Papa indica "antibióticos" para combater doenças da Cúria e da Igreja!
Jéssica Marçal
Papa disse que algumas “doenças” atingiram a Cúria
Romana em 2015;
são necessárias virtudes, que ele chama de
“antibióticos”,
para combater esses problemas
A
palavra misericórdia esteve no
centro do discurso do Papa Francisco à
Cúria Romana nesta segunda-feira, 21 de dezembro, no encontro para as
felicitações de Natal. Na reflexão, o Santo Padre indicou alguns “antibióticos”
para combater doenças que afetam a Cúria.
No
discurso do ano passado, Francisco fez um “catálogo das doenças curiais”
[clique aqui para ler o discurso histórico do ano passado]. Ele disse que algumas dessas
doenças se manifestaram ao longo de 2015, “causando não pouco sofrimento a todo
o corpo e ferindo muitas almas”. Então, no
discurso desse ano, ele propôs um “catálogo de virtudes necessárias” para quem
presta serviço na Cúria, o que ele mesmo chamou de “antibióticos curiais”.
Francisco
pontuou, porém, que nem essas doenças nem os escândalos podem esconder a
eficiência dos serviços prestados pela Cúria Romana ao Papa e à Igreja. Segundo
ele, seria grande injustiça deixar de agradecer e de encorajar tantas pessoas
honestas que trabalham com dedicação, lealdade e profissionalismo. “Além disso,
as próprias resistências, fadigas e quedas das pessoas e dos ministros
constituem lições e oportunidades de crescimento, e nunca de desânimo”.
![]() |
PAPA FRANCISCO Indica doze "antibióticos" (virtudes) contra as doenças da Cúria Romana e da própria Igreja |
As
virtudes necessárias
Os “antibióticos” indicados
pelo Papa para combater as doenças da Cúria são 12, e todos eles têm como carro-chefe a misericórdia:
- missionariedade e pastoreação;
- idoneidade e sagácia;
- espiritualidade e humanidade;
- exemplaridade e fidelidade;
- racionalidade e amabilidade;
- inocuidade e determinação;
- caridade e verdade;
- honestidade e maturidade;
- respeito e humildade;
- ser dadivoso e atento;
- impavidez e prontidão e
- fiabilidade e sobriedade.
Leia
a íntegra do discurso de papa Francisco:
DISCURSO
Encontro do Papa Francisco com a Cúria Romana para as
felicitações de Natal
Sala Clementina – Vaticano
Segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Queridos
irmãos e irmãs!
Com alegria, vos dirijo os meus votos mais
cordiais de um santo Natal e feliz Ano Novo, que estendo a todos os
colaboradores, aos Representantes Pontifícios e de modo particular àqueles que,
tendo chegado à idade da reforma durante este ano, terminaram o seu serviço.
Recordamos também as pessoas que foram chamadas à presença de Deus. Para vós
todos e vossos familiares, a minha estima e gratidão.
No meu primeiro encontro convosco, em 2013, quis salientar dois aspectos
importantes e inseparáveis do trabalho curial: o profissionalismo e o serviço,
apontando a figura de São José como modelo a imitar. Ao passo que no ano passado, a fim de nos prepararmos
para o sacramento da Reconciliação, abordamos algumas tentações e «doenças» – o «catálogo das doenças curiais» – que
poderiam afetar cada cristão, cúria, comunidade, congregação, paróquia e
movimento eclesial; doenças, que
requerem prevenção, vigilância, cuidado e, em alguns casos infelizmente,
intervenções dolorosas e prolongadas.
Algumas dessas doenças manifestaram-se no
decurso deste ano, causando não pouco sofrimento a todo o corpo e ferindo
muitas almas.
Forçoso é dizer que isto foi – e sê-lo-á
sempre – objeto de sincera reflexão e de medidas decisivas. A reforma
prosseguirá com determinação, lucidez e ardor, porque Ecclesia semper reformanda [a
Igreja está sempre sendo reformada].
