Catequese do Papa: misérias sociais que afetam as famílias
Rocio Lancho
García
Francisco
explicou que «a miséria
social é um drama que atinge as famílias seja nas grandes cidades, como no
campo: desemprego, condições precárias de trabalho, bairros sem infraestrutura,
serviços sociais e sanitários ineficazes, escolas sem qualidade, sem contar o
dano causado pelo consumismo e o narcisismo, tão difundidos pela cultura
mediática.»
[ . . . ]
Nesta quarta-feira, 3 de junho, Francisco continuou a série de catequeses sobre a família,
desta vez, centrada sobre a pobreza e a miséria que atingem a vida familiar.
O Papa destacou que “são vários os desafios que as famílias
devem enfrentar nos dias de hoje, entre os quais está a pobreza”.
Ele alertou que em alguns lugares, “como se não bastasse, a
situação fica agravada pela “mãe de todas as pobrezas”, que é a guerra”.
Contudo, apesar de tantos obstáculos, “existem muitas
famílias pobres que procuram, heroicamente, conduzir a sua vida quotidiana de
modo digno e honesto, tendo a Deus como seu único suporte”, destacou Francisco,
afirmando que “estas famílias são para nós uma escola de humanidade que salva a
humanidade da barbárie”, exclamou.
Ele disse ainda que a
Igreja, “que é mãe, deve ser pobre para tornar-se fecunda e dar uma resposta a
tanta miséria, através da oração e da ação”. [ . . . ]
No final da catequese, o Papa dedicou algumas palavras aos
jovens, aos doentes e recém-casados. Francisco recordou que junho é o mês
dedicado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Por isso, pediu que o Sagrado
Coração ensine aos jovens "a beleza de amar e ser amado", que seja
"apoio" para os doentes no momento da prova e do sofrimento, e
sustente os recém-casados "no caminho conjugal”.
Fonte: ZENIT.ORG –
Cidade do Vaticano, 3 de Junho de 2015 – Internet: clique aqui.
Eis o texto integral da
catequese papal:
![]() |
Papa Francisco pronuncia a sua Catequese sobre a Família Quarta-feira, 3 de junho de 2015 |
Queridos
irmãos e irmãs, bom dia!
Nestas
quartas-feiras temos refletido sobre família e sigamos adiante neste tema,
refletir sobre família. E a partir de hoje, as nossas catequeses se abrem, com
a reflexão à consideração da vulnerabilidade que tem a família, nas condições
da vida que a colocam à prova. A família tem tantos problemas que a colocam à
prova.
Uma dessas
provas é a pobreza. Pensemos em tantas famílias que povoam as periferias das
megalópoles, mas também nas zonas rurais. Quanta miséria, quanta degradação! E
depois, para piorar a situação, em alguns lugares chega também a guerra. A
guerra é sempre uma coisa terrível. Essa também afeta especialmente as
populações civis, as famílias. Realmente a guerra é a “mãe de todas as
pobrezas”, a guerra empobrece a família, uma grande predadora de vidas, de
almas e dos afetos mais sagrados e mais queridos.
Apesar
disso tudo, há tantas famílias pobres que com dignidade procuram conduzir a sua
vida cotidiana, muitas vezes confiando abertamente na benção de Deus. Esta
lição, porém, não deve justificar a nossa indiferença, mas sim aumentar a nossa
vergonha pelo fato de existir tanta pobreza! É quase um milagre que, mesmo na
pobreza, a família continua a se formar e até mesmo a conservar – como pode – a
especial humanidade das suas relações. O fato irrita aqueles planejadores de
bem-estar que consideram os afetos, as relações familiares como uma variável
secundária da qualidade de vida. Não entendem nada! Em vez disso, nós
deveríamos nos ajoelhar diante dessas famílias que são uma verdadeira escola de
humanidade que salva a sociedade das barbáries.
O que nos
resta, de fato, se cedemos à chantagem de César e do Dinheiro, da violência e
do dinheiro, e renunciamos também aos afetos familiares? Uma nova ética civil
chegará somente quando os responsáveis da vida pública reorganizarem os laços
sociais a partir da luta contra a espiral perversa entre família e pobreza, que
nos leva ao abismo.
