Torcer contra só piora!
Ruim com ele, pior sem ele
Editorial
O
agravamento da crise política provocado pela queda de mais um ministro de
Michel Temer por suspeita de conspirar contra a Operação Lava Jato coloca o
País diante de uma questão vital: afinal,
o que queremos? Não se trata, obviamente, de saber se os brasileiros estão
convencidos de que a situação econômica é caótica e exige mudanças radicais.
Tampouco se questiona o que – exceto para quem tem o rabo preso – é unanimidade
nacional: o combate sem tréguas à praga
da corrupção no trato da coisa pública. Mas permanece a questão que não
deveria existir e que, existindo, é vital: afinal,
quem tem a responsabilidade de governar o País neste momento crítico?
Afastada
provisoriamente a presidente da República, está
no exercício do cargo o vice-presidente Michel Temer. Isto é o que determina a
Constituição. Mas a solução constitucional não pacifica o País, por duas
razões principais:
Primeiro, porque o grupo político afastado do poder não
reconhece a constitucionalidade do processo de impeachment, que resolveu chamar de “golpe”, e simplesmente
partiu para a retaliação, questionando tudo, não apenas a legitimidade do atual
Poder Executivo, como também a do Judiciário e a do Legislativo.
Em segundo lugar,
porque o apoio da esmagadora maioria dos
brasileiros ao impeachment não se
transferiu automaticamente para o presidente em exercício, seja porque o
partido interinamente no poder, o PMDB,
foi o principal aliado do PT nos últimos 14 anos, seja porque o Ministério de Michel Temer tem
negligenciado bandeiras relevantes para a opinião pública, em especial a
questão da intocabilidade da Operação Lava Jato.
Embora
não haja dúvida de que a maioria dos brasileiros não
deseja a volta de Dilma Rousseff à Presidência, a opinião pública parece dividida quanto a dar o necessário apoio ao
governo provisório. Na verdade, essa
divisão é mais aparente do que quantitativamente significativa, uma vez que
se manifesta nas ruas por meio da multiplicação bem orquestrada de pequenos grupos militantes de organizações
sociais e entidades controladas pelo PT e pelos aliados que lhe sobraram [veja foto abaixo]. E também ecoa na
mídia, a partir dos argumentos oferecidos de bandeja pelo governo provisório,
pela voz de intelectuais, acadêmicos e artistas no mais das vezes
historicamente apoiadores do lulopetismo.
MTST (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO) INVADE O HALL DO PRÉDIO QUE SEDIA O ESCRITÓRIO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM SÃO PAULO, NA AVENIDA PAULISTA - CAPITAL Quarta-feira, 1 de junho de 2016 |
Assim, se Temer não serve,
quem vai governar o País? Dilma de volta? O próprio PT, Lula à frente, treme diante
dessa hipótese, porque não quer correr o risco de acabar afundando de vez no
repúdio dos brasileiros. Novas eleições
presidenciais? Como? Isto sim seria um golpe contra a Constituição, a não
ser na hipótese absolutamente improvável de que o Congresso aprove a tempo uma
emenda constitucional, a partir de uma mais improvável ainda renúncia de ambos
ou cassação simultânea dos mandatos de Dilma e Temer. E é bom ter sempre em mente que – a não ser que a tal emenda
constitucional resolva isso –, se a
vacância da Presidência da República se der a partir do próximo 1.º de janeiro [2017], a eleição será
indireta, por senadores e deputados federais. Como se vê, toda essa
discussão é, no mínimo, esdrúxula. No entanto, ela serve às mil maravilhas para
quem quer manter o Brasil em estado de constante instabilidade. E não faltam
pessoas de bem, mas desinformadas, a alimentar essa situação que, no fundo,
todos querem evitar.
[Quem perde se o Brasil continuar na instabilidade, na
incerteza e sem tomar medidas urgentes contra a atual crise? E, ao contrário, A
QUEM INTERESSA e POR QUE INTERESSA que a situação política e econômica do país
continue ruim e caótica?
Pense bem...]
Tem
toda razão, portanto, Eliane Cantanhêde
em sua coluna de terça-feira [31 de maio] no O Estado de S. Paulo: "Ruim com ele, pior sem ele". De fato,
o governo chefiado por Michel Temer é a solução constitucional para o impasse
político criado pela incompetência e pelos crimes de responsabilidade
praticados por Dilma Rousseff. Mas está, inegavelmente, longe de ser a solução sonhada pela maioria dos brasileiros para os
graves problemas que herdamos do lulopetismo.
Michel Temer, contudo, é o
que temos para REVERTER O PESSIMISMO que um PT revanchista tenta incutir nos
brasileiros.
É um grande desafio, mas a equipe econômica é reconhecidamente competente e
parece saber o que fazer para tirar o Brasil do fundo do poço em que foi jogado
pelo populismo irresponsável. Se o
governo interino contar com o apoio do Congresso, brevemente o País poderá ter
as primeiras boas notícias no longo e espinhoso caminho que tem pela frente.
O que não resolve nada, só piora a situação, é torcer contra.
Comentários
Postar um comentário