Há pessoas que jamais se renovam!

Fazendo o diabo, de novo

Eliane Cantanhêde

Dilma e Barbosa (novo Ministro da Fazenda) têm tudo a ver.
E foi a aliança ideológica e de princípios econômicos entre eles
que deu no que deu em 2015.
DILMA ROUSSEFF
Uma presidente indecisa, jogando para duas "torcidas" diferentes e contraditórias!
A pessoa errada, no lugar errado e no momento errado, infelizmente!

A presidente Dilma Rousseff termina o ano de 2015 como começou, arrogante, errática e metida numa crise monumental, agora tentando escapar do impeachment sob um fogo cruzado: de um lado, a sociedade e o setor produtivo exigindo responsabilidade e ajuste das contas públicas; de outro, a pressão do PT para dobrar a aposta do primeiro mandato e priorizar uma política econômica populista em detrimento do bom senso e do desenvolvimento sustentável.

A mente e o coração de Dilma balançam entre uma coisa (botar a casa em ordem) e outra (ceder à tentação de agradar PT, CUT, MST e UNE). É aí que mora o perigo. Os sinais da presidente na reta final deste ano já tão dramático são no sentido de que, para tentar salvar o pescoço e a fidelidade dos movimentos alinhados ao PT, “faz-se o diabo”, como nas eleições.

Com a saída de Joaquim Levy, evaporou-se o último e pálido empenho de Dilma com os ajustes, a responsabilidade fiscal, a possibilidade de o Brasil recuperar a credibilidade externa e interna e se preparar para voltar a crescer em 2017. Com a chegada de Nelson Barbosa, aumentam as dúvidas sobre a capacidade de Dilma de fazer o que é preciso para tirar o País da crise.

Barbosa é um, digamos, “desenvolvimentista”, apegado à velha ideia – nunca admitida, mas praticada na “nova matriz econômica” – de que um pouquinho de inflação não faz mal a ninguém, desde que crie uma fugaz sensação de bem-estar em eleitores ou em entrevistados das pesquisas de opinião. Antes, era o “tudo pelo social”. Agora, é o “tudo pela popularidade periclitante de Dilma”.

Até um ato burocrático de ontem reforça emblematicamente essa opção de Dilma: a sanção de uma lei do Congresso que alterou de 50 para 10 anos o prazo desde a morte para a inclusão de brasileiros no Livro dos Heróis da Pátria. A medida tem um único intuito: transformar Leonel Brizola em “Herói da Pátria”.
LEONEL BRIZOLA [1922-2004]
Foi prefeito de Porto Alegre (RS), deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul,
deputado federal pelo Rio Grande do Sul e pelo extinto estado da Guanabara, e
duas vezes governador do Rio de Janeiro.
Por duas vezes foi candidato a presidente do Brasil pelo PDT,
partido que fundou em 1980, não conseguindo ser eleito.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União nos estertores de 2015, tem simbologia, porque relembra a todos que Dilma foi do PDT e só o trocou pelo PT em 2001, às vésperas da primeira eleição de Lula para a Presidência. E que ela mudou de partido, mas manteve sua alma brizolista.

O que significa? O brizolismo foi construído em cima de quatro pilares:
  • o combate à ditadura militar, de fato heroico;
  • o caudilhismo [governo absoluto, autoritário, centralizador];
  • o velho “nacionalismo” que achava bacana fechar as portas aos investimentos e avanços internacionais; e
  • o “estatismo”, pelo qual as canetadas do Estado seriam mais benéficas ao País do que a força e as potencialidades da parceria do setor privado com a sociedade.

Dilma é isto: 
  • foi uma guerreira contra a ditadura, 
  • tem uma alma mandona e 
  • é uma “nacionalista” às antigas e 
  • uma estatizante capaz de desestruturar o setor elétrico e de segurar artificialmente as tarifas públicas pela convicção de estar praticando o “bem”, o “justo”, “o que é melhor para o povo”.

Dilma e Levy eram como água e vinho, que nunca se misturam. Mas Dilma e Barbosa têm tudo a ver. E foi a aliança ideológica e de princípios econômicos entre eles que deu no que deu em 2015. Dilma pode querer dobrar a aposta, mas deve saber o quanto será perigoso, para o País e para ela, trocar a estabilidade e o futuro por um efêmero apoio do PT e de seus aliados. Eles nunca serão PDT, como Dilma nunca será PT.
[ . . . ]

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Quarta-feira, 30 de dezembro de 2015 –Pg. A7 – Internet: clique aqui.

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