Relatório aponta falhas na segurança do WhatsApp
Ligia Aguilhar
Colaborou
Estevão Cançado
App é o último colocado em estudo que mostra empresas
que mais protegem os dados e a privacidade dos usuários
O
aplicativo de mensagens mais popular do Brasil, o WhatsApp, falha na proteção
dos dados e da privacidade dos usuários. Essa é a conclusão de um relatório
sobre o tema divulgado pelo grupo de defesa de liberdades civis na internet Electronic Frontier Foundation (EFF).
A
companhia desenvolvedora do WhatsApp, que tem 800 milhões de usuários no mundo
todo, ganhou apenas uma estrela de cinco
possíveis no relatório “Who has your
back?” (Quem te defende, em
tradução literal) que anualmente avalia como companhias de internet e
telecomunicações protegem a privacidade dos seus usuários.
As
empresas são avaliadas em critérios que incluem transparência com relação a
solicitações de governos e divulgação de política para armazenamento de dados.
Segundo
a EFF, o WhatsApp só foi aprovado quanto a sua oposição a “backdoors”, recurso implementado na fábrica que garante acesso
remoto ao sistema.
“Apesar da EFF ter dado à
companhia um ano inteiro para se preparar para a sua inclusão no relatório, ela
não adotou nenhuma das melhores práticas que nós identificamos” diz o texto. “O WhatsApp só
ganhou crédito pela posição pública do Facebook de se opor à brechas para expor
dados de usuários.”
O
WhatsApp começou a criptografar as mensagens enviadas por seus usuários no fim
do ano passado, como forma de proteger o conteúdo da conversa. O uso dessa tecnologia, porém, não foi
considerado na avaliação da EFF. Ao lado do WhatsApp, na última colocação, está
a empresa de telefonia americana AT&T.
Por
outro lado, Apple, Adobe, Dropbox, Yahoo, Wikimedia, WordPress.com e Credo Mobile
ganharam nota máxima do relatório, atendendo aos cincos pontos fundamentais
destacados pela EFF.
Google, Facebook, Twitter e Microsoft, que no ano passado foram
destaque com nota máxima, perderam credibilidade neste ano. Segundo a EFF, o Twitter e o Google falham em não informar seus usuários sobre solicitações de
dados pessoais feitos pelo governo. O Google
também não publica quais os parâmetros utiliza para responder a demandas da
Justiça – mesmo problema identificado na Microsoft.
As
falhas do WhatsApp
Segundo
o relatório da EFF, o WhatsApp:
- não segue boas práticas de segurança da indústria, como solicitar garantias antes de fornecer conteúdo de usuários para a Justiça;
- não publica relatórios de transparência ou um guia de pedidos judiciais de solicitação de dados;
- não promete avisar os usuários sobre pedidos de dados pessoais feitas por governos;
- não publica informações sobre sua política de retenção de dados, como o registro de endereços de IP ou de conteúdo deletado pelo usuário.
Apple
Embora
a Apple tenha tido um destaque positivo no estudo da EFF por tomar medidas para
evitar o monitoramento por governos, quando o assunto é proteção contra vírus e
hackers a empresa apresenta certa fragilidade.
Um
outro grupo de pesquisadores das universidades de Indiana, nos EUA, da
Universidade de Pequim, na China, e do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos
EUA, especializados em segurança da informação, divulgou, ontem, um artigo em
que detalham diversas falhas de proteção em produtos da Apple. Ao longo de 12
páginas, os autores revelam como
conseguiram roubar senhas bancárias e de e-mail de iPhones, iPads e Macbooks.
Os sistemas operacionais afetados foram o iOS
e o OS X.
Segundo
os pesquisadores, a maneira como os aplicativos da Apple se comunicam permitiu
que o grupo instalasse em um ambiente controlado um vírus disfarçado de
aplicativo (malware) na loja virtual da empresa. Quando era feito o download,
quase 90% dos demais aplicativos tinham suas informações roubadas sem que a
ameaça fosse detectada.
“A
consequência desses ataques é séria e incluiu o vazamento de senhas e todos os
tipos de dados confidenciais”, diz o documento.
O
grupo liderado por Luyi Xing, da Universidade de Indiana, afirmou que a
Apple foi noticiada por eles dos erros em outubro do ano passado. Na ocasião, a
empresa pediu seis meses para responder. Até o lançamento do artigo, no final
de maio, o grupo não tinha recebido nenhum retorno.
O
caso chama a atenção, já que há pouca literatura sobre falhas nos sistemas da
Apple e levanta suspeitas se hackers já podem ter utilizado esses métodos para
roubo de dados.
Veja
a avaliação das empresas na íntegra:
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