O que é a "infidelidade espiritual", na qual caem 83% dos casamentos católicos?
Jorge Henrique
Mújica
Deixar de orar juntos, ir à missa juntos, e se ocupar
de uma boa educação cristã dos filhos é sinal
“infidelidade espiritual”, a qual leva a outras
Até
agosto de 2015, para alguns milhões de pessoas era bem conhecida a rede social
"Ashley Madison", uma
plataforma que visa facilitar novos relacionamentos com pessoas já
comprometidas, muitas vezes já casadas. Era
a rede social do adultério secreto. Seu lema diz tudo "A vida é curta. Tenha um caso" (“Life is short. Have an affair”).
Esta
rede social desabou quando alguns hackers publicaram mais de 30 milhões de
dados dos usuários de “Ashley Madison”. O
fato expôs a penetração e alcance que a infidelidade chegou a ter na era
digital. Claro que isso não é algo "novo", mas é verdade que
plataformas tecnológicas atuais como "Ashley Madison" facilitaram a
sua difusão.
Estudos
recentes da American Association for
Marriage and Family Therapy [trad.: Associação
Americana para Terapia Familiar e Matrimonial] revelam que em 20% dos
casamentos têm algum tipo de infidelidade sexual. Outros 20% são vítimas de algum
vínculo emocional com outra pessoa que não seja seu cônjuge. E como estão as
coisas em círculos especificamente católicos?
Em
uma edição da revista americana Our
Sunday Visitor o Dr. Gregory K.
Popcak revela alguns dados: até 83%
dos casamentos católicos cometem "infidelidades espirituais" (cf.
Spiritual infidelity: A crisis in
Catholic marriage, 02.09. 2015).
Por
"infidelidade espiritual"
entende-se um conceito muito mais amplo do que o de “infidelidade sexual” ou
“infidelidade sentimental”: considerando as mútuas promessas que ambos os
cônjuges se fizeram no dia do casamento e uma vez que este sacramento supõe
para os cônjuges se tornem ajuda um para o outro para chegar ao céu (o que
implica viver a fé juntos: orar unidos,
ir juntos à missa, educar de forma cristã os seus filhos etc.), a violação dessas promessas de caráter
espiritual torna-se uma "traição" que, em última instância,
enfraquece o casamento e facilita outras infidelidades. Essa é a
"infidelidade espiritual" definida por Popcak.
Qual
é a base para se chegar a essa porcentagem de "infidelidade espiritual? Um
estudo realizado pelo Center for Applied
Research in the Apostolate da Universidade de Georgetown e patrocinado pela
Holy Cross Family Ministries mostra
que apenas 17% dos casais católicos
rezam juntos. Isso significa que, de acordo com o Dr. Popcak, que "em termos práticos, se um casal católico não
está partilhando ativamente a sua fé, adorando a Deus juntos, orando juntos,
cai-se na infidelidade espiritual ao colocar algo diferente de Deus e da fé no
centro das suas vidas”. E acrescenta: “parece-me
que, infelizmente, os católicos aceitam a existência da infidelidade espiritual".
Para
Popcak é algo muito sério que a maioria dos esposos católicos não assumam que
devem esperar algo do seu cônjuge relativo aos compromissos espirituais
mutuamente adquiridos como orar juntos ou compartilhar a fé. Ouve-se, muitas
vezes, esposas e esposos que dizem: “Não
posso obrigar meu cônjuge a orar”. E refere que certamente não se trata de
forçar ninguém a fazer nada; trata-se de
convidar permanentemente ao casal a ser fieis às promessas realizadas no altar
com a expectativa de que, pelo menos, por respeito ao seu esposo(a),
compartilhem um momento de oração significativo. Não fazê-lo seria
consentir abertamente a “infidelidade espiritual”.
O
“sim quero” pronunciado no altar, tendo a Deus como testemunha, seria a base
que dá a ambos os cônjuges o direito de esperar certas coisas, também na vida
espiritual da outra parte do matrimônio.
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