COMO VAI A SAÚDE DO BRASILEIRO?
Mais da metade do País não vai ao dentista anualmente,
diz IBGE
Roberta
Pennafort
Recomendação dos
dentistas é de que as consultas sejam semestrais;
dado foi coletado em
2013 e foi divulgado nesta terça-feira
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A PNS revelou ainda que, entre as pessoas com 18 anos ou mais, 11% perderam todos os dentes; entre os brasileiros que estão acima dos 60 anos, o índice é de 41,5% |
O Brasil é o país que
mais tem dentistas no mundo - são 260 mil -, mas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013,
divulgada nesta terça-feira, 2 de julho, pelo IBGE, 55,6% dos brasileiros não se consultam anualmente. A recomendação
dos dentistas é de que as consultas sejam semestrais:
- No Norte 65,6%
- e no Nordeste 62,5% da população não vão ao dentista todo ano.
- Já no Sul e no Sudeste, os porcentuais são de 48,1% e 51,7%, respectivamente.
Os números foram levantados no último trimestre de 2013 e a
pergunta se referiu aos 12 meses anteriores à entrevista.
A PNS revelou ainda que, entre as pessoas com 18 anos ou mais, 11% perderam todos os dentes;
entre os brasileiros que estão acima dos
60 anos, o índice é de 41,5%.
Quanto aos hábitos de escovação, 89,1% dos entrevistados maiores de idade disseram que escovam os dentes
pelo menos duas vezes ao dia. E 67,4% consideram sua saúde bucal "boa
ou muito boa".
O presidente da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Luiz Fernando Varrone, acredita que o
brasileiro ainda está adquirindo a cultura de ir ao dentista. “As pessoas têm a
ideia errada de que a saúde bucal e a geral são coisas separadas. Mas está melhorando: até a década de 1980,
éramos conhecidos como o País dos desdentados.”
História
Exemplo da deficiência com a atenção bucal é a história do guardador de carros Eduardo José da Silva,
de 52 anos, que só esteve uma única vez no consultório de um dentista. Foi há
10 anos. Morador do Alto Santa Terezinha, na zona norte do Recife, Zeca, como
gosta de ser chamado, reclama da dor que sentiu quando o profissional extraiu
oito dentes de uma só vez.
"Quando eu cheguei no consultório, estava com muita
dor. Ele olhou minha boca e disse que tinha de arrancar. Ainda pensei em
desistir, mas a dor era tanta que aceitei. Ele explicou que estavam todos
podres", lamentou. O atendimento de urgência foi feito em uma Unidade Básica de Saúde Bucal,
localizada há menos de um quilômetro de sua residência.
Segundo Zeca, o acesso ao dentista ao longo da infância e
adolescência era "muito difícil". "Não tinha dentista em posto
de saúde nem esse pessoal que vai até a casa da gente. Agora está mais fácil,
mas eu não quero voltar, não. Sei que vão querer arrancar todos os que sobraram
porque está tudo preto. Não pude cuidar
cedo dos dentes e agora não tem mais jeito não."
O guardador de carros disse que tenta evitar que seus filhos
tenham o mesmo destino. Segundo ele, sua
mulher leva os seis filhos do casal todos os anos no dentista. "É de
graça, e ela fala que o atendimento é bom." A maior dificuldade, conta
Zeca, é comprar escovas de dente para todo mundo. "Como não tenho um salário certo, às vezes não consigo comprar pasta de
dente ou escova nova. Mas a gente vai se virando. Eu dividia uma escova com
minha mulher, mas depois que o dentista disse a ela que não era para fazer isso
ela não deixa mais. Aí peguei uma velha de uma das crianças."
Questionado sobre a possibilidade de buscar no serviço
público uma prótese dentária, ele foi taxativo. "Nunca nem tentei. Fiquei
com tanto medo da dor que senti que não quero mais abrir a boca na frente de
dentista nenhum."
