Só nos resta duas possibilidades: agonia curta ou longa e dolorosa!
DESCONTENTAMENTO À
DIREITA
“Com impeachment,
agonia seria curta”
Entrevista
com Flávio Rocha
Presidente
da Riachuelo
Alexa Salomão
e Fernando Scheller
Segundo empresário, outra opção é de uma “agonia longa”,
com a presidente mais três anos e meio no poder
Sem
projeto e sem propósito. É assim que o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha,
define a economia brasileira hoje. O empresário, dono da terceira maior rede de moda do País, atrás da C&A e da Renner,
atribui a crise que se instalou no País à política do primeiro mandato da
presidente Dilma Rousseff.
E fala, abertamente, que a
atual gestão da presidente cria dois cenários para a economia: “Um é o de uma agonia
curta, com impeachment. O outro, de
agonia longa, cumprindo três anos e meio de mandato.” Em sua opinião, é urgente uma “cirurgia profunda” no Estado
brasileiro, que vai muito além do ajuste fiscal, algo que o governo atual não
tem condições ou vontade de fazer. A seguir, os principais trechos da
entrevista de Rocha ao jornal O Estado de
S. Paulo.
Como
o sr. vê a economia?
Flávio Rocha: Vamos começar com uma boa
notícia. Encerrou-se um ciclo. Um ciclo de ideias ruins, insustentável. A gente
já vê os indícios fortes da mudança. A mudança vem da cabeça do eleitor, de um
novo personagem que vai mudar a história do País: o eleitor-consumidor-cidadão. Ele sucedeu o eleitor súdito, que era o
fiel da balança e representava uma grande base de 60% de pobreza. Ficava com o
pires na mão para o Estado. Houve uma transformação demográfica e econômica.
Hoje, o fiel da balança não é mais a base da pobreza. É o novo consumidor, com
condição de resolver as paradas eleitorais que vêm pela frente. Ele enxerga o
Estado de uma outra forma. Não cai mais no mito do Estado que resolve todos os
problemas. Ele vê o Estado como vê a sua
operadora de telefonia celular, de TV a cabo. Paga e exige reciprocidade.
Esse novo perfil vai ser o estopim da mudança.
Para
o sr., as manifestações contra o governo são promovidas pela nova classe média?
Flávio Rocha: Sim. O povo não está
pedindo mais Estado. Está pedindo menos Estado. Está pedindo eficiência do
gasto público, menos clientelismo, menos paternalismo. Em 2013, não. Ali acho
que tinha uma confusão, tinha no meio os black
blocs (grupo que ataca símbolos do
capitalismo), uma coisa de movimentos sociais. Mas agora as manifestações
dizem isso.
Para
muitos, as manifestações são promovidas pelo pessoal da “varanda gourmet”.
Flávio Rocha: As pesquisas desmentem
isso. O conflito que está instalado não é pobre contra rico. Não é patrão
contra empregado. Não é Nordeste contra Sudeste. Não é trabalhador rural contra
MST. Um país é como uma carruagem. As forças de tração dessa carruagem são o
trabalhador e o empresário. E existe o Estado. Quando eu era deputado, na
Constituinte (Assembleia Nacional
Constituinte, entre 1987 e 1988), defendia a tese do imposto único. Subia
na tribuna para me rebelar contra a carga tributária escorchante de 22% do PIB.
Pois ela foi de 22% para 37%, mais 7% de déficit. Quer dizer: temos um Estado escandinavo no tamanho e
centro-africano na eficiência. Ter
esse nível de carga tributária com essa ineficiência é condenar o Brasil a
ficar fora do jogo competitivo. Nós competimos com países onde as
carruagens sustentam 15%, 17%, 20% do PIB de carga tributária. São carruagens
que andam.
O
sr. disse que está se encerrando um ciclo ruim. Pode explicar melhor?
Flávio Rocha: Um período de inchaço
desmesurado da máquina do Estado e de ideias que levavam à crença de que
existia outra saída para a prosperidade que não o trabalho. Que você podia ter
uma casa, que é o bem mais desejado de uma família, sem trabalhar. Encerra-se
um ciclo estatizante, socializante. O mundo todo já decidiu a questão ideológica
sobre se os bens de produção devem estar nas mãos do Estado ou da iniciativa
privada. Eu já tinha preguiça desse tema quando fazia faculdade. Hoje, mais
ainda. Mas isso está em pauta.
O
sr. acredita que o Estado pode ficar menor na gestão do atual governo?
