PT: AGORA NÃO HÁ COMO NEGAR!!!

Líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral do PT, é preso pela Polícia Federal

Camila Bomfim

Segundo investigadores, senador do PT estaria atrapalhando a Lava Jato.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
DELCÍDIO DO AMARAL - SENADOR PELO PT DO MATO GROSSO DO SUL
Preso pela Polícia Federal por estar atrapalhando as investigações e o processo judicial da
Operação Lava Jato

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (25 de novembro) o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado. Segundo investigadores, o senador foi preso por estar atrapalhando apurações da Operação Lava Jato.

Também foram presos pela PF nesta manhã o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual e o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira.

A prisão de Esteves está ligada a inquéritos no âmbito da Lava Jato que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Em nota, o BTG Pactual informou que "está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações.”

As prisões foram um pedido da Procuradoria-Geral da República e autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As prisões de Delcídio e de Ribeiro são preventivas, que é quando não há data determinada para terminar. As demais são temporárias, com data de término. 
NESTOR CERVERÓ
Ex-Diretor da Petrobras para quem o Senador petista Delcídio do Amaral prometeu
dinheiro e fuga caso não o denunciasse no processo da Lava Jato

Pedido de prisão

Delcídio foi preso por tentar dificultar a delação premiada de Nestor Cerveró sobre uma suposta participação do senador em irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo investigadores, Delcídio chegou até a oferecer fuga a Cerveró, para que o ex-diretor não fizesse a delação premiada, o que reforçou para as autoridades a tentativa do petista de obstruir a Justiça.

A prova da tentativa de obstrução é uma gravação feita pelo filho de Cerveró que mostra a tentativa do senador de atrapalhar as investigações e de oferecer fuga para o ex-diretor não fazer a delação.

Após a prisão de Delcídio, o ministro Teori Zavascki, do STF, leu em uma sessão do tribunal as alegações da Procuradoria-Geral da República. No pedido de prisão, a procuradoria afirma que Delcídio chegou a oferecer R$ 50 mil mensais para Cerveró em troca de o ex-diretor não citar o senador na delação premiada.

A assessoria do senador informou que o advogado dele, Maurício Leite, recebeu uma ligação do Delcídio e embarcou de São Paulo para Brasília para acompanhar o caso.

No pedido de prisão enviado ao STF, Janot transcreve trechos das conversas de Delcídio do Amaral com o filho de Nestor Cerveró. Em um dos trechos, o senador diz que precisa "centrar fogo no STF", referindo-se a ministros com quem teria conversado para tentar blindar o ex-diretor da Petrobras.

«Eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori [Zavascki], conversei com o [Dias] Toffoli, pedi para o Toffoli conversar com o Gilmar [Mendes], o Michel [Temer] conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o [Jorge] Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também», disse Delcídio.

Após a PGR disponibilizar trechos das conversas de Delcídio que serviram como base para a prisão dele, a assessoria de imprensa do vice-presidente Michel Temer informou que ele «jamais» tratou desse tipo de tema com Delcídio do Amaral.

Além disso, após sessão do STF, o ministro Dias Toffoli declarou que a Corte «não vai aceitar nenhum tipo de intrusão nas investigações que estão em curso» e o ministro Gilmar Mendes negou ter recebido «apelo» para ajudar Cerveró. «Não tive oportunidade de receber qualquer referência em relação a esse fato», disse.

Sobre o acordo de pagamento mensal à família de Cerveró, o documento enviado por Janot ao STF traz trecho de uma conversa entre Delcídio, o advogado Edson Ribeiro e o filho do ex-diretor da Petrobras.

Para Janot, com a conversa, fica «induvidoso que essas pessoas não estão medindo esforços para influir nos itinerários probatórios da Operação Lava Jato».

«Só pra colocar. O que que eu combinei com o Nestor que ele negaria tudo com relação a você [Delcídio] e tudo com relação ao (...). Tudo. Não é isso?», questiona o advogado Edson Ribeiro.

«Tá acertado isso. Então não vai ter. Não tendo delação, ficaria acertado isso. Não tendo delação. Tá? E se houvesse delação, ele também excluiria», complementa.

«É isso», confirma o senador. «E aí a gente encaminha as coisas conforme o combinado. Vê como é que vai ser a operação de que jeito contratualmente, aquilo tudo que eu conversei com você», diz.

Ao final da conversa, Delcídio se refere ao filho de Cerveró e afirma: «Bernardo, esse é o compromisso que foi assumido, né? E nós vamos honrar». 
ANDRÉ ESTEVES
Banqueiro e o 10º homem mais rico do Brasil - Detido pela Polícia Federal

Fuga

Em outro trecho da conversa entre Delcídio e o filho de Cerveró, o petista afirma que o «foco» deve ser tirar o ex-diretor da Petrobras da prisão. «Agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo», sugere o senador.

