SAIBA COMO EDUARDO CUNHA ESTÁ SE LIVRANDO DA CASSAÇÃO!
Quem são os líderes da “tropa de choque”
que blinda Cunha na Câmara
Mariana
Schreiber
Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), conseguiram nesta quarta-feira [9 de dezembro] o sexto adiamento da
votação que decidiria sobre a possível abertura de um processo que, no limite,
pode levar à cassação de seu mandato.
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EDUARDO CUNHA (Dep. Fed. PMDB-RJ): Não está nem aí!!! Tem conseguido impedir os trabalho do Conselho de Ética da Câmara que pode indicar sua cassação. |
Desta
vez, eles não apenas adiaram a decisão como podem ter conseguido fazer todo o
trâmite regredir à estaca zero com a escolha
de um novo relator para o caso.
Cunha
é alvo de uma representação, encabeçada por PSOL e Rede, que pede sua cassação por corrupção e por ter
mentido à CPI da Petrobras sobre a posse de contas no exterior. O deputado
nega as acusações e diz que os recursos que ele e seus familiares têm na Suíça
tem origem lícita.
Apesar
das acusações, o peemedebista conserva o
apoio de uma verdadeira "tropa de choque" que lança mão de toda a
sorte de manobras regimentais (recursos previstos no regimento da Câmara)
para impedir que seu líder seja processado. E o fato de seus seguidores ocuparem postos-chave na Casa, como cargos
na Mesa Diretora, potencializa ainda mais o sucesso dessas tarefas.
Nesta
quarta, o vice-presidente da Câmara, Waldir
Maranhão (PP-MA), acatou recurso de Manoel
Junior (PMDB-PB), também aliado de Cunha, para destituir Fausto Pinato (PRB-SP), do cargo de
relator do processo contra ele no Conselho
de Ética.
O
argumento foi de que o PRB, partido
de Pinato, fazia parte do mesmo
bloco do PMDB e, por isso, ele não podia relatar o caso - a proibição, prevista
no regimento, teria por princípio evitar que aliados do acusado assumissem a
função de relator desse tipo de caso.
O
presidente do conselho, José Carlos
Araújo (PSD-BA), havia denominado Pinato para a relatoria porque o bloco de
13 siglas do qual PMDB e PRB rachou em outubro.
No
entanto, diante do parecer contra Cunha, Manoel Júnior lançou mão do argumento
para pedir o afastamento de Pinato.
"Eu,
propriamente, e nenhum dos membros da bancada do PMDB fizemos nenhuma manobra
antirregimental. As questões de ordem que colocamos foram todas pautadas dentro
do regimento (da Câmara) e do regulamento do conselho", argumentou Junior.
Parlamentares
anunciaram que recorrerão ao plenário e ao STF para tentar derrubar a decisão
de Maranhão. "Acho que isso é
golpe!", disse Araújo. Enquanto isso, Marcos Rogério (PDT-RO) foi escolhido o novo relator do caso.
Veja,
a seguir, quem são os líderes da
"tropa de choque" que tenta impedir o processo contra Cunha na Câmara
e o ajuda em outros casos.
Paulinho
da Força (SD-SP)
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tem se mostrado um aguerrido defensor de Cunha.
Ele não esconde que o principal motivo da aproximação é o interesse no impeachment de Dilma Rousseff.
"O nosso negócio é
derrubar a Dilma. Nada nos tira desse rumo", disse ao jornal Folha de S. Paulo em outubro. Na
ocasião, o presidente da Força Sindical também frisou que está com o peemedebista "para o que der e vier".
Paulinho
é líder de seu partido, o Solidariedade,
e assumiu a cadeira que cabia ao partido no Conselho de Ética após a
representação contra Cunha
Após
o PSOL liderar o pedido de abertura de processo contra Cunha, Paulinho
apresentou uma representação contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) no
conselho, movimento que foi visto como tentativa de retaliação.
Em setembro, o Supremo
Tribunal Federal (STF) tornou Paulinho réu de
uma ação na qual é acusado de se beneficiar de um esquema que desviou recursos
do BNDES. Na Operação Lava Jato, o empreiteiro Ricardo Pessoa disse que fez
doações ao deputado para obter influência em movimentos sindicais e evitar
greves. Ele nega as acusações.
Manoel
Junior (PMDB-PB)
Outro
aliado de Cunha com cadeira no Conselho de Ética, Manoel Junior tem estado à frente das articulações para retardar a
decisão para abertura do processo.
Formado em Medicina, ele
chegou a ser contato para assumir o Ministério da Saúde em outubro, numa tentativa do Planalto
de conquistar mais apoios entre os aliados de Cunha. No entanto, as diversas
críticas públicas que o paraibano já havia feito ao governo criaram um
obstáculo para sua nomeação.
