MAIS CÃES QUE CRIANÇAS NO BRASIL!
Brasil tem mais cachorros de estimação do que crianças,
diz pesquisa do IBGE
CAROL KNOPLOCH
Cerca de 44% dos
domicílios têm cães, o que equivale a mais de 52 milhões de animais;
crianças são 45 milhões
crianças são 45 milhões
O cachorro é o melhor amigo do brasileiro em 44,3% dos
domicílios, o que equivale a 28,9 milhões de lares no país, segundo pesquisa
inédita divulgada pelo IBGE nesta terça-feira [2 de junho]. A população de
cachorros foi estimada pelo instituto em 52,2 milhões, indicando média de 1,8
cachorro por domicílio com esse animal. Já a população de gatos foi estimada em
cerca de 22 milhões
Os números mostram que, hoje, é possível dizer que o Brasil
tem mais cachorros do que crianças, já que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD), de 2013, o país tinha 44,9 milhões de crianças de 0 a 14 anos.
Os dados relacionados aos cachorros são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS),
elaborada pelo IBGE, em convênio com o Ministério da Saúde, que visitou cerca
de 80 mil domicílios, em 1.600 municípios de todo o país, no segundo semestre
de 2013. Essa informação apoiará o planejamento do Ministério da Saúde para a
compra de vacinas.
BEM MENOS GATOS
Em relação à presença de gatos, 17,7% dos domicílios do País possuíam pelo menos um, o
equivalente a 11,5 milhões de unidades domiciliares. A população de gatos em
domicílios brasileiros foi estimada em 22,1 milhões, o que representa
aproximadamente 1,9 gato por domicílio com esse animal.
Também foi verificado que 75,4% (24,9 milhões) deles tiveram
todos os animais vacinados contra raiva nos últimos 12 meses.
As regiões Sudeste e Centro-Oeste (84,3% e 81,7%,
respectivamente) apresentaram resultados superiores aos das regiões Sul, Norte,
Nordeste (63,5%, 67,1% e 70,1%, respectivamente).
Fonte: O Globo –
Saúde – 02/06/2015 – 10h00 – Internet: clique aqui.
Por que eles são tantos?
Cecília Ritto
e Bianca Alvarenga
Causas demográficas e
econômicas mostram que o fenômeno,
similar ao de países ricos, vai se acentuar daqui para a frente
similar ao de países ricos, vai se acentuar daqui para a frente
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Além de entreterem as famílias que têm filhos, os bichinhos
são frequentemente a alternativa escolhida para preencher o vazio em lares com
pouca gente – e esses lares têm se tornado cada vez mais numerosos. Isso
porque, na maioria dos países desenvolvidos, as mulheres vêm tendo menos bebês,
e, quando os têm, decidem fazê-lo mais tarde. Ao mesmo tempo, há o aumento da
população idosa, cujos filhos já saíram de casa. Ninho e berço vazios reunidos,
sobram espaço, tempo e dinheiro para os bebês de quatro patas.
Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), outro mapeamento do IBGE, a
média de filhos por mulher, de 6,6 em 1940, baixou para 1,9, em 2010. Em
contrapartida, a faixa etária em que as mulheres decidem ter filhos vem
aumentando – entre as que possuem renda superior a cinco salários mínimos, a
idade é 32 anos. A mesmo Pnad confirma que o
número de idosos no país tem subido – a proporção deles na população foi de
8,2% em 2000, para 11,7%, em 2015. Outro índice que atesta a mudança no
perfil da população brasileira é o que mostra o aumento dos domicílios onde
mora uma só pessoa: em nove anos, houve um crescimento de 35%, sendo a maior
parte dos chamados “arranjos unipessoais” composta de pessoas com mais de 50 anos – potenciais pais de um
totó.
Aos motivos demográficos, juntam-se os econômicos para explicar a multiplicação dos bichos. O alto custo de criação de filhos e o
aumento do valor do metro quadrado dos imóveis residenciais nas grandes cidades
contribuem para afugentar delas as famílias que têm crianças. Em Portland, no Estado
do Oregon, autoridades constataram um crescente êxodo de famílias com filhos
pequenos. Pesquisa com 300 casais que haviam deixado a cidade revelou que, na
maior parte dos casos, a decisão de mudar se deu, sobretudo, por causa do alto preço das moradias e do desejo de
oferecer aos filhos mais espaço. São questões que afligem menos famílias sem
crianças ou pessoas que moram sós.
Por tudo isso, a população canina deve continuar crescendo
no Brasil, enquanto a de crianças seguirá caindo, indicam as projeções. Em 2020, haverá no país 41 milhões de
crianças e quase o dobro disso de cães: 71 milhões de animais, de acordo
com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpert). [ . . . ]
Para efeito de comparação, no mesmo período a população
infantil brasileira vai encolher, ano a ano, 1,3%. “Esse fenômeno também tem
relação com a subida da renda das famílias”, diz o demógrafo Reinaldo Gregori,
diretor da Consultoria Cognatis. [ . . . ]
Com tantos cachorros em busca de carinho e tantos donos
loucos para mimá-los, o mercado voltado para pets não conhece crise. “Mantivemos
nossa taxa de crescimento. No ano passado, vendemos
mais de 16 bilhões de reais em produtos”, explica José Edson de França,
presidente executivo da Abinpet. O
Brasil já é o segundo entre os maiores mercados mundiais para produtos de
animais domésticos, atrás apenas dos Estados Unidos. Os gastos com cães e gatos são superiores aos realizados com bebês.
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