Minha mensagem de Natal para você!
O VERBO QUE SE VÊ
Não sou eu que hei de pregar o nascimento de Cristo.
O mesmo CRISTO nascido é que há de pregar o seu nascimento.
Mas como pode ensinar, o que ainda não fala?
Como ensina esse orador mudo?
Assim disse o Anjo aos pastores:
«Achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura»
(Lc 2,12).
Os pastores o entenderam, e declararam:
«Vamos a Belém e vejamos
esta palavra, que é feita» (Lc 2,15).
Não dizem «ouvir», mas «ver».
Porque as palavras do divino orador não são palavras que se
ouvem,
mas palavras que se veem.
O dizer de Deus é fazer.
«Deus disse: Faça-se a
luz.» «E a luz foi feita.» «E Deus
viu que a luz era boa.» (Gn 1,3.4)
Donde se segue que o ser criança
e mudo o nosso divino orador de
Belém...
... não lhe é impedimento para poder ensinar.
Assim como Deus antes de ser homem falava interiormente aos
corações...
... também o menino ensina sem palavras, porque fala aos olhos.
Não ensina com vozes,
mas ensina com ações;
não ensina o que diz,
mas prega o que faz;
não diz palavras,
mas fala obras.
E o que ensina o nosso orador
infante?
Virá o tempo em que abrirá a boca para ensinar.
Há de dizer com palavras: «Bem-aventurados os pobres» (Lc 6,20).
Isto é, o que já está ensinando com o presépio, com as palhas
e
com a falta de todo o necessário.
«Bem-aventurados os mansos» (Mt 5,5) – E ei-lo com as mãos atadas.
«Bem-aventurados os que choram» (Mt 5,4) – E isto já está
ensinando com
as lágrimas e os gemidos de recém-nascido.
Que brados, que exclamações estão dando contra o mundo
os silêncios deste orador
mudo!
Mas assim como suas vozes não serão ouvidas por muitos surdos com
ouvidos,
suas ações são mal vistas e pior imitadas por muitos cegos com olhos.
«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8,20; Lc
9,58)...
... e tu edificas palácios magníficos e medes os pórticos pela
tua vaidade,
em vez de medi-los contigo.
«Que coisa mais indigna, que vendo ao Deus do Céu feito tão
pequenino,
o homem queira sem grande!
Que coisa mais intolerável, quando a majestade se encolhe,
que o verme se engrandeça!» (São Bernardo).
Mas faça isto o mundo cego.
E nós, a quem ele por sua bondade abriu os olhos, que faremos?
Os pastores foram ver e passaram;
os magos foram ver e voltaram à sua terra.
E o que fez a estrela, guia e mestra dos magos sábios?
Foi a Belém, chegou ao presépio, e ali parou (Mt 2,9).
Imitemos a estrela! Vamos a Belém e vejamos o Verbo!
(Adaptação livre do «Sermão do nascimento do Menino Deus» de
Padre Antônio
Vieira
[1608-1697] - grupoparte.blogspot.com)
Feliz Natal!
E muita saúde, coragem e
alegria em 2016!
Pe. Telmo José Amaral de
Figueiredo
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