Evangélicos compõem a maioria nos presídios, mostra pesquisa
Paulopes
29-05-2015
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Clemir Fernandes - sociólogo |
O sociólogo Clemir
Fernandes é coordenador de uma pesquisa que constatou, entre outros dados,
que os evangélicos são “incontestavelmente” o grupo mais numeroso e disseminado
nos presídios, principalmente no Rio de Janeiro.
A pesquisa “Assistência
religiosa em prisões do Rio de Janeiro: um estudo a partir da perspectiva de
servidores públicos, presos e agentes”, do Instituto de Estudos da
Religião, será publicada nas próximas semanas.
“Esta predominância acompanha uma tendência de crescimento
dos evangélicos na sociedade apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE)”, disse Fernandes.
Ele destacou que, comparando o Censo de 2000 com o de 2010, houve o crescimento de 61% de evangélicos.
A pesquisa de Fernandes mostra que a mudança do perfil dos
presidiários, com o aumento significativo de evangélicos, tem apaziguado as
detenções, tornando o ambiente menos tenso tanto para os presos como para os
funcionários.
O aspecto negativo é
que, como “donos” dos presídios, os evangélicos acabam obtendo privilégios,
como celas especiais, o que, no caso do Rio, não é permitido, mas é
habitual.
De acordo com as orientações da Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária), os
presidiários têm de ser distribuídos nas celas de acordo com o tipo de seu
crime, não tendo como referência a religião de cada um deles.
O Seap aprovou
100 instituições religiosas para dar assistência espiritual nos presídios
fluminenses. Do total, 81 são igrejas
evangélicas (47 pentecostais, 20 de missão e 14 de outras origens).
Os católicos
habilitaram oito instituições; espíritas, seis; Testemunhas de Jeová, três;
umbandistas, uma, e judeus também uma.
A pregação dessas entidades dentro dos presídios é feita por
1.194 voluntários.
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Ronaldo da Cruz Magalhães - 49 anos - ex-pastor que exerce seu ministério numa das prisões do Rio de Janeiro |
Alguns poucos presídios têm pastor em tempo integral.
Trata-se de pessoa que, antes de ser preso, já era pastor e que acabou
cometendo algum delito grave.
Esse é o caso de Ronaldo
da Cruz Magalhães, 49 anos, que é “pastor interno” de um presídio do Rio de
Janeiro.
Na prisão, ele celebra cultos e batismo e é o responsável
por um coral de evangélicos.
Magalhães foi preso por se envolver em tráfico de drogas.
Em 2011, o CNPCP
(Conselho Nacional de Polícia Criminas e
Penitenciária), órgão do Ministério da Justiça, divulgou uma resolução proibindo que pastores e seus prepostos
cobrassem dízimo dentro dos presídios, ficando também impedidos de vender
material religioso.
Até agora, ao que parece, essa resolução não “pegou”.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Terça-feira, 2 de junho de 2015 – Internet:
clique aqui.
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