DUPLA ADVERTÊNCIA!
Dom Luiz
Demétrio Valentini
Bispo
Diocesano de Jales (SP)
Aí mora hoje o drama da humanidade: estamos todos tão
próximos
da violência, e tão longe da justiça, da paz e da
fraternidade.
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MARIANA - A TRAGÉDIA DA LAMA E DA NEGLIGÊNCIA! |
Os
acontecimentos desses últimos dias nos trazem sérias advertências, cujo alcance
não podemos ignorar.
O rompimento da barragem em Mariana, e os
novos atentados em Paris, nos fazem
intuir que existem coisas profundamente erradas, cuja dinâmica é preciso
prevenir em tempo, se não queremos colher suas amargas consequências.
É
bom recordar que a primeira grande
privatização realizada no Brasil sob o signo do neoliberalismo, foi a privatização da companhia estatal Vale do
Rio Doce. Não faltaram advertências, feitas com insistência. A Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB) sustentou uma dura batalha, tentando evitar essa
privatização ou, ao menos, cercá-la de garantias claras e eficazes, que
assegurassem o cuidado com o meio ambiente, e a destinação pública da exploração
do subsolo brasileiro.
De
nada adiantaram essas advertências. A
Vale foi vendida por três bilhões e meio de dólares, e um ano depois a Vale já
valia cem bilhões. Como se explica esta brutal diferença de cotação?
Mas,
sobretudo, as advertências manifestavam
legítimas preocupações ecológicas e sociais. O subsolo brasileiro deve
continuar sendo, sempre, inalienável, e sua exploração precisa levar em conta a
preservação da natureza e a destinação social dos seus recursos.
Sobretudo,
a quem quer se habilitar para explorar nossos recursos naturais, se deve exigir
o rigoroso cumprimento dos parâmetros, que o poder público precisa estabelecer,
para que não aconteça o que em geral sempre se constata nestas situações, em
que se privatizam os lucros e se socializam
os prejuízos.
O
episódio de Mariana deve servir de alerta
para conferirmos em tempo se as outras privatizações estão cercadas das
adequadas garantias que assegurem a preservação do nosso subsolo e sua
adequada destinação social.
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PARIS - A TRAGÉDIA DO TERROR E DA VIOLÊNCIA! |
Por
outro lado, o triste episódio dos
atentados em Paris, nos oferece um vasto campo de reflexão, com sua enorme
complexidade, que não permite fazer julgamentos apressados, mas que logo aponta
para constatações evidentes, que não podemos ignorar.
Desde
logo, precisamos colocar com toda a clareza que a vida é o dom supremo que existe, e que sob nenhum pretexto ela pode ser instrumentalizada para intentos de
ordem política ou de qualquer outra ordem que for.
Mas
é forçoso, também, reconhecer que a situação atual se mostra herdeira de uma
enorme carga de violências, praticadas em diversos lugares e em vista da
exploração de recursos naturais, às custas das populações locais, que se viram
envolvidas, sem querer, em situações de guerra, e agora pagam o alto custo em
vida humanas, seja sacrificadas em sua própria pátria, ou buscando refúgio em
outros países.
Mas
não é só isto. A situação atual coloca em evidência um fato novo, que precisa
agora ser bem administrado. No mundo
atual, não é mais viável existir ilhas de prosperidade, ao lado de continentes
de pobreza. Não se tolera mais que pequenas minorias vivam na abundância,
enquanto contingentes enormes de populações tentam sobreviver com as migalhas
que caem da mesa dos ricos.
Não há mais lugar para desigualdades
gritantes,
que escancaram injustiças, que as populações pobres já não aceitam mais.
Só é viável hoje uma paz que
seja para todos, uma justiça que garanta os direitos fundamentais das pessoas,
e uma economia que esteja ordenada em vista do bem comum. Aí mora hoje o drama da
humanidade: estamos todos tão próximos
da violência, e tão longe da justiça, da paz e da fraternidade.
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