Onde está o ajuste das contas do Governo?
“Pacote de bondades” de Michel Temer chega
a R$ 125 bilhões
Alexa Salomão
Mesmo com pressão sobre o Orçamento, governo tenta
ampliar apoio político no curto prazo a fim de aprovar projetos como a PEC que
fixa teto para o gasto.
Ou seja, gasta-se mais agora para tentar gastar menos
depois, seria isso???
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MICHEL TEMER assina aumento dos benefícios do Bolsa Família e mais verbas para educação básica de Estados e Municípios Palácio do Planalto - Brasília (DF), 29 de junho de 2016 |
O
presidente em exercício Michel Temer anunciou nesta quarta-feira, 29 de junho,
um aumento médio dos benefícios do Bolsa
Família de 12,5%, mais a liberação
de R$ 742,8 milhões para a educação básica de Estados e municípios. Apesar
de elevar a previsão de gastos no momento em que o mercado espera corte de
despesas, o reajuste não surpreendeu especialistas em contas públicas. Foi
recebido como mais uma benesse na leva de concessões que o governo vem
promovendo desde que assumiu em 12 de maio e que já soma cerca de R$ 125,4 bilhões em gastos e renúncias
fiscais – com impactos já neste ano e até 2018.
O corte imediato de despesas
é considerado difícil e a avaliação é de que ainda é preciso esperar a decisão
final do impeachment. A visão geral é de que o governo adotou como estratégia cimentar
apoio político, ainda que ele cause pressão sobre as contas públicas no curto
prazo, para garantir a aprovação de reformas de longo prazo, polêmicas, mas
fundamentais para a retomada do crescimento. Entre as prioridades estariam a
aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC), que fixa o teto para o gasto, e a reforma da Previdência.
“O que fizeram de concreto até agora foi
ampliar o déficit para conseguir incluir uma série de aumento que eles acham
que precisam ser feitos, como o aumento do funcionalismo e a negociação das
dívidas dos Estados, que era importante. No entanto, não está clara qual a
contrapartida dos Estados nem como o teto dos gastos vai funcionar. Falta
clareza”, afirmou Nelson Marconi,
coordenador executivo do Fórum de Economia
da Escola de Economia de São Paulo
Fundação Getulio Vargas (FGV). [ . . . ]
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MANSUETO ALMEIDA Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda Economista especialista em contas públicas |
Mudanças
de longo prazo
Segundo
o secretário de Acompanhamento Econômico
do Ministério da Fazenda, Mansueto
Almeida, não é verdade que o governo
esteja cometendo “excessos” que pioram a situação das contas públicas. “Nós
chegamos aqui e encontramos uma situação muito complicada, até pagamento de tarifa de banco estava atrasado. E agora estamos
dizendo não para um bocado de coisas”, afirmou.
Mansueto,
porém, ressaltou que a atual equipe está
focada em realizar um ajuste fiscal estrutural e de longo prazo. “Até amigo
meu que trabalha no mercado financeiro já veio aqui cobrando as medidas de
curto prazo e eu respondo: historicamente
o Brasil só fez ajustes de curto de prazo, cortando investimento e elevando
carga tributária. Já sabemos que não é o caminho”, disse. Segundo ele, a
primeira mudança importante é a fixação do teto de gastos: “Acho que as pessoas ainda não entenderam como ele será rigoroso e a
imensa mudança que vai promover”.
IMPACTO
DAS MEDIDAS NAS CONTAS
* R$ 68 bilhões
é a despesa prevista com o reajuste ao
funcionalismo, incluindo inativos até 2018
*
R$ 50 bilhões é a despesa prevista com ajuda aos Estados, por meio de renúncia
fiscal, até 2018
*
R$ 2,9 bilhões é a despesa
prevista com o Rio de Janeiro
após o Estado decretar calamidade
*
R$ 2,8 bilhões é a despesa anual prevista com o reajuste do Bolsa Família, além de recursos para a educação básica
*
R$ 1,7 bilhão é a despesa prevista com ampliação, por meio de renúncia fiscal,
do Supersimples
ENQUANTO ISSO...
Mais de 11,4 milhões de trabalhadores brasileiros
estão desempregados
UOL, em São
Paulo
Os setores mais atingidos foram Construção Civil, a
Indústria e o Comércio.
Setores tem taxas de desemprego de 5,1%, 3,9% e 1,7%,
respectivamente.
