Bastidores do impeachment: o que está por detrás...
Cunha abriu impeachment após sinais de investida de Janot contra ele no STF
Mônica Bergamo
Eduardo
Cunha decidiu deflagrar o impeachment depois de também detectar sinais de que o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderia pedir ainda
nesta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) o afastamento dele da
presidência da Câmara dos Deputados.
ALGEMA
Cunha
acha que agora Janot fica de mãos atadas. Qualquer movimento do
procurador-geral poderia voltar a ser classificado pelo presidente da Câmara
como iniciativa pró-governo, para livrar Dilma Rousseff do processo de
impeachment.
TÃO
BONZINHO
Cunha
se considerou ludibriado pelo governo. Ele acha que o ministro Jaques Wagner,
da Casa Civil, sempre soube que os parlamentares do PT votariam pela abertura
do processo de cassação dele. Mas fingia tentar convencê-los apenas para ganhar
tempo.
TÃO
BOAZINHA
Um
dos ministros mais próximos de Dilma confirma à coluna que a suspeita de Cunha
de que foi "enrolado" tem base na realidade. "O governo
precisava empurrar e evitar que ele abrisse o impeachment antes da quarta-feira
[dia 2], para ter tempo de aprovar a mudança na meta fiscal, afirma. Apesar de
divergências internas no governo, "a Dilma nunca quis negociar com
ele", afirma o mesmo ministro.
DOCE
ILUSÃO
Um
aliado de Cunha admite que o presidente da Câmara, nesse sentido,
"vacilou". "Ele queria propor a abertura do impeachment na terça
[01/12], mas decidiu esperar mais um dia na esperança de que Jaques Wagner
virasse os votos do PT" na Comissão de Ética que vai julgá-lo.
TIRO
CERTO
Num
segundo momento, já desconfiado de que Wagner estava só ganhando tempo, Cunha
refez o calendário. Decidiu revelar a decisão de dar seguimento ao impeachment
com exclusividade a uma revista semanal e fazer o anúncio oficial na próxima
segunda (dia 7 de dezembro). A entrevista dos deputados do PT anunciando que
votariam contra ele, no entanto, precipitou o anúncio de andamento do processo
contra Dilma.
PADRINHO
Eduardo
Cunha acredita que, num eventual governo de Michel Temer, poderá, com as
bênçãos dele, refazer acordos na Câmara e escapar da cassação.
AGORA
OU NUNCA
Dois raciocínios levaram o
governo a aceitar, como queria o PT, o enfrentamento com Cunha:
- a convicção de que o presidente da Câmara voltaria a ameaçar Dilma no futuro e
- a certeza de que a crise econômica vai se agravar em 2016.
TROPA
UNIDA
O
governo convocou uma tropa de grandes juristas para uma reunião em Brasília na
segunda (dia 7 de dezembro). Vão discutir respostas jurídicas ao pedido de
impeachment de Dilma.
PADRINHO
2
Há
no Senado enorme tensão, até na oposição, com a possibilidade de o presidente
da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), ser tragado de vez pela Operação Lava Jato.
O STF já abriu inquérito para investigá-lo.
TSUNAMI
Para
piorar o clima, há rumores em Brasília de que a força-tarefa da Lava Jato
prepara ação de grande impacto para antes do Natal.
Fonte: Folha de S. Paulo –
Colunistas –
04/12/2015 – 02h00 – Internet: clique aqui.
Dois contra uma
Bernardo Mello
Franco
![]() |
MICHEL TEMER (vice-presidente da República - PMDB-SP) e EDUARDO CUNHA (presidente da Câmara - PMDB-RJ) juntos e bem entrosados |
Esqueça
Aécio [Neves], [José] Serra e tucanos menos votados. A verdadeira batalha do impeachment vai opor Dilma Rousseff a dois
políticos do PMDB: Eduardo Cunha, que
deu início ao processo, e Michel Temer,
que herdará o cargo se ela for afastada.
Os
peemedebistas, que são velhos aliados, começaram a se mexer na fatídica
quarta-feira. O presidente da Câmara fez
um anúncio espalhafatoso, cercado de microfones e por uma claque chamada
para aplaudi-lo.
O vice-presidente da República operou
discretamente, ao seu estilo. Poucas
horas antes de Cunha detonar a bomba, convidou senadores da oposição para um
almoço em sua residência oficial, o Palácio do Jaburu. O prato principal, é
claro, foi a possibilidade de ele substituir Dilma.
Segundo
participantes do encontro, Temer sinalizou com duas promessas: fazer um governo
de "união nacional", o que significa dar cargos à oposição, e não
disputar a Presidência em 2018, quando poderia concorrer com a máquina a seu favor.
A
guerra entre Dilma e Cunha é aberta. A presidente já declarou que não roubou e
não tem conta no exterior. O deputado devolveu o ataque. Em entrevista ao lado
de Paulinho da Força e Jair Bolsonaro, disse que a presidente "mentiu à
nação".
O embate entre Dilma e Temer será mais
discreto, o que não significa menos tenso. Ontem eles se encontraram pela
primeira vez após o início do processo na Câmara. O mal-estar ficou evidente
nas versões desencontradas sobre o encontro.
O
ministro Jaques Wagner declarou que Temer "acha que não há lastro para
impeachment". Aliados do vice negaram que ele tenha manifestado esta
opinião. Também disseram que ele sugeriu à presidente que evite o embate
pessoal com Cunha.
Desde
que Temer começou a sonhar alto com a faixa verde-amarela, os petistas
descrevem o Jaburu como o "bunker da conspiração". Foi lá que o presidente da Câmara almoçou
na segunda-feira, dois dias antes de disparar o torpedo contra o Planalto.
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