DUAS HOMILIAS DE FRANCISCO E DOIS APELOS, ESCUTEMOS!
“A rigidez clerical fecha os corações e faz muito
mal”, disse o Papa Francisco
Religión
Digital
14-12-2105
«Temos necessidade de homens e mulheres de esperança
mesmo em meio aos problemas».
Esse
foi o ensinamento do Papa Francisco na missa
desta segunda-feira, 14 de dezembro, na Capela da Casa Santa Marta.
PAPA FRANCISCO: celebrando a Santa Eucaristia na Capela Santa Marta - Vaticano |
Fazendo
referência à primeira
leitura do dia [Nm 24,2-7.15-17a], o Pontífice assinalou que Balaão
“tinha os seus defeitos, inclusive pecados. Porque todos temos pecados. Todos
somos pecadores”. Mas não se assustem – pediu –, Deus é maior que os nossos
pecados. Indicou também que “em seu
caminho, Balaão encontra o anjo do Senhor e muda o coração”. Não muda de
partido, mas “muda do erro à verdade e
diz o que vê”. O Povo de Deus mora em tendas no deserto e ele “além do
deserto vê a fecundidade, a beleza, a vitória”. Abriu o coração, “converte-se” e “vê longe, vê a verdade”, porque “com
boa vontade sempre se vê a verdade”. É uma verdade – disse o Papa – que dá
esperança.
Deste
modo, Francisco explicou que “a
esperança é essa virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e
que nos faz ver longe, além dos problemas, das dores, das dificuldades, além
dos nossos pecados”. Faz-nos ver a beleza de Deus, indicou.
E assim,
contou que quando ele se encontra com uma pessoa que tem esta virtude da
esperança e é um momento difícil de sua vida – seja uma doença, seja uma
preocupação por um filho ou uma filha ou algum membro da família ou qualquer
coisa –, mas tem esta virtude, no meio da dor tem o olhar penetrante, tem a
liberdade de ver além, sempre além. “E
esta é a profecia que a Igreja tem para hoje: temos necessidade de homens e
mulheres de esperança mesmo em meio aos problemas. A esperança abre
horizontes, a esperança é livre, não é escrava, sempre encontra lugar para dar
um jeito”.
Por
outro lado, o Pontífice destacou que no Evangelho [Mt 21,23-27], existem os chefes dos sacerdotes que perguntam a Jesus com que
autoridade ele age. “Eles não têm horizontes, são homens fechados nos seus
cálculos, escravos da própria rigidez”. E os
cálculos humanos “fecham o coração, encerram a liberdade”, ao passo que “a
esperança nos deixa mais leves”.
A
propósito, o Santo Padre falou da beleza da liberdade, da esperança de um homem
e de uma mulher de Igreja. Ao mesmo tempo, destacou como é “feia a rigidez de um homem e de uma mulher de Igreja, a rigidez
clerical, que não tem esperança”.
O
Papa explicou que neste Ano da
Misericórdia, existem esses dois caminhos:
- quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai; que Deus perdoa sempre, e tudo; que além do deserto há o abraço do Pai, o perdão.
- E, também, existem aqueles que se refugiam na própria escravidão, na própria rigidez e não sabem nada da misericórdia de Deus. “Estes eram os doutores, tinham estudado, mas sua ciência não os salvou”, disse o Santo Padre.
Para
finalizar sua homilia, contou um fato que ocorreu em 1992 em Buenos Aires,
durante uma missa pelos doentes. Estava confessando há muitas horas e estava a
ponto de se levantar quando chegou uma mulher muito idosa, com cerca de 80
anos, “com os olhos repletos de esperança”.
E o
Papa disse: “‘Avó, a senhora quer se confessar?’ Porque eu estava indo embora.
‘Sim’. ‘Mas a senhora não tem pecados’. E ela me disse: ‘Padre, todos nós temos
pecados’. ‘Mas, talvez o Senhor não os perdoa?’ ‘Deus perdoa tudo!’, me disse. Deus perdoa tudo. ‘E como a senhora sabe
disso?’, perguntei. ‘Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria’.
Diante dessas duas pessoas – o livre, a esperança, aquele que oferece a
misericórdia de Deus, e o fechado, legalista, o egoísta, o escravo da própria
rigidez – recordemos dessa lição que esta idosa de 80 anos – ela era portuguesa
– me deu: Deus perdoa tudo, só espera
que você se aproxime Dele”.
