«Laudato Si'». Revista publica a íntegra do texto da nova Encíclica. Primeiras reações
Deutsche Welle
15-06-2015
De modo imprevisto, a versão online da revista italiana L'Espresso, na tarde do dia 15 de
junho, exatamente três dias antes do anúncio oficial, publicou na íntegra a «Carta
Encíclica Laudato Si' do Santo Padre
Francisco sobre o cuidado da casa comum».
Segundo
Giacomo Galeazzi, jornalista
especializado em assuntos do Vaticano, em comentário postado na versão online
do jornal La Stampa, afirma que o vazamento do texto é atribuído na Cúria
Romana aos círculos conservadores com duas finalidades:
1ª) enfraquecer a mensagem da encíclica
que em alguns pontos critica duramente as políticas ambientais dos países
economicamente hegemônicos;
2ª) atacar o Pontífice no
quadro das resistências à renovação da Igreja promovida por ele.
O
jornalista anota também que a revista L'Expresso,
nas últimas semanas, atacara alguns artigos da Civiltà Cattolica [revista dos jesuítas italianos].
Para acessar a matéria publicada pela revista L'Espresso, clique aqui.
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Primeira encíclica escrita por papa Francisco: "Laudato si'" (tradução: "Louvado seja") Citação de uma oração de São Francisco |
Enfim,
a encíclica já tem uma primazia
histórica: ela é a primeira que é
atacada antes ainda da sua publicação. Inclusive, foi atacada por ter entre
os seus consultores o economista Jeffrey
Sachs, que defende políticas de controle da natalidade. Isto, no entanto, é
totalmente desmentido pelo texto da encíclica que defende exatamente o
contrário.
Religión Digital, sítio espanhol de
informação religiosa, informa que fontes
vaticanas atribuem o vazamento da encíclica ao jornalista Sandro Magister [ler
artigo abaixo]. Magister tem sido um
jornalista muito crítico do atual pontificado.
Segundo
Gian Guido Vecchi, vaticanista do
jornal Corriere della Sera,
16-06-2015, «no Vaticano há uma grande
irritação, a "violação das regras de ser correto" é considerada um
movimento deliberado "contra o Papa e contra a encíclica", para
enfraquecer a apresentação do texto que critica o desequilíbrio entre o Norte e
o Sul do mundo e a política ambiental dos Países poderosos, fala da "regra de ouro" da "subordinação da propriedade privada à
destinação universal dos bens", e tinha sofrido duros ataques, antes
da publicação, sobretudo dos meios ultraconservadores americanos».
Vito Mancuso, teólogo italiano, em
artigo publicado no jornal La Repubblica,
16-06-2015, constata que há «três
conceitos decisivos na complexa interpretação bergoglina do cristianismo como
serviço e defesa do homem:
1º) o louvor, ou seja, a dimensão contemplativa, absolutamente essencial
para a espiritualidade jesuíta;
2º) o cuidado, a práxis voltada para o bem e para a justiça, um traço
peculiar da teologia da libertação sul-americana;
3º) a casa comum, ou seja, o bem comum e a dimensão comunitária da vida
humana, que é sempre vida de uma pessoa pertencendo a um povo. Precisamente por
causa desta terceira dimensão que o papa escreve que com o seu texto ele não se
endereça somente aos homens de Igreja e aos católicos, como é tradição para o
gênero literário das encíclicas, mas a todos os seres humanos».
Segundo
teólogo italiano, «tem-se uma sensação autêntica novidade ao menos por três
motivos:
1º) o estilo simples e imediato que recorda muito aquela água de que fala
o papa que "nos vivifica e restaura";
2º) a atenção dada às contribuições que normalmente não constituem as fontes
do magistério papal, como, por exemplo, as obras de outros líderes
religiosos entre os quais o patriarca de Constantinopla Bartolomeu e as
análises dos cientistas, sociólogos, economistas;
3º) a força surpreendentemente "laica" dos argumentos e da
argumentação».
No
entanto, Mancuso anota «a ausência de qualquer referência às grandes religiões
orientais, sempre muito atentas à
questão ecológica e à espiritualidade da natureza, muito antes do despertar do
cristianismo para a questão».
Fonte: Instituto Humanitas
Unisinos – Notícias – Terça-feira, 16 de junho de 2015 – Internet: clique aqui.
Vaticano pune jornalista que vazou
a nova encíclica do
papa
Redação
O texto oficial da encíclica será publicado nesta
quinta-feira, às 12 horas
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SANDRO MAGISTER Jornalista da revista italiana L'Espresso foi punido pelo Vaticano por divulgar fora do prazo a nova encíclica papal |
O
porta-voz oficial do Vaticano, padre Federico Lombardi, enviou uma carta ao
jornalista italiano [Sandro Magister]
do semanário que vazou a nova encíclica do Papa, que será apresentada
oficialmente na quinta-feira na qual ele retira "de forma indeterminada"
a credencial da Sala de Imprensa da Santa Sé.
«A
publicação do esboço da encíclica do Papa – embargada até a apresentação
oficial – realizada por você, representa uma evidente iniciativa incorreta,
fonte de fortes inconvenientes para muitos colegas jornalistas e de grave prejuízo
para o bom serviço desta Sala de Imprensa», afirmou Lombardi.
Lombardi
disse nesta segunda-feira que o documento publicado da Encíclica não era «o
texto final» e exortou os jornalistas a manterem o embargo do documento até a
próxima quinta-feira, às 12:00 horas, quando está prevista a publicação oficial.
«Foi
publicado o texto italiano de um esboço da Encíclica do Papa “Laudato si’”.
Afirma-se que ele não é o texto final e que a regra do embargo continua em
vigor», disse ele. Além disso, o Vaticano convidava os jornalistas a respeitar
a «correção jornalística que requer a espera da publicação do texto oficial.»
A nova
encíclica do Papa dedicada à proteção do meio ambiente – que será apresentada
na próxima quinta-feira no Vaticano – procura sacudir as consciências de «todos»
e influenciar na tomada de decisões sobre as emissões de gases de efeito estufa,
responsáveis pelo aquecimento global, da próxima Conferência sobre o clima
a ser realizada em Paris.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
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