Brasil: um país mais pobre ! ! !
PIB per capita retrocede cinco anos
Luiz Guilherme
Gerbelli
Dados do FMI mostram que
renda dos brasileiros deve cair para
US$ 15 mil este ano, depois
de ter atingido US$ 16,2 mil em 2014
A atual crise econômica parece ter reforçado ainda
mais a armadilha da renda média que prende o Brasil. Com a pior recessão desde a década de 30, pelo menos, o empobrecimento
do País deve levar o Produto Interno Bruto (PIB) per capita ao mesmo patamar de
cinco anos atrás. Os recentes dados divulgados pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) mostram que o PIB per capita deverá encolher para US$ 15
mil em 2016. Em 2011, era de US$ 15,1 mil.
A crise atual marca uma inversão de tendência.
Embora o País tenha enfrentado turbulências internacionais ao longo dos anos,
sempre conseguiu manter um avanço da renda. No auge, em 2014, o PIB per capita brasileiro chegou a US$ 16,2 mil.
A previsão atual é que esse patamar só seja superado novamente em 2020 (ver quadro abaixo). Dessa forma, a
economia brasileira deverá ficar um bom tempo estagnada na atual década.
Os dados do FMI foram calculados em Paridade do Poder de Compra (PPC). Ou
seja: leva em conta não o valor nominal da moeda local em relação ao dólar, mas
quanto ela pode comprar, o que torna possível a comparação entre os países.
Dessa forma, mais preocupante do que a
queda da renda do brasileiro passa a ser a comparação com outras economias.
Neste ano, segundo o fundo, o PIB per
capita da China será de US$ 15,1 mil e ultrapassará o brasileiro pela primeira
vez. Nos Estados Unidos, por
exemplo, a cifra chega a US$ 57,2 mil.
O
caminho do Brasil para voltar a crescer e, consequentemente, enriquecer, passa
por três desafios, segundo economistas:
[1º] Nos próximos anos, será
preciso elevar a taxa de investimento,
[2º] melhorar a qualidade da educação e,
[3º] numa combinação desses
dois desafios, aumentar a produtividade.
“Para o aumento da produtividade entram questões mais estruturais, como:
* a melhora de ambiente de negócios, que
passa
* por regulação,
* desburocratização,
* melhora do sistema tributário e
* abertura de economia”,
diz Alessandra Ribeiro, economista e sócia da
Tendências Consultoria Integrada. Para a Tendências, quando se calcula o PIB
per capita sem eliminar os efeitos do câmbio, o futuro brasileiro será ainda
mais pobre. Em 2026, a renda média será de US$ 10.736.
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Produtividade
O entrave começa a surgir quando são analisados
todos os fatores que podem contribuir para o aumento do PIB per capita. O investimento está em queda. Na educação, o Brasil figura nas últimas posições dos rankings internacionais e os
indicadores nacionais ainda não apontam para uma melhora consistente. Por fim, a produtividade também está em queda.
“Uma análise de todos os setores da economia nos
últimos anos mostra que só houve aumento
da produtividade na agricultura por causa da adoção de novas tecnologias e
pesquisas”, diz Naercio Menezes Filho,
coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP). “Na indústria, a produtividade está estagnada e, no setor de serviços,
está em queda”, diz.
Nas últimas décadas, a produtividade da economia
brasileira só cresceu de forma mais consistente entre as décadas de 60 e 80,
quando boa parte dos brasileiros trocou o trabalho agrário pelo industrial.
Desde então, o País vem patinando. “Esse
problema vem desde 1980. É algo estrutural. Tem alguma coisa errada com a nossa
economia, porque não conseguimos aumentar a nossa produtividade”, afirma
Menezes Filho.
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