Traduzido do espanhol por André Langer. Acesse a versão original
deste artigo, clicando aqui.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos –
Notícias – Terça-feira,
15 de dezembro de 2015 – Internet: clique aqui.
A Igreja deve ser apegada às riquezas
de Deus, não ao dinheiro
Federico Cenci
Papa pediu a uma Igreja pobre, humilde e confiante em
Deus
PAPA FRANCISCO: como faz todas as manhãs quando se encontra no Vaticano, preside e prega durante a Santa Eucaristia na Capela Santa Marta |
Uma
Igreja pobre. Este é o tema que volta a fluir das palavras do Papa Francisco,
durante a homilia na missa matutina celebrada na capela da Casa Santa Marta
[nesta terça-feira, 15 de dezembro]. A oportunidade que permite ao Santo Padre
retomar um tema caro a ele é o Evangelho do dia [Mt
21,28-32], onde Jesus repreende
veementemente os chefes dos sacerdotes e os adverte que até mesmo os cobradores
de impostos e as prostitutas os precederão no Reino dos Céus.
A
mesma advertência encontramos na primeira leitura, do Livro de Sofonias [3,1-2.9-13], onde o Senhor adverte: "Ai de ti, rebelde e desonrada, cidade
desumana". Advertência que ressoa ainda hoje aos ouvidos de todos nós.
Ser
um dos "rebeldes" é uma tentação comum. Por isso, o Bispo de Roma
indicou "três características"
de uma igreja fiel ao Senhor:
- pobre sim,
- mas também humilde e
- confiante em Deus.
“Se não é capaz de dizer a
si mesmo que é um pecador e que os outros são melhores que você, não é humilde” - afirmou ele -. O primeiro
passo na Igreja humilde é sentir-se pecadora, o primeiro passo de todos nós é o
mesmo. Se algum de nós tem o hábito de
olhar os defeitos dos outros e fofocar a respeito, se crê juiz dos outros.
A "graça” que devemos pedir é que "a Igreja seja humilde, que eu seja
humilde, cada um de nós".
A
humildade nos leva ao segundo passo, que é a pobreza. "A primeira das
bem-aventuranças", recordou o Papa, acrescentando que pobre no espírito significa "ser apegado somente às riquezas de
Deus". Exatamente o oposto – explicou ele – é "uma Igreja que
vive apegada ao dinheiro, que pensa somente no dinheiro, que pensa somente em
como ganhar dinheiro". A este respeito Francisco comentou que "num templo da diocese, para passar na
Porta Santa, diziam ingenuamente às pessoas que era preciso fazer uma
oferta". Ele explicou que "esta
não é a Igreja de Jesus, esta é a Igreja dos chefes dos sacerdotes, apegada ao
dinheiro."
Lorenzo,
diácono da diocese citada pelo Papa, quando o imperador – ele era o ecônomo da
diocese – lhe disse para levar as riquezas da diocese, e assim, pagar alguma
coisa e não ser assassinado, e ele volta com os pobres. O gesto de Lorenzo
testifica que "os pobres são a
riqueza da Igreja". O Papa destacou que "se você tem um banco, é
o dono de um banco, mas o seu coração é pobre, não apegado ao dinheiro, está a
serviço, sempre. A pobreza é este
desapego para servir os necessitados, para servir os outros".
Portanto,
devemos confiar sempre no Senhor. Esta foi a terceira questão levantada durante
a homilia. "Onde está a minha
confiança? No poder, nos amigos, no dinheiro?", perguntou o Papa, que
respondeu: “No Senhor”. Por isso,
Francisco lembrou o legado deixado por Ele: “Deixarei no meio de ti um povo
humilde e pobre, e eles confiarão no nome do Senhor". “Humilde porque se
sente um pecador"; pobres porque “seu coração é apegado às riquezas de Deus
e se as tem, é para serem administradas; confiante no Senhor "porque sabe
que somente o Senhor pode garantir algo coisa que lhe faça bem".
“Os
chefes dos sacerdotes não entendiam essas coisas – disse Francisco –; Jesus
teve de dizer a eles que uma prostituta entrará antes deles no Reino dos Céus”.
O Papa concluiu a homilia, convidando a pedir ao Senhor que nesta espera do
Senhor, do Natal, “nos dê um coração humilde, um coração pobre e, sobretudo, um
coração confiante no Senhor porque o Senhor jamais desilude”.
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