Entretanto nem as doenças nem mesmo os
escândalos poderão esconder a eficiência dos serviços que a Cúria Romana presta
ao Papa e à Igreja inteira, com desvelo, responsabilidade, empenho e dedicação,
sendo isso motivo de verdadeira consolação. Santo Inácio ensinava que «é
próprio do espírito mau vexar, contristar, colocar dificuldades e turbar com
falsas razões, para impedir de avançar; ao contrário, é próprio do espírito bom
dar coragem e energias, consolações e lágrimas, inspiração e serenidade,
diminuindo e removendo qualquer dificuldade, para avançar no caminho do bem». [1]
Seria grande injustiça não expressar
sentida gratidão e o devido encorajamento a todas as pessoas sãs e honestas que
trabalham com dedicação, lealdade, fidelidade e profissionalismo, oferecendo à
Igreja e ao Sucessor de Pedro o conforto da sua solidariedade e obediência bem
como das suas generosas orações.
Além disso, as próprias resistências,
fadigas e quedas das pessoas e dos ministros constituem lições e oportunidades
de crescimento, e nunca de desânimo. São oportunidade para «voltar ao
essencial», que significa avaliar a consciência que temos de nós mesmos, de
Deus, do próximo, do sensus Ecclesiae
[sentir da Igreja] e do sensus fidei [sentir da fé].
É
deste «voltar ao essencial» que vos quero falar hoje,
nos inícios da peregrinação do Ano Santo da Misericórdia, aberto pela Igreja há
poucos dias e que constitui para ela e para todos nós um forte apelo à
gratidão, à conversão, à renovação, à penitência e à reconciliação.
Na realidade, segundo diz Santo Agostinho de Hipona, o Natal é a
festa da Misericórdia infinita de Deus: «Podia haver, para infelizes como nós,
maior misericórdia do que aquela que induziu o Criador do céu a descer do céu e
o Criador da terra a revestir-se dum corpo mortal? Aquela mesma misericórdia
induziu de tal modo o Senhor do mundo a revestir-Se da natureza de servo, que
embora sendo pão tivesse fome, embora sendo a saciedade tivesse sede, embora
sendo a força Se tornasse fraco, embora sendo a salvação fosse ferido, embora
sendo vida pudesse morrer. E tudo isto para saciar a nossa fome, aliviar a
nossa secura, reforçar a nossa fraqueza, apagar a nossa iniquidade, acender a
nossa caridade». [2]
Por isso, no contexto deste Ano da
Misericórdia e da preparação para o santo Natal, já à porta, quero
apresentar-vos um instrumento prático para se poder viver frutuosamente este
tempo de graça. Trata-se de um não-exaustivo «catálogo das virtudes necessárias», para quem presta serviço na
Cúria e para todos aqueles que querem tornar fecunda a sua consagração ou o seu
serviço à Igreja.
Convido os Responsáveis dos Dicastérios e
os Superiores a aprofundá-lo, enriquecê-lo e completá-lo. É um elenco em acróstico que toma por base de análise precisamente a
palavra «misericórdia», fazendo dela o nosso guia e o nosso farol:
1.
Missionariedade
e pastoreação. A missionariedade é aquilo que torna, e mostra, a Cúria
fértil e fecunda; é a prova da eficácia, eficiência e autenticidade do nosso
trabalho. A fé é um dom, mas a medida da nossa fé prova-se também pelo modo
como somos capazes de a comunicar. [3] Cada batizado
é missionário da Boa Nova primariamente com a sua vida, o seu trabalho e o seu
testemunho jubiloso e convincente. Uma pastoreação sã é virtude indispensável
especialmente para cada sacerdote. É o compromisso diário de seguir o Bom
Pastor que cuida das suas ovelhas e dá a sua vida para salvar a vida dos
outros. É a medida da nossa atividade curial e sacerdotal. Sem estas duas asas
nunca poderemos voar, nem alcançar a bem-aventurança do «servo fiel» (cf. Mt
25,14-30).
2.
