POBRES DE NÓS ! ! !
Pior dos mundos
Eliane
Cantanhêde
PT defende uma coisa, Planalto faz outra,
petistas ficam tontos e o País vai ladeira abaixo!
O governo Dilma e o próprio Lula articularam com o
próprio Cunha
e com os líderes no Congresso para evitar a cassação do
deputado!
EDUARDO CUNHA - Deputado Federal pelo PMDB do Rio de Janeiro: ainda está conseguindo ficar às custas de um governo amedrontado, fraco e incoerente!!! |
Integrante
do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Zé Geraldo (PT), foi, voltou, foi de
novo, voltou de novo e ontem, horas antes da decisão sobre abrir ou não o
processo de cassação do presidente Eduardo Cunha, soltou a seguinte pérola: “Se for emparedado, o Cunha solta o
impeachment (da presidente Dilma Rousseff) e, aí, é o pior dos mundos”.
Qual “pior dos mundos”, cara
pálida? No mesmo dia, quase na mesma hora, o IBGE anunciava “uma retração
generalizada” da economia brasileira, com queda entre julho e setembro de 1,7% em
relação ao trimestre anterior e de 4,5% diante do mesmo período de 2014.
Isso é resultado da
“turbulência política” e mais: da queda do nível de emprego, da redução da renda, da
restrição ao crédito, dos juros altos, da inflação assustadora. Assim, 825 mil brasileiros perderam suas vagas em
12 meses, mais nove milhões estão desempregados e 20% dos jovens estão fora do
mercado de trabalho.
O consumo das famílias cai pelo terceiro
trimestre consecutivo, o investimento das empresas tem nove quedas
consecutivas e o mais desanimador da história é que, se ruim está, melhor não
deve ficar. A previsão é de recessão por
dois anos consecutivos: mais de 3% negativos em 2015 e de 2% em 2016.
Sem
falar na paralisia do governo depois dos cortes de mais de R$ 11 bilhões para
não desrespeitar – de novo – a Lei de
Responsabilidade Fiscal. E sem falar
no constrangimento, inclusive internacional, de faltar dinheiro até para bancar
as urnas eletrônicas das eleições municipais de 2016. Se tudo isso não é o
“pior dos mundos”, o que será então?
Os três deputados federais do PT presentes no Conselho de Ética da Câmara e sob pressão do Governo Dilma para não irem contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) são: LEO DE BRITO (PT-AC), VALMIR PRASCIDELLI (PT-SP) e ZÉ GERALDO (PT-PA) |
O
fato é que os três integrantes petistas
do Conselho de Ética – os outros dois são Valmir Prascidelli (SP) e Leo
de Brito (AC) – também ficaram no pior dos mundos, ensanduichados entre a
pressão do Palácio do Planalto, a cobrança das suas bases e o peso de suas
próprias consciências.
Ninguém
gostaria de estar na pele deles, principalmente porque o PT está contra o Planalto, todo dividido, ou cada vez mais dividido.
O presidente Rui Falcão vai para um lado e o Planalto para outro; vai para um
lado e a bancada do Senado para outro; vai para um lado, o Ministério da
Fazenda de Dilma para outro.
Ontem,
Rui Falcão escreveu (tardiamente)
nas redes sociais que os petistas do Conselho de Ética deveriam votar pela
admissibilidade do processo contra Cunha, quando as torcidas do Corinthians e
do Flamengo sabem que o Planalto e o
próprio Lula articularam com o próprio Cunha e com os líderes no Congresso para
evitar a cassação do deputado.
Ou
seja, o Planalto e Lula cederam à
chantagem de Cunha, que pôs uma faca no pescoço de Dilma: ou o PT votava contra o processo de
cassação dele, ou ele abriria o processo de impeachment dela. Colou, mas
parece que os dois lados se esqueceram de avisar o adversário: Rui Falcão.
