Mundo vive maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra, diz Anistia
Deutsche Welle
15-06-2015
ONG acusa comunidade internacional de "fracasso
vergonhoso" em enfrentar problema e alerta que situação é um dos maiores
desafios do século 21. "Nenhum país deve ser deixado sozinho",
afirma.
A Anistia Internacional acusou a
comunidade internacional de um "fracasso vergonhoso" diante do que
chamou de "a pior crise de
refugiados desde a Segunda Guerra Mundial", em relatório divulgado
nesta segunda-feira (15/06). Segundo a ONG, esse fracasso condena milhões de
pessoas a um sofrimento insuportável e leva a milhares à morte.
"Somos
testemunhas da pior crise de refugiados da nossa era, com milhões de homens,
mulheres e crianças lutando para sobreviver a guerras brutais e redes de
tráfico de pessoas, e governos que perseguem interesses políticos egoístas em
vez de demonstrarem compaixão", afirmou o secretário-geral da organização
não governamental, Salil Shetty, ao
apresentar o relatório em Beirute, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, em 20
de junho.
No
relatório, a Anistia Internacional faz várias recomendações, como a:
- Criação de um fundo para os refugiados e
- a adoção de um compromisso coletivo para a reinstalação de um milhão de refugiados nos próximos quatro anos.
"A
crise dos refugiados é um dos maiores desafios do século 21, mas a resposta da
comunidade internacional foi um fracasso vergonhoso. Precisamos de uma reforma
radical de políticas e de práticas para criar uma estratégia mundial
coerente", afirmou Shetty.
"A atual crise de
refugiados não se vai resolver se a comunidade internacional não reconhecer que
se trata de um problema mundial que exige que os Estados intensifiquem
significativamente a cooperação internacional", insistiu.
Segundo
a ONG, a situação é especialmente
desesperada para os quatro milhões
de refugiados da Síria, a maioria dos quais (95%) vive em cinco países
vizinhos – Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito – que estão
sobrecarregados com esse afluxo. "Nenhum
país deve ser deixado sozinho perante uma crise humanitária de grandes
proporções simplesmente porque partilha uma fronteira com um país em
guerra", disse Shetty.
A
organização adverte que muitos sírios, perante a reduzida assistência humanitária
que recebem nos países onde se encontram e a falta de perspectivas de regressar
para casa, provavelmente tentarão chegar à Europa através do Mediterrâneo,
"a rota marítima mais perigosa". Em
2014, 219 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo em "condições extremamente
perigosas", e ao menos 3.500 morreram.
A
organização saúda a decisão europeia de reforçar a operação Triton, mas apela para mais medidas, especialmente a criação de mais vias de imigração legal.
A operação Triton foi lançada em novembro de 2014 para ajudar a Itália a
controlar as fronteiras marítimas, mas foi inicialmente dotada de um orçamento
significativamente inferior à operação italiana que a antecedeu, a Mare Nostrum. Em abril, diante de mais
uma tragédia com refugiados no Mediterrâneo, os líderes europeus ampliaram a
área de ação e triplicaram o orçamento da operação.
O
relatório afirma ainda que há mais de
três milhões de refugiados na África subsaariana. Ao fluxo originário de
países que já estão há anos em crise, como o Sudão, o Congo e a Somália,
somam-se centenas de milhares de pessoas que tiveram de deixar países como o
Sudão do Sul, a República Centro-Africana, a Nigéria e o Burundi.
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