Idoneidade
e sagácia. A idoneidade requer o esforço pessoal por adquirir os requisitos
necessários para se exercer da melhor maneira as próprias tarefas e atividades,
com inteligência e intuição. É contra recomendações e subornos. A sagácia é a
prontidão de mente para compreender e enfrentar as situações com sabedoria e
criatividade. Idoneidade e sagácia constituem também a resposta humana à graça
divina, quando cada um de nós segue esta famosa sentença: «Fazer tudo como se
Deus não existisse e, depois, deixar tudo a Deus como se eu não existisse». É o
comportamento do discípulo que, diariamente, se dirige ao Senhor com estas
palavras duma belíssima Oração Universal atribuída ao Papa Clemente XI: «Guiai-me com a vossa sabedoria, governai-me com
a vossa justiça, encorajai-me com a vossa bondade, protegei-me com o vosso
poder. Ofereço-Vos, ó Senhor, os pensamentos, para que estejam fixos em Vós; as
palavras, para que sejam vossas; as ações, para que sejam segundo o vosso
querer; as tribulações, para que as sofra por Vós». [4]
3.
ESpiritualidade e humanidade.
A espiritualidade é a coluna sustentáculo de qualquer serviço na Igreja e na
vida cristã. É aquilo que nutre toda a nossa atividade, sustenta-a e protege-a
da fragilidade humana e das tentações diárias. A humanidade é o que encarna a
veridicidade da nossa fé. Quem renuncia
à sua humanidade, renuncia a tudo. É a humanidade que nos torna diferentes
das máquinas e dos robôs que não sentem nem se comovem. Quando temos
dificuldade em chorar a sério ou rir com paixão, então começou o nosso declínio
e o nosso processo de transformação de «homens» noutra coisa qualquer. A humanidade é saber mostrar ternura,
familiaridade e gentileza com todos (cf. Flp 4,5). A espiritualidade e a
humanidade, embora qualidades inatas, não deixam de ser potencialidades que
carecem de realização integral, progressivo desenvolvimento e prática diária.
4.
Exemplaridade e fidelidade.
O Beato Paulo VI recordou à Cúria «a sua vocação à exemplaridade». [5] Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem
as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. Fidelidade à nossa
consagração, à nossa vocação, lembrando-nos sempre das palavras de Cristo: «quem é fiel no pouco, também é fiel no
muito; e quem é infiel no pouco, também é infiel no muito» (Lc 16,10) e «se
alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que
lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do
mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os
escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo» (Mt 18,6-7).
5.
Racionalidade e amabilidade.
A racionalidade serve para evitar os excessos emocionais e a amabilidade para
evitar os excessos da burocracia e das programações e planificações. São dotes
necessários para o equilíbrio da personalidade: «O inimigo observa bem se uma alma é rude ou delicada; se é
delicada, procura torná-la delicada até ao excesso, para depois mais a
angustiar e confundir». [6] Todo o excesso é indício de qualquer desequilíbrio.
6.
Inocuidade e determinação.
A inocuidade, que nos torna cautelosos no juízo, capazes de nos abstermos de ações
impulsivas e precipitadas. É a capacidade de fazer emergir o melhor de nós
mesmos, dos outros e das situações, agindo com cuidado e compreensão. É fazer aos
outros aquilo que querias que fosse feito a ti (cf. Mt 7,12; Lc 6,31). A
determinação é o agir com vontade decidida, visão clara e obediência a Deus e
somente pela lei suprema da salus
animarum [salvação das almas]
(cf. CIC, cân. 1725).
7.
Caridade e verdade.
Duas virtudes indissolúveis da vida cristã: «testemunhar a verdade na caridade
e viver a caridade na verdade» (cf. Ef 4,15). [7] Do contrário, a caridade sem verdade torna-se ideologia
da bonacheirice [bondade excessiva, ingênua] destrutiva e
a verdade sem caridade torna-se
justicialismo cego.
8.
HOnestidade e maturidade.
A honestidade é a retidão, a coerência e o agir com absoluta sinceridade conosco
mesmos e com Deus. Quem é honesto não age retamente apenas sob o olhar do
supervisor ou do superior; o honesto não
teme ser apanhado de surpresa, porque nunca engana a quem se fia dele. O
honesto nunca domina sobre as pessoas ou sobre as coisas que lhe foram
confiadas em administração, como o «servo mau» (Mt 24,48). A honestidade é a base sobre a qual assentam todas as outras qualidades.
Maturidade é o esforço para alcançar a harmonia entre as nossas capacidades
físicas, psíquicas e espirituais. É a meta e o bom êxito dum processo de
desenvolvimento que não termina jamais nem depende da idade que temos.