Flávio Rocha: Acho que não. Ajuste fiscal
é uma palavra muito suave para a gravidade do problema. A gente não precisa de
ajuste fiscal. Precisamos de uma cirurgia de grande porte no Estado, que faça o
Estado mudar de propósito. O Estado hoje existe em função de si mesmo. Ganhou
vida própria. Há muito tempo, o Estado
não existe em função da sociedade. Tornou-se intocável, blindado em si
mesmo. Olhe o corporativismo dos professores. Outro dia, um secretário de Educação, de algum Estado, disse que teve
uma reunião de três horas com o sindicato dos professores e não se falou uma
vez a palavra aluno. Quer dizer: o aluno é um detalhe, está lá para
atrapalhar. O que interessa é o corporativismo da máquina. Então, isso tem de
ser respaldado pelas urnas. Infelizmente, o projeto que foi aprovado – se é que
existia algum projeto – prega o contrário disso, desautoriza qualquer um que
queira fazer uma cirurgia mais profunda. Mas, pela primeira vez, existe a
perspectiva de um projeto liberalizante.
Como
o sr. vê a discussão sobre o impeachment
da Dilma, que foi pedido em algumas manifestações?
Flávio Rocha: Nós temos aí duas
alternativas. Eu não acho que vai ser
este o governo que fará o que tem de ser feito. O orçamento já é
assumidamente deficitário e toda tentativa de cortes que é feita, a presidente
bloqueia. Então, acho que existem dois cenários: um é o de uma agonia curta,
com impeachment. O outro de agonia
longa, cumprindo três anos e meio de mandato. Mas será uma agonia que não vai
mudar nada. Há uma paralisia e qualquer um dos cenários – de aumento de
impostos ou de diminuição do Estado – envolve retaguarda política, que não
existe.
Mas
o sr. é contra ou a favor do impeachment
da Dilma?
Flávio Rocha: Se as contas forem
rejeitadas e não houver o impeachment,
é melhor rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal. É a pior sinalização que pode
haver. Aí é o caos. A sinalização que isso traz para todos os governadores e
prefeitos é devastadora. É chutar o pau da barraca. Neste momento, uma agonia curta seria um trauma menor.
O
que seria a essa agonia?
Flávio Rocha: É o momento que nós estamos
vivendo agora, a máquina parando, o
desemprego aumentando, sem crescimento, sem investimento.
O
sr. é empresário, o que está acontecendo que nós não estamos tendo
investimento?
Flávio Rocha: Falta de propósito.
Foi
isso que causou a paralisia?
Flávio Rocha: Primeiro, foi a falta de
propósito. Propósito é fundamental. Você tem de olhar para a cara do seu
governante, até do presidente da sua empresa, e enxergar adiante: “A Riachuelo
daqui a dez anos vai ser isso, nessa Riachuelo daqui a dez anos tem lugar para mim,
eu vou estar melhor, eu me identifico com o propósito da Riachuelo, que quer
alargar as portas da moda, a moda que melhora a vida das pessoas”. Tem de ter
essa identidade de propósito.
Então,
estamos à deriva?
Flávio Rocha: Você olha para a Dilma e vê
qual é o propósito? Se tem, não consegue transmitir, e se transmite é um
propósito que hoje é extremamente minoritário. A capacidade, a energia do
Brasil está adormecida, mas voltará quando surgir um novo projeto – e vai
surgir porque nenhum espaço fica vazio por muito tempo na política.
E
onde a presidente errou?
Flávio Rocha: Eu vi uma frase
interessante no começo do governo Lula. Foi nas primeiras semanas: “Este
governo vai dar certo porque está fazendo tudo que Fernando Henrique
(ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) fez, e sem o PT para atrapalhar”. E
foi o que aconteceu. Mas a Dilma reverteu tudo o que tinha sido feito.
Como
assim?
Flávio Rocha: Começou a acreditar em
artificialismo. Ouvi uma colocação, acho que do Arminio Fraga (ex-presidente do Banco Central no governo de
FHC). Ele disse: “Esse é um governo
que não acredita em preços”. Quando você vê o preço do tomate aumentar é um
alerta importante que denuncia uma escassez localizada. E o que se faz nessa
hora? Nada. Deixa a ganância empresarial atuar. O produtor vai descobrir que
tomate está dando lucro, mais gente vai produzir tomate, aumentar a oferta e o
preço volta para onde estava. Dilma ignorou essas delicadas engrenagens da
economia, jogou areia nas delicadas engrenagens, com intervenções de todo tipo,
artificialismos.
