11º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia

Evangelho: Marcos 4,26-34

4,26 Disse Jesus: “O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.
27 Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.
28 Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga.
29 Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita.
30 Dizia ele: A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?
31 É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes.
32 Mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
33 Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que ele lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender.
34 E não lhes falava, a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

PEQUENAS SEMENTES

Vivemos afogados em más notícias. Emissoras de rádio e televisão, noticiários e reportagens que descarregam sobre nós uma avalanche de notícias de ódios, guerras, fomes e violências, escândalos grandes e pequenos. Os «vendedores de sensacionalismo» não parecem encontrar outra coisa mais notável em nosso planeta.

A incrível velocidade com que se espalham as notícias e os problemas nos deixa aturdidos e desconsertados. O que alguém pode fazer diante de tanto sofrimento? Cada vez estamos melhor informados do mal que assola a humanidade inteira, e cada vez nos sentimos mais impotentes para enfrentá-lo.

A ciência nos quis convencer de que os problemas podem ser resolvidos com mais poder tecnológico. E lançou todos em uma gigantesca organização e racionalização da vida. Porém, este poder organizado não está mais em mãos das pessoas, mas nas estruturas. Converteu-se em «um poder invisível» que se situa bem além do alcance de cada indivíduo. Então, a tentação de nos inibirmos é grande. O que eu posso fazer para melhorar a sociedade? Não são os dirigentes políticos e religiosos que têm de promover mudanças que se fazem necessárias para avançarmos em direção a uma convivência mais digna, mais humana e feliz?

Não é assim. Há no evangelho um apelo dirigido a todos, e que consiste em semear pequenas sementes de uma nova humanidade. Jesus não fala de coisas grandes. O Reino de Deus é algo muito humilde e modesto em suas origens. Algo que pode passar tão despercebido como a semente mais pequena, porém que é chamado a crescer e frutificar de maneira insuspeitada.

Quem sabe, necessitamos aprender de novo a valorizar as coisas pequenas e os pequenos gestos. Não nos sentimos chamados a ser heróis nem mártires a cada dia, porém todos nós somos convidados a viver colocando um pouco de dignidade em cada rincão de nosso pequeno mundo. Um gesto amigo a quem vive desnorteado, um sorriso acolhedor a quem está sozinho, um sinal de proximidade a quem começa a se desesperar, um raio de alegria a um coração sobrecarregado... não são coisas grandes. São pequenas sementes do Reino de Deus que todos podemos semear em uma sociedade complicada e triste, que esqueceu o encanto das coisas simples e boas.

COM HUMILDADE E CONFIANÇA

Jesus se preocupava muito que seus seguidores terminassem o dia desalentados ao ver seus esforços por um mundo mais humano e feliz não ter obtido o êxito esperado. Será que se esqueceriam do Reino de Deus? Manteriam, ainda, sua confiança no Pai?

O mais importante é que não se esquecessem jamais de como deveriam trabalhar.
Com exemplos tomados da experiência dos camponeses da Galileia, anima-os a trabalhar sempre com realismo, com paciência e com grande confiança. Não é possível abrir caminhos para o Reino de Deus de qualquer maneira. Devem fixar-se na maneira como ele, Jesus, trabalha.

A primeira coisa que devem saber é que sua tarefa é semear, não colher. Não viverão dependentes dos resultados. Não lhes deverão preocupar nem eficácia nem o êxito imediatos. Sua atenção se centrará em semear bem o Evangelho. Os colaboradores de Jesus haverão de ser semeadores. Nada mais.

Depois de séculos de expansão religiosa e grande poder social, os cristãos devem recuperar na Igreja o gesto humilde do semeador. Esquecer a lógica do colhedor que sai sempre para recolher frutos e entrar na lógica paciente daquele que semeia um futuro melhor.

O início de toda semeadura sempre é humilde. Entretanto, trata-se de semear o Projeto de Deus no ser humano. A força do Evangelho não é nunca algo espetacular ou clamoroso. De acordo com Jesus, é como semear algo tão pequeno e insignificante como "um grão de mostarda" que germina secretamente no coração das pessoas.

Por isso, o Evangelho somente pode ser semeado com fé. É isso que Jesus deseja fazer-lhes ver com as suas pequenas parábolas. O Projeto de Deus de fazer um mundo mais humano traz dentro de si uma força salvadora e transformadora que não depende do semeador. Quando a Boa Notícia desse Deus penetra numa pessoa ou num grupo humano, ali começa a crescer algo que nos ultrapassa.

Na Igreja não sabemos, neste momento, como atuar nesta situação nova e inédita, em meio a uma sociedade cada vez mais indiferente a dogmas religiosos e códigos morais. Ninguém tem a receita. Ninguém sabe, exatamente, o que se há de fazer. Precisamos buscar caminhos novos com a humildade e confiança de Jesus.

Cedo ou tarde, os cristãos sentirão a necessidade de retornar ao essencial. Descobriremos que somente a força de Jesus pode regenerar a fé na sociedade descristianizada de nossos dias. Então, aprenderemos a semear com humildade o Evangelho como início de uma fé renovada, não transmitida por nossos esforços pastorais, mas gerada por ele.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 8 de junho de 2015 – 11h28 – Internet: clique aqui.

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