9.
Respeito e humildade.
O respeito é dote das almas nobres e delicadas; das pessoas que procuram sempre
ter em justa consideração os outros, a sua função, os superiores e os
subordinados, os problemas, os documentos, o segredo e a confidencialidade; das
pessoas que sabem ouvir atentamente e falar educadamente. A humildade, por sua vez, é a virtude dos santos e das pessoas cheias
de Deus, que quanto mais sobem de importância tanto mais cresce nelas a
consciência de nada serem e de nada poderem fazer sem a graça de Deus (cf. Jo
15,8).
10.
Dadivoso e atento.
Quanto maior confiança tivermos em Deus e na sua providência, tanto mais
seremos dadivosos de alma e mais seremos mãos abertas para dar, sabendo que
quanto mais se dá, mais se recebe. Na realidade, é inútil abrir todas as Portas Santas de todas as basílicas do mundo,
se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão
fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para hospedar e se as
nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é o cuidado dos
detalhes e a oferta do melhor de nós mesmos sem nunca cessar de vigiar sobre os
nossos vícios e faltas. São Vicente de
Paulo rezava assim: «Senhor, ajudai-me a dar-me conta, imediatamente,
daqueles que estão ao meu lado, daqueles que vivem preocupados e desorientados,
daqueles que sofrem sem o manifestar, daqueles que se sentem isolados, sem o
querer».
11.
Impavidez e prontidão.
Ser impávido significa não se deixar amedrontar perante as dificuldades, como
Daniel na cova dos leões, como Davi diante de Golias; significa agir com
audácia e determinação e sem indolência «como bom soldado» (2Tm 2,3-4);
significa saber dar o primeiro passo sem demora, como Abraão e como Maria. Por
sua vez, a prontidão é saber atuar com
liberdade e agilidade, sem apegar-se às coisas materiais que passam. Diz o
salmo: «Se as vossas riquezas crescerem, não lhes entregueis o coração» (Sal
62/61,11). Estar pronto significa estar sempre a caminho, sem jamais se
sobrecarregar acumulando coisas inúteis e fechando-se nos próprios projetos,
nem se deixar dominar pela ambição.
12.
FiAbilidade e sobriedade.
Fiável é aquele que sabe manter os compromissos com seriedade e atendibilidade
quando está a ser observado mas, sobretudo, quando está sozinho; é aquele que ao seu redor irradia uma
sensação de tranquilidade, porque nunca atraiçoa a confiança que lhe foi
concedida. A sobriedade – última virtude deste elenco, mas não na
importância – é a capacidade de renunciar
ao supérfluo e resistir à lógica consumista dominante. A sobriedade é
prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e temperança. A sobriedade é contemplar o mundo com os
olhos de Deus e com o olhar dos pobres e do lado dos pobres. A sobriedade é
um estilo de vida, [8] que indica o primado do
outro como princípio hierárquico e manifesta a existência como solicitude e
serviço aos outros. Quem é sóbrio é uma
pessoa coerente e essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar,
reciclar, reparar e viver com o sentido de medida.
Queridos
irmãos!
A
misericórdia não é um sentimento passageiro, mas é a síntese da Boa Nova, é a
opção de quem quer ter os sentimentos do «Coração de Jesus»,
[9] de quem seriamente quer seguir o Senhor que
nos pede: «Sede misericordiosos como o vosso Pai» (Lc 6,36; cf. Mt 5,48).
Afirma o padre Hermes Ronchi:
«Misericórdia é escândalo para a justiça, loucura para a inteligência,
consolação para nós, devedores. A dívida de existir, a dívida de ser amados, só
se paga com a misericórdia».
Concluindo:
- seja a misericórdia a guiar os nossos passos,
- a inspirar as nossas reformas,
- a iluminar as nossas decisões;
- seja ela a coluna sustentáculo do nosso agir;
- seja ela a ensinar-nos quando devemos avançar e quando devemos recuar um passo;
- seja ela a fazer-nos ler a pequenez das nossas ações no grande projeto de salvação de Deus e na majestade misteriosa da sua obra.
