"Amo a minha velha Bíblia, aquela que me acompanhou metade da minha vida", disse o Papa Francisco
Redação
Papa Francisco escreve prefácio de uma bíblia dirigida
aos jovens
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PAPA FRANCISCO fala aos jovens sobre sua experiência com a Bíblia |
A
revista dos jesuítas, "La Civiltà
Cattolica" publicou o Prefácio de uma Bíblia voltada ao público jovem,
escrito pelo Papa Francisco.
Francisco relata no texto
que os jovens se surpreenderiam com a aparência de sua Bíblia, "velha e
usada", mas que por nada faria menos dela, pois é para ele “um inestimável
tesouro”, que o acompanhou “metade” de sua vida.
O
Prefácio foi escrito para uma Bíblia dirigida aos jovens, que também
colaboraram com os comentários da mesma. (Bibel: Jugendbibel der Katholischen Kirche
– Bíblia: Bíblia da Juventude da Igreja Católica). A ideia da obra é de Thomas Söding, professor do Novo
Testamento na Universidade de Bochu, e por longos anos membro da Comissão
Teológica Internacional da Santa Sé. Pai
de três filhos, sentia a necessidade de oferecer aos jovens uma possibilidade
de acesso à Bíblia que fosse atraente. Assim, entrou em contato com Georg Fisher (Universidade de
Innsbruck) e Dominik Markl
(Pontifício Instituto Bíblico, em Roma), jesuítas austríacos e Professores de
Antigo Testamento, convidando-os a colaborar com o projeto. Após a ampla divulgação
do catecismo para jovens Youcat, os
autores convidaram a Youcat Foundation
(Augsburg), junto com a Katholische
Bibelanstalt (Stuttgart) para colaborar com o projeto.
Rádio
Vaticano publicou ontem o texto na íntegra, que segue abaixo para os nossos leitores:
* * ** * ** * **
* *
“Meus queridos jovens amigos,
Se vocês vissem a minha Bíblia, talvez
vocês não ficariam por nada tocados. Diriam: “O quê? Esta é a Bíblia do Papa?
Um livro assim velho, assim usado!”. Poderiam também me presentear uma nova,
quem sabe uma de 1.000 euros: não, não gostaria. Amo a minha velha Bíblia, aquela que me acompanhou metade da minha
vida. Viu a minha alegria, foi banhada pelas minhas lágrimas: é o meu
inestimável tesouro. Vivo dela e por nada no mundo eu faria menos dela.
A Bíblia para os jovens, que vocês apenas
abriram, me agrada muito: é tão vivaz, tão rica de testemunhos de santos, de
jovens, que dá vontade de lê-la de uma só vez, desde o início até a última
página. E depois? Depois a escondem, desaparece numa prateleira de uma biblioteca,
quem sabe atrás, na terceira fila, acabando por encher-se de poeira. Até o dia
em que os vossos filhos a venderão num mercadinho de usados. Não, isto não pode
ser!
Quero dizer uma coisa a vocês: hoje, mais
do que no início da Igreja, os cristãos são perseguidos; por qual razão? São
perseguidos porque usam uma cruz e dão testemunho de Cristo; são condenados
porque possuem uma Bíblia. Evidentemente a
Bíblia é um livro extremamente perigoso, que causa tanto risco, que em certos
países quem possui uma Bíblia é tratado como se escondesse no armário bombas de
mão!
Mahatma Gandhi, que não era cristão, uma
vez disse: “A vocês cristãos é confiado
um texto que tem em si uma quantidade de dinamite suficiente para fazer
explodir em mil pedaços a civilização inteira, para colocar de cabeça para
baixo o mundo e levar a paz a um planeta devastado pela guerra. Mas a tratam,
porém, como se fosse simplesmente uma obra literária, nada além disto”.
O que vocês têm, então, em mãos? Uma
obra-prima literária? Uma seleção de antigas e belas histórias? Neste caso,
seria necessário dizer aos muitos cristãos que se deixam aprisionar e torturar
pela Bíblia: “Vocês são realmente tolos e pouco sábios: é somente uma obra
literária!”. Não, com a Palavra de Deus
a luz veio ao mundo e nunca mais se apagou. Na minha Exortação Apostólica Evangelii gaudium escrevi: “Nós não
procuramos Deus tateando no escuro, nem precisamos esperar que Ele nos dirija a
palavra, porque realmente «Deus falou, já não é o grande desconhecido, mas
mostrou-Se a Si mesmo». Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!” (n. 175).
Vocês têm entre as mãos, portanto, algo de
divino: um livro como fogo, um livro no
qual Deus fala. Por isto, recordem-se: a
Bíblia não é feita para ser colocada em uma prateleira, mas é feita para ser
levada na mão, para ser lida frequentemente, a cada dia, quer sozinho como
acompanhados. De resto, acompanhados vocês praticam esporte, vão ao
shopping; por que então não ler juntos, em dois, em três ou em quatro a Bíblia?
Quem sabe ao ar livre, mergulhados na natureza, no bosque, na beira do mar, de
noite à luz de velas... vocês fariam uma experiência forte e envolvente. Ou
quem sabe vocês têm medo de parecerem ridículos diante dos outros?
Leiam
com atenção. Não permaneçam na superfície, como se
faz com histórias em quadrinho! A
Palavra de Deus não pode ser lida com um passar de olhos! Antes,
perguntem-se: “O que diz este texto ao meu coração? Por meio desta palavra,
Deus está me falando? Talvez esteja suscitando anseios, a minha sede profunda?
O que devo fazer?”. Somente assim a Palavra de Deus poderá mostrar toda a sua
força; somente assim a nossa vida poderá transformar-se, tornando-se plena e
bela.
Quero confidenciar a vocês como leio a
minha velha Bíblia. Frequentemente a
pego, a leio um pouco, depois a deixo de lado e me deixo olhar pelo Senhor. Não
sou eu que olho para Ele, mas Ele que olha para mim: Deus está realmente ali,
presente. Assim me deixo observar por Ele e escuto – e não é um certo
sentimentalismo – percebo no mais profundo de meu ser aquilo que o Senhor me
diz.
Às vezes não fala: e então não ouço nada,
somente vazio, vazio, vazio.... Mas, paciente, permaneço lá e o espero assim,
lendo e rezando. Rezo sentado, porque me faz mal ficar de joelhos. Às vezes,
rezando, até mesmo adormeço, mas não tem problema: sou como um filho próximo ao
seu pai, e isto é aquilo que conta.
Vocês
querem me fazer feliz? Leiam a Bíblia”.
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