O roteiro do suicídio político do PT, que vai custar caro!
Luiz Carlos
Azenha
Jornalista
O mar de lama da Samarco teve também uma dimensão
simbólica
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Placar do Senado Federal com o resultado da votação aberta para manter a prisão temporária do Senador petista Delcídio do Amaral (MS) |
Como
escrevemos anteriormente, aqui e no Facebook, o mar de lama da Samarco teve
também uma dimensão simbólica.
Explicitou
que a captura das instituições públicas
brasileiras pelo poder econômico é absoluta.
A Samarco disse que a lama não era
tóxica, que estava “monitorando” a enxurrada, etc. etc.
A
empresa e uma de suas controladoras, a Vale,
assumiram papéis que cabiam ao Estado, dentre os quais distribuir água.
Das autoridades não saiu um
pio, a não ser pelo anúncio de multas milionárias que afinal não serão pagas.
O
governo de Minas cassou a licença para a Samarco operar em Mariana, como se ela
ainda fosse capaz de fazê-lo.
Duas decisões judiciais
tomadas no caso favoreceram a empresa: uma rapidíssima liminar para desbloquear a ferrovia
por onde passa minério e o habeas corpus
preventivo que impede a prisão do presidente da Samarco.
Toda
uma bacia hidrográfica destruída [a do Rio
Doce], praias e oceano poluídos… uma verdadeira catástrofe.
Enquanto
isso, quatro jovens foram presos por
“crime ambiental”: sujaram de lama um corredor do Congresso.
É
óbvio que esta múltipla falência de órgãos
engloba o PT e o governo Dilma.
Um
breve roteiro do suicídio político,
incluindo apenas fatos recentes:
1. Ganhar uma eleição e
governar com o programa econômico alheio;
2. Colocar toda a conta da
austeridade nas costas dos trabalhadores;
3. Propor uma lei
antiterrorista que, lá adiante, em 2018, servirá para a direita demolir os
movimentos sociais, permitindo a ela aprofundar ainda mais, se necessário, a depressão econômica do Levy.
Para
completar, Delcídio do Amaral,
denunciado aqui e ali como homem que articulava barbaridades contra o Brasil e
os movimentos sociais, é flagrado em
conluio com um banqueiro para evitar uma delação premiada.
Por mais que seja um petista
de DNA tucano, é o líder do governo Dilma no Senado!
A
partir dos depoimentos, a mídia fará, obviamente, o que sempre fez:
criminalizar alguns e poupar os seus.
Mas o suicídio político é do
PT. Por exemplo, ao sugerir que sua bancada votasse pela soltura de Delcídio. [Dos
13 votos favoráveis à soltura de Delcídio do Amaral, 9 foram de senadores do
PT!]
Para
todos os efeitos, 25 de novembro é o dia
em que o PT se afogou em público, sob os olhares dos 300 picaretas do Congresso.
O
que virá? A delação do Cerveró,
possivelmente do próprio Delcídio,
do banqueiro Esteves… um efeito em
cascata que vai arrastar gente graúda,
com o efeito prático de paralisar o governo Dilma.
O
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad,
um quadro de primeira qualidade, acusou o baque numa entrevista ao [jornal] Estadão:
“Quando você
tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia
para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está
cometendo dois crimes: o primeiro é
colocar a mão em recurso público, o segundo,
você está matando um projeto político”.
Uma
delicada nota de falecimento.
Quanto
à esquerda que sobreviver ao PT, tem encontro marcado com a lei antiterrorismo
logo ali adiante. A não ser que, como o PT, priorize os gabinetes.
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