O
que o sr. acha das manifestações de empresários em favor do governo Dilma?
Flávio Rocha: Quando você fala do setor
empresarial, existe muita confusão. Tem dois mundos completamente distintos. Tem o empresário de mercado e tem o
empresário de conluio. Existe aqui o “cronismo”: termo que o Gustavo Franco
(ex-presidente do Banco Central no
governo de FHC) lançou em um artigo dele sobre o capitalismo crony (em tradução livre, capitalismo de
apadrinhados, pois a palavra em inglês, derivada do grego, é uma gíria para
amigo, afilhado). O PT, quando pensa em capitalismo, é: “Fulaninho, o que
você quer?” O termo campeões nacionais, até outro dia, fazia parte do discurso
nacional. Um absurdo. Vou eleger este
aqui o rei da proteína animal, este aqui o rei da construção civil e este aqui o
rei do óleo e gás. Isso é de uma arrogância, de uma onipotência... O
mercado não conta. O governo torna irrelevante a opinião do mercado, força de
cima para baixo com instrumentos de financiamentos, de juros subsidiados, que é
mais uma perversa forma de intervencionismo. É assim: eu escolho você, dou dinheiro do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social) e tal. Isso é a antítese do capitalismo.
Muitas vezes, você olha e diz: ah, são os empresários. Mas vai ver e o que tem
é o clubinho do capitalismo de conluio.
E
como é o outro grupo de empresários?
Flávio Rocha: O outro, do qual eu muito
me orgulho de fazer parte, é aquele que vive do mercado, do consumidor. Se eu
vou crescer mais do que Marisa, Pernambucanas ou Renner, só devo a um juiz: a
dona Maria, que entra na loja e paga sua prestação de R$ 15. Somos escolhidos
pelo mercado.
O
sr. fala da necessidade de mudança, mas o Congresso não tem mostrado disposição
em ajudar.
Flávio Rocha: Por falta de propósito (do governo atual). Por que a oposição
vai se sacrificar, votar medidas antipáticas, quando o partido do governo quer
fazer papel de mocinho? Tenho certeza de que esses mesmos deputados, com um
novo propósito, uma nova sinalização, um novo chamamento, teriam um
comportamento completamente diferente. O propósito tem o dom de fazer milagre.
O
sr. não mencionou a Lava Jato. Não está no seu radar?
Flávio Rocha: A Lava Jato é a grande
contribuição que sai desse episódio todo. A luta contra a corrupção não é feita
apenas com leis, afastando pessoas sem éticas e colocando no lugar pessoas de
boa índole. O que faz a corrupção são as regras do jogo. O estatismo é um
convite à corrupção. O Estado grande é o
habitat natural da corrupção.
E
o que evita a corrupção?
Flávio Rocha: O antídoto à corrupção é o
livre mercado. Para usar um exemplo simples: se eu tiver aqui na Riachuelo um
comprador de gravatas corrupto, que recebe propina de um fabricante de gravatas
da esquina, graças aos freios e contra pesos do mercado, a gravata da Riachuelo
vai ser mais feia, de pior qualidade. Vou perder participação no mercado de
gravatas e meu concorrente vai ganhar. Isso é o que Ronald Reagan (ex-presidente dos Estados Unidos)
chamava de freios e contrapesos do mercado. O Estado, tão sabedor das suas
limitações como gestor, quando entra num setor, a primeira coisa que faz é
delimitar o mercado. Isso tira todos os freios à corrupção. Abre a porta para o
superfaturamento. Começa com 10%, vai para 100% e para 1.000%, como estamos
vendo. Se esse episódio nos tirar a cruz que repousa sobre o povo brasileiro,
que é o monopólio do mercado de petróleo, entre tantos outros que temos no
Brasil, a energia de criação de riqueza paga essa conta rapidamente, porque
petróleo é um setor transversal. Os absurdos, os superfaturamentos impactam
todos os demais setores. Todos dependem de frete, todos têm transporte. A Lava
Jato é uma bênção para o Brasil, vem para limpar. É um sinalizador de que o
Estado deve ser menor.
Qual
a sua previsão para o varejo?
