Trágico fim de um populismo ineficiente!
Crise e violência cancelam
40% das aulas
na Venezuela
Associated Press
Diretora de escola pediu aos
pais que crianças fiquem em casa se não tiverem condições de se alimentar;
professores fogem do país
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MARÍA ARIAS Uma estudante de destaque e interessada em seus estudos, mas que não consegue mais estudar, pois os professores não comparecem para lecionar e outros são assassinados! |
O
crime em alta e o caos econômico que assolam a Venezuela está golpeando o
outrora promissor sistema escolar do país, roubando de estudantes pobres
qualquer chance de uma vida melhor. Oficialmente, 16 dias
de aulas foram cancelados desde dezembro.
Na verdade, as
crianças venezuelanas perderam em média 40% das aulas, calcula um grupo de
pais de alunos, uma vez que um terço dos
professores falta a qualquer dia para ficar nas filas de abastecimento. [Isso mesmo, professores deixam de lecionar para não passar
fome! Afastam-se das salas de aula para ficarem nas filas aguardando sua vez de
levar algum alimento para casa!]
A estudante María
Arias guardou os cadernos na mochila, pegou uma banana para dividir com o
irmão e a irmã e seguiu para a escola secundária por ruas estreitas de Caracas,
ruas tão violentas que táxis não vão ali por dinheiro nenhum. María esperava que pelo menos um dos
professores aparecesse.
A primeira aula foi cancelada porque o professor
informou que estava doente. A aula de história foi suspensa. Também não houve aula de educação física: o
professor havia sido assassinado a tiros semanas antes. Já o professor de espanhol dispensou os alunos
mais cedo, obedecendo ao toque de recolher imposto por uma gangue.
“É
uma armadilha”, queixou-se a garota franzina de 14 anos. “Você arrisca a vida para ficar quatro horas
esperando, sem fazer nada. Mas tem de continuar vindo, pois é o único modo de
sair daqui.”
Na escola de María, foram tantos os estudantes que desmaiaram de fome que a diretoria pediu
aos pais de alunos subnutridos que os mantenham em casa. E embora a escola
tranque o portão bandidos armados dão um jeito de entrar e assaltar os alunos
nos intervalos. “Esse país abandonou suas crianças. Quando nos dermos conta das
consequências, não haverá como consertar”, disse a porta-voz do Movimento de Pais Organizados, Adelba
Taffin.
Até
recentemente, as escolas da Venezuela estavam entre as melhores da América do
Sul, e o presidente Hugo Chávez elevou a educação a
ponto central de sua revolução socialista. Mas
em poucos anos a queda no preço do petróleo e erros na condução da economia
puseram o país de joelhos, assim como os 7 milhões de estudantes de escolas
públicas. Professores fogem do país, a evasão anual dobrou e mais de um
quarto dos adolescentes não está matriculado.
A escola de María, de 1.700 alunos, fica entre uma
favela e o que já foi um bairro de classe média na capital, Caracas. A escassez castiga ainda mais os estudantes
de fora da capital, com escolas fechando às vezes por semanas seguidas.
ABANDONO
María é estudiosa, a ponto de os colegas a chamarem
de “Wikipédia”. Começou o ano com sonhos de se formar contadora e morar em
Paris. Seus pais economizaram para comprar-lhe 12 cadernos, um para cada
disciplina. Nove meses depois, a maioria das páginas continua em branco.
Sua
professora de economia, Betty Cubillan, há poucos dias faltou por uma semana e
meia. Disse que comparece para dar aulas à medida que
pode, ganhando o equivalente a US$ 30
por mês. “Se não ficar na fila, não
como. Quem ficará por mim?”, pergunta.
Cerca
de 40% dos professores faltam pelo menos um dia por semana para tentar comprar
comida, segundo a Federação
dos Professores da Venezuela. A diretora da escola, Helena Porras, pediu a
supermercados das proximidades que deixem os professores passar na frente nas
filas. E puniu professores que têm aprovado alunos em troca de produtos
escassos como leite e farinha.
María já viu assaltos, saques e linchamentos a
caminho da escola. Um dia enfrentou um garoto que apontou uma arma para a irmã
e exigiu os celulares das jovens. A
estudante, com humor negro, comenta que o bilhete do metrô é a coisa mais
barata que se pode comprar em Caracas: dá direito a se jogar na frente de um
trem e acabar com os problemas.
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