Mais um vexame da era Lula!
Operadora de telefonia Oi,
eleita “campeã nacional” no governo Lula, sucumbiu à crise
Luiz Guilherme Gerbelli e Mônica Scaramuzzo
Política usada no governo
Lula de ajudar algumas empresas para concorrer com as multinacionais, para
economistas, criou distorções
A operadora tentou, nesses últimos meses,
renegociar uma dívida financeira de cerca de R$ 50 bilhões, sem sucesso. No
processo protocolado nesta segunda-feira (20 de junho), na Justiça do Rio, a empresa declara débitos totais de R$ 65,4
bilhões. A diferença refere-se a contingenciamentos (disputas judiciais),
de cerca de R$ 13 bilhões, e dívidas com fornecedores.
O pedido de
recuperação judicial da Oi mostra que a política encampada durante o governo do
PT de criação de grandes empresas, capazes de
competir globalmente, com a ajuda do BNDES [Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], foi, no mínimo, discutível. Apesar de toda a ajuda federal, essas
companhias nem sempre se mostraram capazes de assumir a posição de liderança
que almejavam. No caso específico da Oi, a
“supertele nacional” jamais chegou a
ameaçar a posição das rivais Vivo, Claro e TIM em telefonia celular. [Mas o dinheiro do povo, através do BNDES, jorrou fartamente
para a Oi e outras grandes empresas do capitalismo apadrinhado brasileiro!!!]
Entre outros negócios que foram eleitos como
prioritários pelo governo, o resultado foi variado: enquanto a JBS se tornou líder global em carnes e
a Fibria é a maior empresa de
celulose do País, a LBR, de lácteos,
pediu recuperação judicial e saiu do
mercado. O frigorífico Marfrig
também tem atuado no vermelho e teve de
vender ativos.
A
“supertele nacional” surgiu em 2008, quando a Oi se fundiu com a Brasil Telecom,
criando à época uma empresa com atuação em todos os Estados, à exceção de São
Paulo. Para que essa fusão fosse feita, o governo teve de mexer na legislação –
havia uma série de entraves legais aos negócios.
Em
2013, também com uma ajuda do governo, a Oi, já em dificuldades, se uniu à
Portugal Telecom. A ideia foi vendida, à época, como uma
forma de criar uma multinacional de língua portuguesa capaz de concorrer até em
outros continentes. Mas nada disso deu
certo, a dívida da empresa não parou de subir e acabou culminando na
recuperação judicial.
![]() |
FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA (filho do ex-presidente Lula): era sócio da empresa GAMECORP que chegou a receber milhões de reais da Oi. A parceria Oi-Gamecorp começou em 2005, quando a operadora aumentou o capital da empresa em R$ 2,7 milhões e pagou R$ 2,5 milhões pela exclusividade dos serviços. Em 2006, injetou outros R$ 5 milhões. Para saber mais, clique aqui. |
Malsucedido
Para Sergio
Lazzarini, professor do Insper, a política chamada de campeãs nacionais tem
mais casos de insucessos. “Nossos estudos mostram que o BNDES até ajudou
companhias no passado. As que prosperavam eram aquelas que precisavam de
capital e tinham bons projetos”, diz. A
Embraer, por exemplo, foi um caso que contou com ajuda estatal e conseguiu
prosperar. “No caso da Oi, houve uma conjugação política importante. Foi
uma movimentação que buscava duas coisas: resolver os conflitos que estavam
ocorrendo entre os acionistas e a decisão do governo Lula de criar grandes
grupos.”
De acordo Lazzarini, a política de campeã nacional
acabou no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. “Um divisor de águas foi a tentativa do Abílio Diniz de fundir o Carrefour e o Pão de Açúcar, com o dinheiro do BNDES. Na época, foi extremamente
criticado.”
Em entrevista recente, Rodrigo Zeidan, professor de
economia da Fundação Dom Cabral, disse que um
dos problemas da política de campeãs nacionais foi não ter focado em setores
estratégicos, mas sim em empresas que mantinham boa relação com o governo.
[É o “capitalismo dos compadres”, ou seja, aos amigos
tudo, mesmo que o dinheiro seja do povo! Somente o BNDES, de 1998 a 2014, emprestou
para a Oi quase R$ 19 bilhões! É mole???]
Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, em 2013, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que a
promoção da competitividade de grandes empresas era uma política que havia se
exaurido. Coutinho contestou, à época, o termo “campeãs nacionais”. O BNDES diz
que associar o banco a campeãs nacionais pressupõe que há privilégios a poucas
empresas, o que seria incorreto.
Prioridade
Pelo menos, agora, em recuperação judicial, o BNDES terá uma vantagem. Os credores com garantia real – casos do
BNDES e o BRB (Banco de Brasília) – são os que deverão receber primeiro, além
das dívidas trabalhistas. Os credores restantes entram na mesma fila. “No
fundo, o pedido de recuperação judicial não é ruim para a Oi. Eles caíram na real de que a situação é
crítica e que a reestruturação terá de ser feita”, disse uma fonte a par do
assunto.
Comentários
Postar um comentário