Flávio Rocha: O varejo teve o primeiro
trimestre negativo depois de uma década em que cresceu sempre muito mais que a
média do PIB. No primeiro semestre, fechou no negativo. Isso atinge de forma
diferente os três subsetores. O de duráveis, onde estão os eletroeletrônicos,
tem empresas com 20%, 30% de queda. Depois vem o setor de alimentos – até os
alimentos estão sofrendo muito por causa da inflação. O que está sofrendo menos
é o de semiduráveis – farmácia, têxteis, calçados, que têm até um certo
crescimento. Nós estamos crescendo graças à expansão física (com novas
unidades). Nas lojas abertas há mais de um ano, estamos estagnados. O que já é
uma boa notícia, porque todo mundo está negativo nas mesmas lojas.
Geralmente,
o segundo semestre tende a ser melhor. Isso não vai ocorrer em 2015?
Flávio Rocha: Será melhor em relação ao
primeiro semestre, mas sempre fazemos a comparação com igual período do ano
passado. Então, vai ser pior. O Dia dos Pais foi fraco. No Natal, vai se manter
o marasmo. Não temos expectativa de
recuperações. A carruagem está parando. A força de tração não é suficiente.
O resultado disso é crescimento zero.
O
sr. está pessimista?
Flávio Rocha: O empresário tem de partir
do pressuposto que crise, por definição, é um episódio passageiro. Não se pode
dimensionar a sua empresa para a crise, porque a crise passa e sua empresa fica
despreparada para a bonança que, por definição também, vem depois das crises.
Estamos abrindo lojas, construindo um centro de distribuição que é o estado da
arte do setor. O “capex” (investimento na melhoria de bens de capital uma
empresa) chega a R$ 500 milhões neste ano. No Brasil, só pode ser pessimista
quem está com os olhos no curto prazo.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Economia & Negócios – Domingo, 6 de setembro de 2015 – Pgs. B1 e B3 – Internet: clique aqui.
DESCONTENTAMENTO À
ESQUERDA
Pacto contra o rentismo
Silvio Caccia
Bava
Diretor e editor-chefe
![]() |
Silvio Caccia Bava - Diretor do "Le Monde Diplomatique Brasil" |
Não
há “erros” praticados na condução do ajuste. É a defesa dos interesses rentistas [1] que define a política, em oposição a um amplo leque de atores que
sofrem com essa estratégia.
A
estratégia tem vários componentes: capturar o Estado e submetê-lo a seu estrito
controle, apropriar-se da receita pública para proveito próprio, baixar o custo
da força de trabalho, privatizar bens públicos, cortar políticas sociais,
transformar a questão social numa questão de polícia.
Na
crise, as grandes empresas aplicam no mercado financeiro para garantir seus
lucros, mas as pessoas passam a ter menos dinheiro para consumir, o aumento do
desemprego rebaixa os salários e a pobreza retoma seu espaço no lar das
maiorias. Com isso, o mercado se contrai e o faturamento dos comerciantes e
prestadores de serviços cai. As pequenas e médias empresas se veem em
dificuldades. Evidentemente, há muita
gente descontente, e o grande vilão são os juros.
Contra a alta dos juros e em
favor da manutenção do emprego, da ampliação da capacidade de consumo e da
dinamização do mercado interno, podemos observar manifestações recentes de
centrais sindicais, da Fiesp, da Abimaq, entre outras importantes entidades dos
trabalhadores e empresariais.
É
preciso superar a interdição do debate sobre as alternativas de desenvolvimento
e trazer para o espaço público as análises e propostas que podem enfrentar a crise de uma perspectiva que
garanta a retomada do crescimento com inclusão social e sustentabilidade
ambiental.
Há
questões que a conjuntura estimula a pensar. É possível estabelecer pactos
sociais pontuais para enfrentar as políticas macroeconômicas do rentismo? O
impacto do ajuste, que começa a ser mais intenso agora, abre uma oportunidade
ímpar de negociações e articulações para organizar a resistência e a reversão
dessas políticas.
Há,
no entanto, uma condição essencial: a reapropriação
do espaço público. Os cidadãos, e suas representações coletivas, precisam
vir a público debater suas ideias, suas posições. É o contrário do panelaço,
que interdita a fala. É preciso
assegurar aos cidadãos brasileiros que há estratégias alternativas para
superarmos a presente crise, sem que a conta recaia unicamente nas costas dos
mais pobres.
Sabemos
que a democracia está em risco, violada em todos os poderes da República,
violada no respeito mútuo que a igualdade de direitos deveria assegurar entre
os cidadãos. Caminhamos para a radicalização, a violência, regimes
autoritários.