A economia
de hoje muitas vezes é especializada no gozo do bem-estar individual, mas
pratica largamente a exploração dos laços familiares. Esta é uma contradição
grave! O imenso trabalho da família não é cotado nos balanços financeiros,
naturalmente! De fato, a economia e a política são mesquinhas de reconhecimento
a tal respeito. No entanto, a formação interior da pessoa e a circulação social
dos afetos têm justamente ali o seu pilar. Se os tiram, tudo vem a baixo.
Não é
somente questão de dinheiro. Falamos de trabalho, falamos de educação, falamos
de saúde. É importante entender bem isso. Ficamos sempre muito comovidos quando
vemos imagens das crianças desnutridas e doentes, que são mostradas para nós em
tantas partes do mundo. Ao mesmo tempo, também nos comove muito o olhar
brilhante de muitas crianças, privadas de tudo, que estão em escolas feitas de
nada, quando mostram com orgulho sua caneta e o seu caderno. E como olham com
amor o seu professor ou a sua professora! Realmente, as crianças sabem que o
homem não vive só de pão! Mesmo o afeto familiar; quando há a miséria as
crianças sofrem, porque elas querem o amor, as relações familiares.
Nós
cristãos devemos estar sempre mais próximos às famílias que a pobreza coloca à
prova. Mas pensem, todos vocês conhecem alguém: um pai sem trabalho, uma mãe
sem trabalho…e a família sofre, as relações se enfraquecem. Isso é ruim. De
fato, a miséria social atinge a família e às vezes a destroi. A falta ou a
perda de trabalho, ou a sua forte precariedade, incidem pesadamente sobre a
vida familiar, colocando à dura prova as relações. As condições de vida nos
bairros mais desfavorecidos, com os problemas de habitação e de transportes,
bem como a redução dos serviços sociais, de saúde, de escola, causam
dificuldades. A estes fatores materiais se soma o dano causado à família pelos pseudomodelos,
difundidos pelos meios de comunicação baseados no consumismo e o culto da
aparência, que influenciam as classes sociais mais pobres e incrementam a
desagregação das relações familiares. Cuidar das famílias, cuidar do afeto,
quando a miséria coloca a família à prova!
A Igreja é
mãe e não deve esquecer este drama dos seus filhos. Também essa deve ser pobre,
para se tornar fecunda e responder a tanta miséria. Uma Igreja pobre é uma
Igreja que pratica uma simplicidade voluntária na própria vida – nas suas
próprias instituições, no estilo de vida dos seus membros – para abater todo
muro de separação, sobretudo dos pobres. É preciso oração e ação. Rezemos
intensamente ao Senhor, que nos sacode, para tornar as nossas famílias cristãs
protagonistas desta revolução da proximidade familiar, que agora é tão
necessária! Dessa, dessa proximidade familiar, desde o início, é feita a
Igreja. E não esqueçamos que o julgamento dos necessitados, dos pequenos e dos
pobres antecipa o julgamento de Deus (Mt 25, 31-46). Não esqueçamos isso e
façamos tudo aquilo que podemos para ajudar as famílias a seguir adiante na
provação da pobreza e da miséria que atingem os afetos, as relações familiares.
Eu gostaria de ler outra vez o texto da Bíblia que escutamos no início e cada
um de nós pense nas famílias que são provadas pela miséria e pela pobreza, a
Bíblia diz assim: “Meu filho, não negues esmola ao pobre, nem dele desvieis os
olhos. Não desprezes o que tem fome, não irrites o pobre em sua indigência. Não
aflijas o coração do infeliz, não recuses tua esmola àquele que está na
miséria; não rejeiteis o pedido do aflito, não desvieis o rosto do pobre. Não
desvieis os olhos do indigente, para que ele não se zangue” (Eclo 4,1-5a).
Porque isso será aquilo que fará o Senhor – o diz no Evangelho – se não fazemos
essas coisas.
Tradução
de Jéssica Marçal.
Comentários
Postar um comentário