Sobre a pesquisa
Os números não têm parâmetro de comparação, uma vez que se
trata da primeira edição da PNS. Mas dados
infraestruturais da PNS confirmaram patamares divulgados no âmbito da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em anos anteriores:
- 93,7% dos domicílios brasileiros têm água canalizada,
- 60,9% contam com esgotamento sanitário,
- 89,3% são atendidos por serviços de coleta de lixo e
- 99,6%, servidos de energia elétrica.
Outro dado que já era conhecido e agora foi reafirmado pelo
IBGE: o contingente da população que tem
plano de saúde ou odontológico é de 27,9%, sendo a maioria no Sudeste e no Sul.
Em 2012, a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, que usou informações da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), revelou que o porcentual era
ligeiramente inferior: 24,7%.
Esse é o segundo volume da PNS 2013. Baseia-se em
questionários aplicados em 6.069 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e em
49.130 domicílios de todas as unidades da federação. O primeiro volume,
divulgado há sete meses, se ateve a questões como incidência de doenças
crônicas e estilo de vida dos brasileiros. As informações servem para a
formulação de políticas públicas de promoção, vigilância e atenção à saúde do
Sistema Único de Saúde.
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Saúde – 2 de junho de 2015 – 10h00 – Internet: clique aqui.
Mulheres vão mais ao médico que homens,
mostra IBGE
Roberta
Pennafort
Entre as mulheres, 78%
se consultaram com profissional no último ano, contra 63,9% dos homens, revela
Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)
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Entre as mulheres, 78% se consultaram com um médico no último ano, contra 63,9% dos homens, mostra pesquisa do IBGE |
As mulheres brasileiras vão mais ao médico do que os homens,
diz a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)
2013, divulgada nesta terça-feira, 2 de junho, pelo IBGE. A publicação, que
reúne dados levantados no último trimestre de 2013, revela que 71,2% dos entrevistados
haviam se consultado pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista.
Entre as mulheres, o índice foi de 78%, contra 63,9% dos homens.
Elas também são mais
aplicadas nos cuidados com os dentes:
- 47,3% das brasileiras disseram terem ido ao dentista uma vez nos 12 meses anteriores,
- ante 41,3% dos homens.
A diferença também aparece na questão da higiene bucal:
- 91,5% do público feminino pesquisado respondeu que escova os dentes duas vezes ao dia,
- ao passo que a taxa foi de 86,5% no masculino.
A PNS investigou o atendimento nos serviços de saúde,
público e privado. As entrevistas mostraram que 10,6% dos brasileiros de mais de 18 anos já se sentiram discriminados
ao serem atendidos em postos e hospitais, sendo a ocorrência mais frequente
no Norte e no Centro-Oeste: índices de 13,6% e 13,3%, respectivamente. Os
principais motivos, na ordem: falta de dinheiro, classe social, tipo de
ocupação, doença que apresentam e cor da pele.
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Saúde – 2 de junho de 2015 – 10h00 – Internet: clique aqui.
Três em cada quatro brasileiros usam o SUS
Roberta
Pennafort
Três em cada quatro brasileiros buscam atendimento médico na
rede pública, e os postos de saúde são o lugar preferencial de 47,9% da
população.
A PNS levantou também que 10,6% dos adultos – 15,5 milhões de pessoas – já se sentiram discriminadas ao serem atendidos por profissionais de saúde, principalmente por classe social, tipo de ocupação, doença e cor da pele.
A PNS levantou também que 10,6% dos adultos – 15,5 milhões de pessoas – já se sentiram discriminadas ao serem atendidos por profissionais de saúde, principalmente por classe social, tipo de ocupação, doença e cor da pele.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por 65,7% das
internações de 24 horas ou mais, com as maiores taxas no Nordeste (76,5%) e
Norte (73,9%). Dos brasileiros que procuraram atendimento nas duas semanas
anteriores à pesquisa, 95,3% conseguiram de primeira.
“No Brasil se criou uma imagem de que há negativa de
atendimento, o que não existe de verdade”, disse o ministro Arthur Chioro.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Metrópole / Saúde – Quarta-feira, 3 de junho de 2015 – Pg. A14 –
Edição impressa.
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