Papa chega ao Quênia e pede luta contra a pobreza e o terrorismo
Agências ANSA
e EFE
Durante a recepção do presidente queniano, o papa pediu
aos líderes mundiais que se esforcem para promover modelos
"responsáveis" de desenvolvimento econômico com o objetivo de
enfrentar a "grave" crise ambiental
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Fiéis do Quênia recebem Papa Francisco com muita alegria! Trinta porcento dos quenianos são católicos. |
O
papa Francisco convidou nesta quarta-feira, 25 de novembro, dirigentes
políticos e empresariais a lutarem
contra "a pobreza e a frustração" mediante uma distribuição
equitativa dos recursos. "A experiência mostra que a violência, os conflitos e o terrorismo se
alimentam do medo, e que a desconfiança e o desespero nascem da pobreza e da
frustração", afirmou o pontífice durante a recepção dada pelo
presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, em sua residência.
O
papa desembarcou hoje em Nairóbi em meio a extraordinárias medidas de
segurança. O avião que o levava aterrissou no Aeroporto Jomo Kenyatta cerca de
20 minutos antes do previsto, por volta das 16h40 (11h40 horário de Brasília).
Neste país, ele inicia sua primeira viagem à África, que além do Quênia inclui Uganda e a República
Centro-Africana (RCA). A viagem é
considerada de alto risco em razão dos conflitos e da ameaça terrorista do
grupo jihadista Al-Shabab, o que o papa minimizou ao afirmar que a única
coisa que o "preocupa são os mosquitos".
O
pontífice foi recebido com cânticos tradicionais por uma delegação de
representantes da Igreja queniana e do governo liderada pelo presidente, com
quem se reuniu nesta tarde na residência presidencial. Jorge Mario Bergoglio
seguiu a tradição queniana e assinou o Livro
de Ouro dos visitantes do governo e, então, seguiu para um encontro privado
com Kenyatta. Ao mesmo tempo, houve
uma reunião bilateral entre as duas delegações.
Em
seu discurso, ele fez referência à ameaça terrorista enfrentada pelo Quênia,
onde o grupo jihadista somali Al-Shabab
ataca com frequência em represália pelo envio de tropas quenianas para combater
seus integrantes na Somália. Segundo o pontífice, "a luta contra estes inimigos da paz e da prosperidade deve ser feita
por homens e mulheres que acreditam nela sem temor, e que dão testemunhos
críveis dos grandes valores espirituais e políticos que inspiraram o nascimento
da nação".
Francisco
lembrou aos líderes políticos e empresários quenianos que "a promoção e
preservação destes grandes valores é confiada a eles de um modo especial".
"Esta é uma grande responsabilidade, uma verdadeira vocação a serviço de
todo o povo do Quênia", acrescentou.
Ele
falava na State House, residência
oficial do presidente queniano, que é católico, assim como cerca de 30% dos 45
milhões de habitantes do país. Milhares de pessoas se enfileiraram pelas ruas
da capital para saudar a passagem do papa.
A
Igreja Católica está se expandindo rapidamente na África e acredita-se que o
número de fiéis irá mais do que duplicar até 2050, chegando a 500 milhões.
Também se prevê que o número de muçulmanos no continente aumentará na mesma
proporção e alcançará a cifra de 670 milhões.
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PAPA FRANCISCO é recebido no aeroporto pelo Presidente do Quênia: Uhuru Kenyatta (à esquerda do Pontífice, na foto) |
Clima
Durante
a recepção do presidente queniano, o papa também pediu aos líderes mundiais que
se esforcem para promover modelos
"responsáveis" de desenvolvimento econômico com o objetivo de
enfrentar a "grave" crise ambiental atual. "Os valores (da
natureza) devem inspirar os esforços dos líderes nacionais para promover
modelos responsáveis de desenvolvimento econômico", afirmou o pontífice.
"A grave crise
ambiental que nosso mundo enfrenta exige cada vez mais uma maior sensibilidade
pela relação entre os seres humanos e a natureza", disse. "Temos a
responsabilidade de transmitir às gerações futuras a beleza da natureza em sua
integridade e a obrigação de administrar adequadamente os dons que
recebemos."
Esses
valores estão "profundamente arraigados na alma africana", considerou
o papa, que elogiou os quenianos,
"abençoados" pela beleza do país e pela abundância de recursos
naturais, graças à cultura da conservação.
Segundo
o papa Francisco, para construir uma
ordem social "justa e equitativa" é necessário renovar a relação com
a natureza, por isso, incentiva os
líderes mundiais a buscarem alternativas econômicas que respeitem o meio
ambiente.
No
voo, o líder católico afirmou aos jornalistas que inicia essa viagem histórica
ao continente africano "com alegria". Uma hora antes de aterrissar,
Francisco publicou uma mensagem em seus perfis no Twitter: "Mungu abariki Quênia" (Deus abençoe
o Quênia, em swahili). Um dispositivo de 10 mil agentes zela pela segurança de
Francisco em Nairóbi, cidade que manterá suas principais avenidas fechadas
durante a maior parte desta visita, que vai até sexta-feira.
Além
de visitar o Quênia, o pontífice irá para Uganda, ainda na sexta-feira, e para
a RCA, no domingo. Francisco será o
quarto líder católico na história a visitar o continente africano. Antes
dele, Bento XVI foi aos Camarões e Angola (2009), João Paulo II visitou 42 países
durante seu pontificado (1978 a 2005) e Paulo VI visitou Uganda em 1969.
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