Essa
tendência, no entanto, pode ser revertida. É uma tarefa para a cidadania ativa.
No mundo, e aqui mesmo, assistimos recentemente a enormes manifestações de rua.
No nosso caso, desde junho de 2013, e mesmo antes, se considerarmos o número
crescente de greves e manifestações dos movimentos sociais, os cidadãos estão
se reapropriando do espaço público. A
particularidade deste momento é a presença das classes médias nas ruas. Há
uma disputa do espaço público e das narrativas que explicam a crise e apontam seus
responsáveis.
Mesmo
com toda a mídia contra, as forças sociais de resistência ao ajuste ainda têm
espaço de expressão pública e podem conquistar espaços mais amplos. Agregando
distintos setores sociais, a combinação de seus esforços pode ampliar a adesão
social ao movimento de resistência. Porque
é disto que se trata: disputar na sociedade as alternativas de desenvolvimento.
Não sobraram instituições políticas capazes de processar os conflitos sociais.
A democracia e suas
instituições serão revigoradas apenas por pressão social e por mudanças nas
políticas macroeconômicas que atendam aos interesses das maiorias. Neste momento trata-se de
politizar o social e socializar a política. Trata-se de realizar um enorme esforço de esclarecer a cidadania, organizar debates
públicos, apresentar e debater propostas de saída para a crise, para
construir um Brasil melhor para todos.
Já
há uma trajetória de acúmulos nos debates e negociações sobre a possibilidade
de pactos sociais que envolvam atores interessados na promoção do
desenvolvimento sustentável com inclusão social. Pouco tempo atrás, depois de
um ano de debates, o Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social apontou para a possibilidade efetiva de
estabelecer um mínimo denominador comum, um conjunto pequeno de proposições que
alinham interesses e atores diversos num compromisso de ação para superarmos a
presente crise.
A
construção de um pacto contra o rentismo vai se tecendo. A recente declaração conjunta de todas as centrais sindicais em defesa
do emprego e da democracia é um importante passo nesse sentido. Mas o
acontecimento mais importante na perspectiva de articular as forças de
resistência ao ajuste é o lançamento, neste mês, da Frente Brasil Popular. Passam a agir em conjunto movimentos, entidades,
associações, sindicatos e partidos, fundamentalmente para lutar contra o rentismo, ampliar o espaço público e debater com a
sociedade a encruzilhada do nosso desenvolvimento.
Há
uma necessidade sentida por toda parte, nos bares, nos ônibus, nas conversas,
nesta particular conjuntura, de um debate nacional sobre o futuro do país. Como superar a crise? Qual desenvolvimento queremos? Como chegar
lá? Criar novos espaços para abrigar essas preocupações e debatê-las pode
aglutinar distintas forças sociais. Pode mesmo criar condições para que se
convoque um Fórum de Desenvolvimento e se convidem entidades patronais para o
diálogo.
O diálogo e o debate são o
caminho para o resgate da democracia, para a negociação de novos pactos
sociais, para sairmos do estrangulamento econômico que o ajuste nos impõe. Para isso a sociedade
precisa se dotar de instrumentos e espaços para o diálogo. Há exemplos, como as
“mesas de concertación” no Peru, de
construção de mesas de diálogo nacionais e regionais com a participação de
todas as classes sociais, para negociar o modelo de desenvolvimento e questões
específicas. O futuro se decide agora.
N
O T A
[ 1 ] -
Afinal, o que é o rentismo? Há diferentes definições para o termo, mas
basicamente denomina comportamentos em que uma organização ou pessoa obtém
lucro ou rendas extraindo-a da sociedade. É uma maneira de enriquecer não
criando riqueza, mas tirando riqueza dos outros. Para usar a famosa imagem que
simboliza a riqueza do país, os rentistas buscam tirar uma fatia maior do bolo,
em vez de fazer ele crescer. São assim atividades que, ainda que sejam
racionais economicamente do ponto de vista privado, prejudicam a sociedade. O
Brasil pode ser considerado em boa medida uma sociedade rentista. No sistema
econômico brasileiro, muitas vezes as empresas ganham mais conseguindo
privilégios do que com investimentos produtivos e em desenvolvimento de
inovações. Isso tem um efeito distorcivo [sic] na atividade econômica, pois incentiva
as empresas a usarem mais tempo, talento e dinheiro na garantia de posições
privilegiadas do que em atividades que gerem riqueza para a sociedade (Fonte / Para saber mais: Gazeta Vargas).
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