32º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia

Evangelho: Marcos 12,38-44


Naquele tempo:
38 Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas;
39 gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes.
40 Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”.
41 Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias.
42 Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada.
43 Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.
44 Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

CONTRASTE

O contraste entre as duas cenas [do Evangelho de hoje] é total. Na primeira, Jesus põe o povo em guarda diante dos escribas do Templo. Sua religião é falsa: a utilizam para buscar sua própria glória e explorar os mais fracos. Não há o que admirar neles nem seguir seu exemplo. Na segunda cena, Jesus observa o gesto de uma pobre viúva e chama seus discípulos. Desta mulher podem aprender algo que jamais lhes ensinaram os escribas: uma fé total em Deus e uma generosidade sem limites.

A crítica de Jesus aos escribas é dura. Ao invés de orientar o povo para Deus, em busca de sua glória, atraem a atenção das pessoas para si mesmos buscando sua própria honra. Eles gostam de «andar com roupas vistosas», buscando saudações e reverências das pessoas. Na liturgia das sinagogas e nos banquetes, buscam «assentos de honra» e «os primeiros lugares».

Porém há algo que, sem dúvida, dói mais em Jesus que este comportamento estúpido e infantil de ser contemplados, cumprimentados e reverenciados. Enquanto aparentam uma piedade profunda em suas «longas orações» em público, aproveitam-se de seu prestígio religioso para viver à custa das viúvas, os seres mais fracos e indefesos de Israel segundo a tradição bíblica.

Precisamente, uma destas viúvas colocará em evidência a religião corrupta destes dirigentes religiosos. O gesto dela passou despercebido a todos, porém não a Jesus. A pobre mulher somente lançou no tesouro do Templo duas pequenas moedas, porém Jesus chama, em seguida, seus discípulos, pois dificilmente encontrarão no ambiente do Templo um coração mais religioso e mais solidário com os necessitados.

Esta viúva não anda buscando honras nem prestígio algum; age de maneira calada e humilde. Não pensa em explorar ninguém; pelo contrário, dá tudo o que tem porque outros podem necessitar. Segundo Jesus, ela deu mais que todos, pois não deu daquilo que lhe sobrava, mas «tudo o que possuía para viver».

Não nos equivoquemos. Estas pessoas simples, porém de coração grande e generoso, que sabem amar sem reservas, são o que de melhor temos na Igreja. Elas são as que fazem o mundo mais humano, as que creem de verdade em Deus, as que mantêm vivo o Espírito de Jesus em meio a outras atitudes religiosas falsas e interesseiras. Destas pessoas temos de aprender a seguir Jesus. São as que mais se parecem com ele.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 2 de novembro de 2015 – 12h04 – Internet: clique aqui.

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