Ele
já tinha soltado uma nota dando de ombros para a desgraça do senador Delcídio
do Amaral e negando “qualquer solidariedade” ao líder do governo. Mas, Falcão escreveu uma coisa e os senadores do
PT fizeram outra: nove deles votaram pelo relaxamento da prisão de Delcídio.
Bem,
sem contar que Lula defende o governo em público e Dilma defende Joaquim Levy
em público, enquanto Rui Falcão ou patrocina diretamente ou, pelo menos,
apadrinha por baixo dos panos a campanha do partido e dos movimentos alinhados
ao partido contra a política econômica. Se
o Brasil já está no pior dos mundos, o PT não está muito melhor.
Os
de sempre
Não
foi por solidariedade, mas sim em causa própria que Renan Calheiros, presidente do Senado, e Jader Barbalho, ex-presidente, foram os mais loquazes e enfáticos
defensores do voto secreto para ratificar ou não a prisão de Delcídio Amaral.
De uma só canetada, a Procuradoria Geral da República pediu na segunda, e o
Supremo acatou na terça, a abertura de inquérito contra... os três.
Fonte: O Estado de S. Paulo
- Política –
Quarta-feira, 2 dezembro de 2015 – Pg.
A8 –Internet: aqui.
Brasil, uma vergonha lá fora e
outra aqui dentro
José Nêumanne
Dilma exibe vexames de seu governo em Paris e a
oposição os esconde
sem sair de Brasília
DILMA ROUSSEFF - Presidente do Brasil Discursa na 21.ª Conferência das Nações Unidas sobre Condições Climáticas (COP-21) Paris - França |
Em seis minutos, quando
você houver terminado de ler este texto, 12 brasileiros terão perdido o seu
emprego: dois a cada minuto. Será difícil achar outro. Quem encontrar
dificilmente será com um salário semelhante. Mas isso não é problema para a sempre “extremamente preocupada,
estarrecida e muito chateada” da República Dilma Rousseff, que viajou na
sexta-feira e está de volta após ter participado da Cúpula do Clima em Paris,
para onde Barack Obama só foi no domingo.
Que
Deus nos acuda! Nosso clima agora não é favorável – do Oiapoque ao Chuí. A
sinistra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, que ficará na Europa duas
semanas, na chefia da delegação brasileira nas negociações da mudança
climática, informou há 15 dias que o desmatamento
na Amazônia aumentou 16% de agosto de 2014 a julho último, longe da meta zero
anunciada. Nunca no Brasil governo algum tomou a única atitude para pôr fim
ao desmate da floresta tropical: simplesmente proibi-lo. Mas Dilma foi aquém ao cortar 72% das verbas
programadas para combatê-lo. Com a Hileia em chamas, diz candidamente
Isabella que a defesa do ecossistema não depende só de sua presença aqui.
Enquanto isso, ardem reservas florestais
no interior da Bahia.
Domingo,
Dilma reuniu-se, antes de começar a 21.ª Conferência das Nações Unidas sobre
Condições Climáticas (COP-21), com os chefes de governo do Equador e da
Noruega. Será que tentou convencê-los a transpor neve dos Andes e água dos
fiordes noruegueses para o semiárido? Lá
ocorre a maior seca em 50 anos, sem que jamais ela haja visitado a região, nem
que fosse apenas para confortar sertanejos morrendo de sede. Os reservatórios de água das grandes cidades
nordestinas estão praticamente vazios e a única providência tomada por seu
governo foi incluir nos anúncios do Partido dos Trabalhadores (PT) na televisão
depoimentos de vítimas da estiagem manifestando sua esperança na transposição
do Rio São Francisco, obra faraônica que virou esfinge inconclusa em ruínas.