O
desemprego no país atingiu, em média, 11,2%
nos três meses até abril. É a maior taxa registrada pela pesquisa, que
começou a ser feita em 2012.
No
período, o número de desempregados no
Brasil chegou a 11,4 milhões de pessoas.
Os
dados foram divulgados nesta terça-feira (31 de maio) e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). São pesquisadas 211.344
casas em cerca de 3.500 municípios. A pesquisa usa dados de trimestres móveis,
ou seja, de três meses até a pesquisa. Na de abril, são usados dados de
fevereiro, março e abril.
O IBGE considera
desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à
semana em que os dados foram coletados.
Comparação
com resultados anteriores
Entre fevereiro e abril de
2016, a taxa de desemprego foi de 11,2%:
* no trimestre anterior (nov-15 a jan-16), havia sido de 9,5%;
* um ano antes (fev-15 a abr-15), havia sido de 8%;
* no trimestre encerrado em março (jan-16 a mar-16), havia sido de
10,9%.
O número de desempregados
chegou a 11,4 milhões de pessoas:
* no trimestre anterior (nov-15 a jan-16), havia sido de 9,6 milhões
(alta de 18,6%);
* um ano antes (fev-15 a abr-15), havia sido de 8 milhões (alta de 42,1%);
* no trimestre encerrado em março (jan-16 a mar-16), havia sido de 11,1
milhões (alta de 2,9%).
População
ocupada
Segundo
a pesquisa, nos três meses até abril, 90,6 milhões de pessoas tinham trabalho.
Esse número caiu 1,7% em um ano, representando 1,5 milhão de pessoas.
Na
comparação com o trimestre de novembro de 2015 a janeiro de 2016, a queda foi
de 1,1%.
Número
de carteiras assinadas cai 4,3%
Aproximadamente 1,5 milhão
de pessoas ficaram sem carteira assinada em um ano, de acordo com a pesquisa,
uma queda de 4,3%. Na comparação com o trimestre de novembro de 2015 a janeiro
de 2016, a queda foi de 1,8%.
Esses números são apenas de
carteiras assinadas no setor privado, não levando em conta trabalhadores de
setores públicos, segundo o IBGE.
Rendimento
médio de R$ 1.962
O rendimento médio real (ajustado pela
inflação) dos trabalhadores nos três meses até abril foi de R$ 1.962, caindo
3,3% em um ano. No mesmo período de 2015, o rendimento era de R$ 2.030. [E a inflação, só sobe!!! Custo da alimentação está pela
hora da morte!!!]
Em
comparação com o trimestre de novembro de 2015 a janeiro de 2016, o rendimento
ficou estável, segundo o IBGE.
Emprego
cai na indústria, comércio e construção
Em relação ao trimestre de
novembro de 2015 a janeiro de 2016, três atividades tiveram queda no emprego:
* indústria (-3,9% ou menos 473 mil pessoas),
* construção (-5,1% ou menos 400 mil pessoas) e
* comércio (-1,7% ou menos 302 mil pessoas).
As
demais ficaram estáveis, segundo o IBGE.
Em
um ano, a indústria demitiu -11,8%
ou 1,6 milhão de pessoas. Enquanto os setores de informação, comunicação
e atividades financeiras demitiu -7,8%, ou seja, menos 820 mil pessoas
ficaram sem trabalho nessas áreas.
Por
outro lado, houve aumento de emprego em
transporte, armazenagem e correio (5,3%, ou 227 mil pessoas); serviços domésticos (5,1%, ou 306 mil
pessoas) e administração pública,
defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,5%,
ou 384 mil pessoas).
Três
pesquisas sobre emprego
O
IBGE fazia outras duas pesquisas mensais com dados de desemprego, mas agora tem
apenas a Pnad Contínua mensal, que é
nacional.
A PME (Pesquisa Mensal de Emprego) media
a taxa mês a mês, com base em seis regiões metropolitanas: Recife, Belo
Horizonte, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A última
divulgação da PME foi em março e indicou que o desemprego atingiu 8,2% em
fevereiro.
A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e
Salário (Pimes) foi divulgada até fevereiro deste ano e, depois, encerrada.
Segundo ela, o número de trabalhadores na indústria em 2015 caiu 6,2%, quarto
ano seguido de queda e o maior tombo desde 2002, quando a pesquisa começou a
ser feita.
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