«De
vez em quando ajuda-nos recuar um passo e ver de longe.
O
Reino não está apenas para além dos nossos esforços,
está
também para além das nossas visões.
Na
nossa vida, conseguimos cumprir apenas uma pequena parte
daquele
maravilhoso empreendimento que é a obra de Deus.
Nada
daquilo que fazemos está completo.
Isto
quer dizer que o Reino está mais além de nós mesmos.
Nenhuma
afirmação diz tudo o que se pode dizer.
Nenhuma
oração exprime completamente a fé.
Nenhum
credo contém a perfeição.
Nenhuma
visita pastoral traz consigo todas as soluções.
Nenhum
programa cumpre plenamente a missão da Igreja.
Nenhuma
meta ou objetivo atinge a dimensão completa.
Disto
se trata:
plantamos
sementes que um dia nascerão.
Regamos
sementes já plantadas,
sabendo
que outros as guardarão.
Pomos
as bases de algo que se desenvolverá.
Pomos
o fermento que multiplicará as nossas capacidades.
Não
podemos fazer tudo,
mas
dá uma sensação de libertação iniciá-lo.
Dá-nos
a força de fazer qualquer coisa e fazê-la bem.
Pode
ficar incompleto, mas é um início, o passo dum caminho.
Uma
oportunidade para que a graça de Deus entre
e
faça o resto.
Pode
acontecer que nunca vejamos a sua perfeição,
mas
esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador.
Somos
trabalhadores, não mestres de obras,
servidores,
não messias.
Somos
profetas de um futuro que não nos pertence».
NOTAS
[1] Exercícios Espirituais, 315.
[2] Cf. Serm. 207, 1: NBA, XXXII/1, 148s.
[3] «A
missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos,
culturas e indivíduos, precisamente porque os “confins” da fé não atravessam
apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O
Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de
cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de
alargar os confins da fé» (Mensagem para
o Dia Mundial das Missões de 2013, 2).
[4] Missale Romanum, 2002.
[5] Discurso à Cúria Romana, 21 de Setembro
de 1963: AAS 55 (1963), 793-800.
[6] Santo
Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais,
349.
[7] «A caridade
na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e, sobretudo,
com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o
verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. (…) É uma
força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta» (Bento XVI,
Carta enc. Caritas in veritate, 29 de
Junho de 2009, 1: AAS 101 (2009), 641), por isso é preciso «conjugar a caridade
com a verdade, não só na direção assinalada por S. Paulo da “veritas in
caritate” (Ef 4, 15), mas também na direção inversa e complementar da “caritas
in veritate”. A verdade há de ser procurada, encontrada e expressa na
“economia” da caridade, mas esta por sua vez há de ser compreendida, avaliada e
praticada sob a luz da verdade» (Ibid.,
2).
[8] Um estilo
de vida caracterizado pela sobriedade restitui ao homem aquele «comportamento
desinteressado, gratuito, estético que brota do assombro diante do ser e da
beleza, que leva a ler, nas coisas visíveis, a mensagem do Deus invisível que
as criou» (João Paulo II, Carta enc. Centesimus
annus, 37; cf. AA.VV., Nuovi stili di
vita nel tempo della globalizzazione, Fond. «Apostolicam Actuositatem»,
Roma 2002).
[9] São João
Paulo II disse no «Ângelus» de 9 de
Julho de 1989: «A expressão “Coração de Jesus” traz de imediato à mente a
humanidade de Cristo, e ressalta-lhe a riqueza dos sentimentos, a compaixão
para com os enfermos; a predileção pelos pobres; a misericórdia para com os
pecadores; a ternura para com as crianças; a fortaleza na denúncia da
hipocrisia, do orgulho e da violência; a mansidão diante dos opositores; o zelo
pela glória do Pai e o júbilo pelos seus misteriosos e providentes desígnios de
graça (…) recorda depois a tristeza de Cristo pela traição de Judas, o
abatimento por causa da solidão, a angústia diante da morte, o abandono filial
e obediente nas mãos do Pai. E fala, sobretudo, do amor que sem cessar brota do
seu íntimo: amor infinito para com o Pai e amor sem limites pelo homem».
Comentários
Postar um comentário