"Dilma sabia de tudo", diz Cerveró em anotação
Mateus
Coutinho, Valmar Hupsel Filho e Andreza Matais
No documento de sua delação premiada, ex-diretor da
Petrobrás fez anotação à mão na qual cita a presidente sobre compra da
refinaria de Pasadena,
nos Estados Unidos.
nos Estados Unidos.
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O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró chega ao Instituto Médico Legal de Curitiba quando foi detido. Foto: Vagner Rosário/Futura Press |
Na
minuta da delação premiada do ex-diretor internacional da Petrobrás, Nestor
Cerveró, há anotações do executivo à mão dizendo que a presidente Dilma “sabia de tudo de Pasadena” e que inclusive
estaria cobrando o então diretor pelo negócio, tendo feito várias reuniões com
ele. O acordo de Cerveró foi firmado com a Procuradoria-Geral da República e
submetido ao ministro do Supremo Teori Zavascki, que ainda não decidiu sobre
sua homologação.
O fato veio à tona nas
conversas gravadas entre o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, o
advogado Edson Ribeiro, que defendia Cerveró, e o filho do ex-diretor, Bernardo
Cerveró. No
diálogo, o senador revela que teve acesso ao documento sigiloso da delação do
executivo por meio do banqueiro André
Esteves, CEO do banco BTG Pactual e questiona sobre as citações à
presidente manuscritas na minuta do acordo de delação.
Na gravação, o filho de
Cerveró confirma que as anotações são mesmo de seu pai. Os áudios dos encontros do
político com o advogado, gravados por Bernardo Cerveró, foram utilizados pela
Procuradoria-Geral da República para pedir a prisão de Delcídio, André Esteves,
Edson Ribeiro e o chefe de gabinete do senador.
No
documento, conforme menciona Delcídio na gravação, há referências de que Dilma
“sabia de tudo” e que ela “estava acompanhando tudo de perto”, tendo inclusive
cobrado Cerveró sobre o negócio. A
aquisição da refinaria de Pasadena é investigada por Polícia Federal, Tribunal
de Contas da União [TCU], Ministério
Público por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas. O conselho da
Petrobrás autorizou em 2006, quando Dilma era ministra da Casa Civil e
presidente do Conselho de Administração da estatal, a compra de 50% da
refinaria por US$ 360 milhões.
Posteriormente, por causa de
cláusulas do contrato, a estatal foi obrigada a ficar com 100% da unidade,
antes compartilhada com uma empresa belga. Acabou
desembolsando US$ 1,18 bilhão – cerca R$ 2,76 bilhões. Segundo apurou o TCU,
essas operações acarretaram em um
prejuízo de US$ 792 milhões à Petrobrás.
Em
carta encaminhada ao jornal O Estado de
S. Paulo no ano passado, a presidente afirmou que a decisão foi tomada com
base em um parecer “técnica e juridicamente falho”.
A
investigação sobre o caso foi encaminhada ao juiz Sérgio Moro, responsável pela
Lava Jato, e por meio de delações, lobistas
e ex-executivos da estatal confirmaram que houve o acerto de propinas no
negócio para atender “compromissos políticos”. Diante disso, foi deflagrada
a 20ª etapa da Lava Jato que determinou buscas e apreensões nos endereços de
ex-funcionários da estatal envolvidos no negócio.
Não
é a primeira vez que o ex-diretor tenta envolver a presidente no escândalo da
Petrobrás. Em janeiro, o executivo chegou a elencar Dilma como sua testemunha
de defesa em um dos processos que ele respondia na Justiça Federal no Paraná.
Na ocasião, após o fato ser revelado, a defesa do executivo recuou e, em menos
de uma hora, substituiu a testemunha.
O
Palácio do Planalto informou que não vai se manifestar sobre o caso.
Ouça o trecho em que Delcídio fala de Dilma Rousseff a partir dos 36 minutos.
Neste áudio está a gravação completa realizada por Bernardo Cerveró,
filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, clique aqui.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política –
Quinta-feira, 26 de novembro de 2015 – Pg. A11 – Internet: clique aqui.
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