamento e administração são os principais problemas. Não
podemos continuar nossa espera. Vidas humanas se perdem nesse processo".
Na
verdade, os serviços de saúde no Brasil já eram deficientes antes dos 12 anos
por ele citados, que correspondem aos três mandatos de presidentes petistas,
oito sob Lula mais quatro sob Dilma. É fácil perceber o clima de antagonismo
entre os conselhos médicos e o governo federal, agravado depois da contratação
de 14 mil profissionais cubanos para atender em cidades do interior.
A nota
com que o Ministério da Saúde reagiu à divulgação dá um exemplo do ponto a que
chegou tal antagonismo. De acordo com o Ministério da Saúde, o Conselho
Nacional dos Secretários de Saúde e o Conselho Nacional das Secretarias
Municipais da Saúde, que assinam o texto, a mesma pesquisa "aponta avanços
como acesso superior a 84% na maioria dos tipos de serviços avaliados. Das pessoas
que procuram os postos de saúde, 91,3% conseguiram atendimento, o que demonstra
os bons resultados de estratégias como o Mais Médicos". De acordo com os
signatários, "dos que utilizaram o SUS, 74% avaliam a qualidade de
atendimento com nota superior a 5, sendo que um terço dos entrevistados deram
notas entre 8 e 10". A conclusão é: "Lamentamos a interpretação
tendenciosa e parcial dos dados e o esforço do CFM na tentativa de
desconstrução do SUS".
O
problema é que esta guerra estatística em nada melhora a avaliação do
atendimento de saúde no País. A própria presidente Dilma Rousseff, em
entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo, reconheceu que a saúde pública
"não é" minimamente razoável. E a pesquisa divulgada pelos conselhos
chega a conclusão similar em relação ao atendimento privado. Não seria o caso
de médicos e autoridades deporem as armas e tentarem atender melhor os
pacientes que deles necessitam?
Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e
Informações – Sábado, 30 de agosto de 2014 – Pg. A3 –
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