A presidente só foi ao Vale
do Rio Doce uma semana após a tragédia da ruptura da barragem de contenção de
rejeitos da mineradora Samarco, um dos maiores desastres ambientais da
História. Assim mesmo, manteve a tradição de não pôr o pezinho na lama tóxica. A participação do Brasil
na COP-21 foi vergonhosa como a avalanche de mentiras que a candidata à
reeleição desencadeou na campanha de 2014. A diferença é que, no ano passado,
ela mentiu em português tatibitate, enquanto em Paris balelas como a cobrança
de R$ 20 bilhões de multas pelo Ibama tiveram tradução simultânea para muitos
idiomas. Os meios de comunicação já se tinham encarregado de contar a verdade
em línguas suficientes.
Não dá para levar a sério um
governo que nunca tomou nenhuma providência para evitar a trágica imprevidência
da mineradora, na qual a União tem relevante participação acionária. E ninguém está disposto a
relevar essa falha só porque antes
nenhum outro governo também nunca fiscalizou alguém. A tragédia ambiental e
humana é de tal monta que qualquer desculpa esfarrapada, a esta altura, deixa
de ser cínica para virar um escárnio – tomando emprestada a magnífica metáfora
usada pela ministra Cármen Lúcia, do
Supremo Tribunal Federal (STF), ao votar pela permissão da prisão, pela Polícia
Federal, do líder do governo no Senado, Delcídio “do” Amaral (PT-MS).
ESTE FOLIÃO CARNAVALESCO DO INTERIOR DE SÃO PAULO Representa bem o "mar de lama" no qual nosso País está metido! |
A
onda de lama contaminada que desceu da cidade histórica de Mariana, em Minas,
até o mar do Espírito Santo (que não nos valeu!) foi mais do que uma evidência
da vergonha que o Brasil passaria em Le Bourget com o descaramento
destrambelhado da desabilitada gestora desta República. A tragédia que destruiu vidas, vilas e campos às margens do Rio Doce é
também a metáfora mais exata dos vexames que têm paralisado o País com a
revelação da roubalheira devassada na Operação Lava Jato.
Preso
na véspera o amigo de Lula que tinha
licença do ex para entrar em seu gabinete sem ser anunciado, o 25 de novembro
entrou para a História com a prisão do líder do governo no Senado, por ter
planejado a fuga do ex-diretor internacional da Petrobrás Nestor Cerveró para
não ser delatado por ele. O PT abandonou-o em nota alegando que ele não cumpria
tarefa partidária, igual desculpa do Palácio do Planalto para evitar se sujar
na lama que invadiu seu lago na entrada, onde nem os patinhos nadam em paz.
Delcídio (na etimologia, assassínio de Deus) só podia, então,
estar a serviço do Menino Jesus, cujo aniversário se celebrará em menos de um
mês e era frequentemente citado em suas pias mensagens em redes sociais. Essa
hipótese seria reforçada pela desculpa de que sua decisão de doar R$ 50 mil
(sendo seu salário de R$ 33 mil) por mês ao ex-subordinado Cerveró fora por
“razões humanitárias”. Só isso talvez merecesse a canonização do ex-diretor da
Petrobrás, ex-tucano e concorrente de Irmã Dulce e de Madre Tereza de Calcutá.
Os votos unânimes da 2.ª
Turma do STF foram históricos. Mais
histórica ainda foi a sessão noturna na qual, entre lamentos e feições
soturnas, os senadores abriram a votação (52 a 19) e confirmaram a prisão do
colega (59 a 13), contrariando desesperados apelos do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Como no
verso célebre de John Donne, os
insignes anciãos (Senado vem do latim senior)
sabiam que os sinos da opinião pública não dobravam por Delcídio, mas por todos
quantos a ele se associaram na doce ilusão da impunidade, ora em extinção. Tudo sob o silêncio funéreo de opositores
que, por falta de inteligência, vergonha ou por rabo de palha, sob a liderança
do amigo oculto Aécio Neves (PSDB-MG), se juntaram ao chororô cuspindo para
cima sem cuidar da lei da gravidade.
Da
última semana de fortes emoções ficou ao menos a esperança de essa lama tóxica
da política nos levar ao pleno Estado de Direito, no qual todos são mesmo
iguais perante a lei.
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