CRIME CONTRA A LIBERDADE RELIGIOSA: IGREJA INCENDIADA EM ISRAEL
Terra Santa: bispos católicos condenam o
ataque contra a igreja em Tabgha
Staff Reporter
O templo guardado pelos beneditinos foi incendiado na
quinta-feira.
Os autores deixaram uma inscrição em hebraico.
Bispos pedem uma investigação.
![]() |
Um religioso examina os graves danos sofridos pelo Santuário da Multiplicação dos Pães e dos Peixes, em Tabgha - Mar da Galileia - Israel em 18 de junho (quinta-feira passada) |
A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa condenou fortemente o ataque, realizado por desconhecidos, ao templo da Multiplicação dos Pães e dos Peixes, em Tabgha (Israel), na costa do Mar da Galileia, custodiado pela ordem beneditina.
Trata-se de um “ato de
violência perpetrado por indivíduos intolerantes" indicam, "que
prejudicam a imagem da Terra Santa, ofendem os cristãos neste país e a Igreja
como um todo", denunciaram os bispos em um comunicado. O atentado "afeta a ideia de um Estado que se define
como democrático, tolerante e seguro", acrescentou.
Os
Ordinários Católicos da Terra Santa também advertiram que "tais atos criminosos danificam seriamente a coexistência das
comunidades religiosas no país". Por esta razão, salientaram que
"judeus, cristãos e muçulmanos, juntos, devem lutar contra tais
manifestações de violência e extremismo".
"Nos últimos meses,
outros ataques foram perpetrados contra lugares cristãos ou mesquitas e não se
deu continuidade às investigações. Dada a gravidade desses incidentes, exigimos
uma investigação imediata e que os autores deste ato de vandalismo sejam levados
à justiça", exigiram os bispos no seu comunicado.
Ainda
assim, a Assembleia de Ordinários Católicos agradeceu "aos líderes
políticos e religiosos que condenaram este ato e expressou a sua
solidariedade”. Mas recordou que a
“educação dos jovens nas escolas religiosas, deve enfatizar e favorecer a
tolerância e a coexistência".
"Nossa
sociedade precisa do nosso testemunho de respeito pela dignidade de cada homem
e mulher, o respeito pela sua fé e proteger a santidade de todos os lugares
santos e o seu acesso livre aos crentes", insistiram os bispos.
O santuário de Tabgha, construído há três
décadas sobre as ruínas de igrejas dos
séculos IV e V, ficou danificado por causa de um incêndio criminoso, de
acordo com a política e os bombeiros israelenses, que confirmaram que o fogo foi originado simultaneamente em
vários pontos na noite da quarta-feira passada.
O fogo destruiu dois prédios
ao redor da igreja, mas não afetou os valiosos mosaicos do interior da Igreja. Além disso, um monge
beneditino e um voluntário ficaram gravemente feridos por terem inalado fumaça
tóxica.
Os
autores do ataque incendiário deixaram em um dos muros do edifício uma inscrição em hebraico com tinta vermelha
que se refere a uma oração judaica contra a presença em Israel de "ídolos
pagãos".
![]() |
Um religioso beneditino caminha através das pichações feitas em tinta vermelha, as quais dizem: "ídolos serão lançados fora (expulsos)" - em hebraico. Foto: Menahem Kahana / AFP / Getty |
Esta
é a terceira vez que a comunidade
beneditina da Terra Santa foi afetada pela violência. No dia 27 de abril de
2014, em Tabgha, jovens extremistas judeus profanaram a cruz e o altar da
igreja. E na Abadia da Dormição, perto do Cenáculo, outro incêndio ocorreu no
dia 26 de maio de 2014, poucos minutos após a partida do Papa Francisco.
A polícia de Israel afirma ter detido 16 jovens que seriam os autores
deste atentado contra o santuário de Tabgha.
Leia a matéria, em inglês, clicando aqui.
Comentários
Postar um comentário