A
vaga acabou ficando com Marcelo Castro
(PMDB-PI), que era próximo a Cunha, mas depois se afastou dele devido a embates
na tramitação de proposta da Reforma Política.
Arthur
Lira (PP-AL)
Arthur Lira é presidente da
comissão mais importante da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele conseguiu o cargo,
com aval de Cunha, após tê-lo apoiado na eleição para o comando da Câmara.
Caso o Conselho de Ética
abra um processo contra o peemedebista e recomende a cassação do seu mandato,
ele ainda poderá recorrer à CCJ antes de o plenário votar a questão.
Em
setembro, a Procuradoria-Geral da
República apresentou ao STF
denúncias contra Arthur Lira e seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL).
Ambos, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo da Petrobras,
negam os crimes.
Waldir
Maranhão (PP-MA)
Apesar
de ser presidente da Câmara, Cunha não pode decidir diretamente sobre questões
ligadas a ele no Conselho de Ética. No entanto, essas decisões acabam recaindo
sobre outros integrantes da Mesa
Diretora da Casa que são seus aliados, caso de Waldir Maranhão.
Como vice-presidente da
Câmara, Maranhão acatou recurso apresentado por Manoel Júnior para destituir o
relator Fausto Pinato. Antes disso, já havia tomado decisões que resultaram no adiamento de
sessões do Conselho de Ética, que avalia a representação contra Cunha.
Felipe
Bornier (PSD-RJ)
Felipe Bornier é outro aliado de Cunha na
Mesa Diretora - ocupa a 2ª Secretaria.
Ele
cancelou a primeira sessão que analisaria a abertura do processo contra Cunha,
em 19 de novembro.
Sua
decisão, porém, gerou revolta e levou mais de 50 deputados a deixarem o
plenário aos gritos de "Fora Cunha" - com isso, o presidente da
Câmara teve de reverter a decisão.
André
Moura (PSC-PE)
André
Moura foi um dos poucos a se postar ao lado de Cunha durante a entrevista
coletiva que ele convocou, em julho, para rebater as acusações de que teria
recebido US$ 5 milhões em propina desviados da Petrobras.
Parceiro do peemedebista na
defesa de pautas consideradas conservadoras, foi presidente da comissão que
discutiu o projeto de maioridade penal - proposta que acabou aprovada na
Câmara, mas até hoje não foi apreciada no Senado.
Em
agosto, após Paulo Teixeira (PT-SP) criticar o presidente da Câmara em discurso
no plenário, Moura pediu
"respeito" a Cunha. Irritado, Teixeira chamou o deputado do PSC
de "puxa-saco" e "lambe botas" do peemedebista.
Logo
após a deflagração do impeachment,
quando Dilma alfinetou Cunha ao dizer que nunca fez "barganha"
política, o peemedebista acusou a presidente de mentir e disse que ela negociou
com Moura um acordo no qual a aprovação da CPMF seria moeda de troca no apoio
do PT para evitar o processo no Conselho de Ética.
Inicialmente,
Moura disse que "assinava em baixo" do que Cunha dizia, mas depois
confirmou a versão do ministro Jacques Wagner (Casa Civil), que negou encontro
dele com Dilma.
Fonte: BBC Brasil – 10 de dezembro de 2015 –
Internet: clique aqui.
Cunha interfere no Conselho de Ética e
paralisa toda a Câmara (e o Brasil)
Afonso Benites
Depois de conseguir trocar o relator do caso contra
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, aliados do presidente
da Casa agora querem substituir o presidente do colegiado, JOSÉ CARLOS ARAÚJO
(PSD-BA) e protelar ainda mais o julgamento do peemedebista por quebra de
decoro parlamentar.
JOSÉ CARLOS ARAÚJO (DEPUTADO FEDERAL PELO PSD DA BAHIA): Atual presidente da Comissão de Ética está sendo ameaçado de destituição pela tropa de choque do Deputado Eduardo Cunha. |
A
ofensiva para destituir Araújo começou na sessão de quarta-feira [09/12] e se
estendeu na desta quinta-feira. A
justificativa é que ele estaria interferindo no processo para que o colegiado
aceite logo a abertura do processo contra Cunha.
Um
pedido de suspeição foi levantado pelo deputado
Carlos Marun (PMDB-MS) para o próprio Araújo analisar. Se ele o rejeitar o
deputado deverá recorrer à Mesa Diretora, órgão sob comando do presidente da
Casa, que tem acatado os pleitos de seus aliados, sem titubear.
