DENÚNCIA: estão matando nossas mulheres!
Morte de mulheres negras avança 54% em 10 anos
Luísa Martins
Mapa da Violência mostra que, entre 2003 e 2013, crime
contra brancas
caiu 9,8%; só em 2013, 4,7 mil mulheres foram mortas
Em
um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no
Brasil. Essa é uma das conclusões do Mapa da Violência 2015, que será
divulgado nesta segunda-feira, 9, pela Faculdade
Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), e que, nesta edição, foca na
violência de gênero no País.
Para baixar o texto completo do
«Mapa da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil»,
clique aqui.
O
estudo foi considerado inovador pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, ao revelar a “combinação cruel” que se estabelece entre
racismo e sexismo: em uma década (a pesquisa abarca o período de 2003 a
2013), os feminicídios contra negras aumentaram 54%, ao passo que o índice de
mortes violentas de mulheres brancas diminuiu 9,8%.
No
total, em 2013, 4.762 mulheres foram assassinadas no País, posicionando-o no quinto
lugar no mundo – só está melhor que El Salvador, Colômbia, Guatemala e
Federação Russa. Foram 13 homicídios
femininos por dia: uma mulher morta a cada 1h50min. É o equivalente a
exterminar todas as mulheres em 12 municípios do porte de Borá (SP) ou Serra da
Saudade (MG), que têm menos de 400 habitantes do sexo feminino.
“As
mulheres negras estão expostas à
violência direta, que lhes vitima fatalmente nas relações afetivas, e indireta,
àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas. É uma realidade diária, marcada
por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam, na maioria das
vezes, sozinhas”, diz Nadine.
Os dados, julga ela, denunciam uma “bárbara faceta do racismo”, sendo urgente acelerar respostas institucionais concretas em favor das mulheres negras. O Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, motivou a escolha do mês de lançamento da pesquisa.
O Mapa da Violência conclui que a população negra é vítima prioritária da
violência homicida no Brasil, enquanto as taxas de feminicídio contra a população
branca tendem, historicamente, a cair. Em uma década, o índice de vitimização
das negras – cálculo que resulta da relação entre as taxas de mortalidade de
ambas as raças – cresceu 190,9% em todo o País, número que ultrapassa os 300%
em alguns Estados, como Amapá, Pará e Pernambuco.
Diferenças
entre Estados
Os Estados com maiores taxas de feminicídio de
negras são Espírito Santo, Acre e Goiás. O número de mulheres negras
assassinadas só diminuiu em Rondônia e em São Paulo. Nem a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006, foi capaz de
encolher a estatística. Depois da
promulgação da lei, apenas cinco Estados registraram queda nas taxas.
A
vitimização das mulheres negras veio em uma escalada íngreme entre 2003 e 2012,
mas sofreu queda em 2013. Ainda é cedo para comemorar, no entanto. Conforme os
procedimentos metodológicos do Mapa da
Violência, esse aspecto só se configura como real tendência se houver três
anos consecutivos de diminuição.
Servidora
pública e membro do coletivo Pretas
Candangas, de Brasília, Daniela
Luciana ressalta que há um tipo de
violência contra a mulher negra que não pode ser mensurada em números: a simbólica.
“Somos
violentadas desde a hora em que acordamos até a hora de dormir, por conta do
estereótipo, da invisibilidade e da pouca presença em espaços de poder”, afirma
Daniela. O grupo organiza para o dia 18 deste mês, na capital federal, a Marcha
das Mulheres Negras, pelo fim da violência contra a mulher.
PRINCIPAL
AGRESSOR:
- Das meninas até 11 anos: Mãe (42,4%).
- Das de 12 a 17 anos: Pais (26,5%) e parceiros ou ex-parceiros (23,2%).
- De 18 a 59 anos: Parceiros ou ex-parceiros (50%).
- Das idosas: Filhos (34,9%).
- Em todas as faixas: Parentes, parceiros e ex-parceiros (67,2%).
Companheiro é responsável por um terço dos assassinatos
Luísa Martins
Mapa da Violência 2015 revela que 55% dos crimes de
violência de gênero
no Brasil foram cometidos no ambiente doméstico
O Mapa da Violência 2015, divulgado nesta
segunda-feira, 9 de novembro, revela que 55%
dos crimes de violência de gênero no Brasil foram cometidos no ambiente
doméstico – e que 33,2% dos
homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Isso significa que, a cada 10 mulheres com mais de 18 anos,
quatro foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros, que usaram, com
maior prevalência, força física ou objeto cortante. As armas de fogo são
mais comuns nos assassinatos de homens.
“A
violência contra a mulher é um problema de saúde pública, que ocorre em
diversas regiões do País e do mundo. Divulgar dados e estudos sobre esse tema
ajuda a compreender a dimensão do problema e pôr fim a esta prática”, afirma o
representante da Organização
Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Joaquín Molina.
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