Logo depois, o filho de Cerveró diz ao petista que estava pensando em uma rota de fuga pela Venezuela e que o «melhor jeito» seria fugir em um barco. Pouco depois, Delcídio sugere, então, que a melhor rota de fuga seria pelo Paraguai.

«Tem que pegar um Falcon 50 [modelo de avião], alguma coisa assim. Aí vai direto, vai embora. Desce na Espanha», afirma Delcídio. «Falcon 50, o cara sai daqui e vai direto até lá», complementa.

Prisão

O senador foi preso no hotel onde mora em Brasília, o mesmo em que estava hospedado o pecuarista e empresário José Carlos Bumlai quando foi preso nesta terça-feira (24/11). Depois ele foi levado para a superintendência da PF em Brasília. Ele começou a prestar depoimento logo depois de chegar ao local. Segundo a PF, Delcídio vai ficar numa cela de 20 m², com banheiro, a mesma em que ficou o ex-governador do DF José Roberto Arruda quando foi preso, em 2010.

Também foram realizadas buscas e apreensões no gabinete de Delcídio, no Congresso, e na casa dele, em Campo Grande (MS).

A Constituição diz que membros do Congresso não poderão ser presos, "salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão".

Ainda na manhã desta quarta, uma sessão extraordinária na Segunda Turma do STF deverá analisar os mandados de prisão, informou o ministro Gilmar ao chegar ao tribunal.

Histórico

O líder do governo foi citado na Lava Jato na delação do lobista conhecido como Fernando Baiano. No depoimento, Baiano disse que Delcídio recebeu US$ 1,5 milhão de dólares de propina pela compra da refinaria.

Em outubro, Delcídio havia negado o teor da denúncia de Baiano e disse que a citação a seu nome era "lamentável".

 Delcídio também foi citado em outro contrato da Petrobras, que trata do aluguel de navios-sonda para a estatal. Segundo Baiano, houve um acordo entre Delcídio, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro Silas Rondeau, também filiado ao PMDB, para dividir entre si suborno de US$ 6 milhões.

O líder do governo havia classificado a denúncia de uma "coisa curiosa" que não tem lógica.

Fonte: Portal G1 – Política – Operação Lava Jato – 25/11/2015 – 13h57 – Internet: clique aqui.

Quem é Delcídio do Amaral, senador preso
pela Polícia Federal

Redação

O petista, líder do governo até esta quarta-feira, foi
ministro de Itamar Franco e diretor da Petrobras
SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL (PT-MS):
teria se beneficiado do esquema de propinas da Petrobras, inclusive, recebendo dinheiro
na compra desvantajosa da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso na manhã desta quarta-feira 25 pela Polícia Federal, é uma figura política controversa e conhecida por seu bom trânsito em diversos partidos. Exemplo disso é o fato de ser conhecido nos bastidores do Senado, como contou recentemente o jornal O Globo, como "o mais tucano dos petistas".

Engenheiro elétrico, Delcídio tem uma carreira ligada ao setor de energia. Foi engenheiro-chefe da construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará; trabalhou como diretor da Shell na Holanda; e comandou a Eletrosul, braço da Eletrobrás. No governo de Itamar Franco (1992-1994), foi secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro da pasta e presidente do Conselho de Administração da Vale do Rio Doce.

Em 1998, Delcídio assinou sua filiação ao PSDB, mas seu ingresso no partido não chegou a ser homologado. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, quando trabalhou com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, dois dos delatores da Operação Lava Jato.

Em 2001, ocorreu a aproximação com o PT. Delcídio foi secretário estadual de Infraestrutura e Habitação do governo de Zeca do PT no Mato Grosso do Sul e, em 2002, elegeu-se senador, já no Partido dos Trabalhadores.

Desde então a influência de Delcídio Amaral no partido só cresceu. Em 2005, Delcídio presidiu a CPI dos Correios, responsável pela apuração do "mensalão". Em 2009, o senador teve outra atuação controversa a favor de um líder do PMDB: votou pelo arquivamento das ações contra o ex-presidente do Senado José Sarney, que na época era relacionado a contratos ilegais e à nomeação de pessoas envolvidas em escândalos de corrupção.

Nas eleições de 2014, Delcídio sofreu sua segunda derrota para o pleito de governador do Mato Grosso do Sul. No ano seguinte, porém, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff como líder do governo no Senado e no Congresso Nacional, cargo que ocupava até esta quarta-feira 25.
[ . . . ]

Delcídio do Amaral é o primeiro senador preso no exercício do cargo, desde a redemocratização do País. Apesar de o STF já ter autorizado a prisão de Delcídio, o Senado ainda precisa confirmar a prisão do senador, em até 24 horas, pelo voto da maioria de seus membros.

Fonte: Carta Capital – Política – Operação Lava Jato – 25/11/2015 – 09h31 – Internet: clique aqui.

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