Enquanto a situação de Cunha
não se resolve, o Parlamento brasileiro fica completamente paralisado (e, consequentemente,
também o Brasil). Nesta semana, além da
escolha da comissão especial que analisará o impeachment de Dilma Rousseff (PT), nada mais se votou na Câmara.
A estagnação e a falta de compromisso com o regimento interno do Legislativo
são tamanhos que nem esta única proposta analisada nos últimos quatro dias
chegou a ter validade: o Supremo Tribunal Federal suspendeu seus efeitos para
decretar um novo rito ao processo.
Os opositores do presidente
iniciaram obstrução de qualquer votação no plenário da Câmara e ele, por sua
vez, não levou nenhuma matéria para ser votada. “Enquanto a situação do presidente não se resolver, nada vai andar na
Casa”, reforçou o deputado Alessandro
Molon (REDE-RJ) durante a tumultuada reunião do Conselho de Ética.
Neste cenário, as medidas
que o cambaleante Governo de Dilma Rousseff propôs para reaquecer a economia
continuam paralisadas. O projeto que recria a CPMF (o imposto sobre movimentações bancárias)
não avançou. As propostas que rediscutem o aumento dos tributos sobre
combustíveis, sobre cosméticos e os cortes das desonerações também não foram
analisados pelos congressistas. Por mais
que as comissões das casas produzam, nada acaba sendo analisado pelo plenário.
E o
Conselho
de Ética é apenas o reflexo dessa estagnação. No sétimo encontro do colegiado para discutir apenas a admissibilidade
do processo contra Cunha, nada avançou. E o mérito da questão, a quebra de decoro
parlamentar por mentir na CPI da Petrobras, por envolvimento na Operação Lava
Jato e por esconder dinheiro fora do país, ainda nem chegou a ser analisada. Na
reunião, houve muito bate-boca, troca de tapas e uma série de desabafos do
antigo relator do processo, Fausto
Pinato (PRB-SP), e do atual presidente, que demonstrou temer ser
substituído do cargo. “Parece que quem
não fizer o que um todo poderoso quiser não pode ocupar essa presidência”,
reclamou Araújo.
Antes
disso, os deputados Wellington Roberto
(PR-PB) e Zé Geraldo (PT-PA) se estapearam enquanto discutiam.
Geraldo disse que a “turma de Cunha” estava bagunçando o andamento dos
trabalhos. Irritado, por entender que “quem faz parte de turma é bandido”,
Roberto deu um tapa na mão do petista que revidou. A Polícia Legislativa e outros parlamentares tiveram de intervir para
separar os dois. Nos corredores da Casa os funcionários comentavam entre
si: “Vocês viram o MMA no Conselho de Ética?”, perguntou uma funcionária
parlamentar. “Para mim parecia uma briga de dois moleques na escola”, respondeu
um colega dela em frente a uma das lanchonetes da Câmara.
Depois
de quase dez minutos de paralisação, a sessão do conselho recomeçou para não
chegar a lugar nenhum. O novo relator do
caso, Marcos Rogério (PDT-RO) apenas
anunciou que apresentará seu parecer pedindo a admissibilidade do caso na
sessão da próxima terça-feira. A expectativa é que a tropa de choque de
Cunha volte a agir, primeiro reforçando o pedido de destituição do presidente
da Comissão, depois solicitando a vista do processo e, nas próximas sessões,
tentando alterar os prazos para a votação do caso.
MARCOS ROGÉRIO (DEPUTADO FEDERAL PELO PDT-RONDÔNIA): novo relator do processo contra Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados |
Além
da atuação dos cães de guarda de Cunha, que durante as sessões são
frequentemente abastecidos por seus assessores com possíveis medidas protelatórias
ao julgamento do caso, os advogados dele estudam novas medidas judiciais para
apresentarem antes do início da próxima sessão. Nesta semana, chegaram a
ingressar no STF para tentar substituir o relator Pinato. Não conseguiram no
Judiciário, mas foram bem-sucedidos com o aval da Mesa Diretora.
As
tentativas de barrar as manobras de Cunha finalmente surtiram efeito em alguma
entidade fora do Legislativo. Nesta
quinta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma nota cobrando celeridade dos processos no Conselho de
Ética e ameaçou ir ao Supremo para interferir no processo. “A OAB está
pronta para ir ao STF com uma ação para garantir o funcionamento adequado do
Conselho de Ética, caso isso seja necessário. O Colégio de Presidentes das
seccionais da Ordem dos Advogados já se manifestou no sentido de que há motivos para o mandato de Eduardo Cunha
ser cassado, respeitado o devido processo legal e a ampla defesa. Prezamos
pelo bom funcionamento das instituições”, diz uma nota assinada pelo presidente
do órgão, Marcus Vinícius Furtado Coelho.
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