Brasil patina ao alfabetizar crianças!

Rita Azevedo

A sonhada alfabetização universal ainda está longe de ser alcançada

Os resultados não são uma história de sucesso,
mas o bom é que eles apontam o que devemos fazer.
Renato Janine Ribeiro, Ministro da Educação 
Crianças em sala de aula - Curitiba (PR)
Foto: Cesar Brustolin / SMCS

Ler e interpretar histórias, escrever textos e resolver problemas matemáticos. Dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgados nesta quinta-feira [17/09/2015] pelo Ministério da Educação, mostram que ainda é pequena a parcela de crianças que conseguem cumprir todos esses requisitos – e que a sonhada alfabetização universal ainda está longe de ser alcançada.

Em 2014:

  • apenas 11% dos alunos matriculados na 3° série estavam no nível mais alto de leitura e
  • 9,9% no nível ideal de escrita.
  • No caso dos conhecimentos em matemática, o desempenho das crianças foi melhor – 25% deles alcançaram o nível mais alto.
"Os resultados não são uma história de sucesso, mas o bom é que eles apontam o que devemos fazer, apontam o que são os problemas, apontam os níveis de alfabetização", disse o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, durante o EXAME Fórum de Educação, realizado na última segunda-feira.

A meta do Plano Nacional da Educação (PNE) é que, até 2024, todas as crianças estejam alfabetizadas, no máximo, até o final do 3° ano do Ensino Fundamental.

Aplicada pela primeira vez em 2013, a ANA busca aferir os níveis de alfabetização em Língua Portuguesa e Matemática em estudantes do 3° ano do Ensino Fundamental das escolas públicas.

Os resultados são divididos em níveis de desempenho que podem variar de 1 a 5, dependendo da competência (Leitura, Escrita ou Matemática). Quanto maior o nível, melhor o desempenho do aluno.

Desigualdades que persistem

Dependendo da região, os resultados da alfabetização são ainda mais críticos e mostram o abismo que persiste entre as áreas mais ricas e as mais carentes do país.

Em Leitura, por exemplo, 16,75% dos alunos da região Sudeste atingiram o nível mais alto – ou seja, conseguem ler, encontrar sentido em um conto e reconhecer relação de tempo em um texto. No Norte, menos de 5% atingiram o mesmo patamar. 

Na competência Escrita, a discrepância entre as regiões é parecida. No Nordeste, menos de 4% das crianças atingiram o nível mais alto – que significa, por exemplo, que são capazes de escrever ortograficamente e continuar uma narrativa. No Sudeste, 15,4% conseguem o mesmo.

Outro dado alarmante é que nos estados no Norte e Nordeste, dois em cada dez alunos do 3° ano do Ensino Fundamental estão no nível mais baixo de escrita, ou seja, não conseguem escrever nenhuma palavra.

O desempenho dos alunos na avaliação de Matemática, em todas as regiões, é superior ao registrado nas avaliações de Língua Portuguesa.

Em regiões como Sudeste e Sul, mais de 30% dos alunos atingiram o patamar mais alto – o que significa que são capazes de, por exemplo, ler horas e minutos e resolver problemas matemáticos. No Norte e no Nordeste, nem 15% das crianças alcançaram o mesmo nível.

Fonte: Exame.com – Brasil – 17/09/2015 – 16h00 – Internet: clique aqui.

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