Propina geral e irrestrita para todos os partidos!
Do PCdoB ao DEM, propina de
Machado não
conhece ideologia
Gil Alessi e Afonso Benites
Ex-presidente da Transpetro
envolveu políticos de seis legendas no esquema
de corrupção investigado
pela Lava Jato
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POLÍTICOS CITADOS COMO RECEBEDORES DE PROPINA PELO EX-PRESIDENTE DA TRANSPETRO SR. SÉRGIO MACHADO EM SUA DELAÇÃO À JUSTIÇA [Clique sobre a imagem para ampliá-la e ver melhor] |
Em uma das delações mais ecléticas do ponto de
vista partidário desde o início da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado narra o pagamento de propinas em dinheiro vivo e
disfarçadas de doações de campanha a dezenas de políticos de diferentes matizes
ideológicos.
PMDB,
PT, PP, DEM, PSDB e PCdoB são as legendas citadas.
Em todos os casos, os recursos teriam
como origem repasses irregulares de empresas que obtinham contratos com a
estatal. De acordo com Machado, os pagamentos começaram em 2004, e se
tornaram mensais a partir do momento em que Edison Lobão (PMDB-MA) assumiu o ministério de Minas e Energias, em
fevereiro de 2008. “A partir daí a
Transpetro passou a ter mais capacidade de investimento, gerando mais contratos
e, consequentemente (...) permitindo
arrecadar mais propina”. Machado diz
que no total repassou 100 milhões de reais a políticos do PMDB.
Veja quem foram os principais citados na delação.
Michel Temer (PMDB-SP)
É a primeira vez que o nome do presidente interino
é citado diretamente por um delator da Lava Jato como envolvido em um ato que
ele saberia ser ilícito. Conforme depoimentos que Machado concedeu ao
Ministério Público Federal, Temer
solicitou que ele obtivesse 1,5 milhão de reais de propina para a campanha de
seu aliado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo no ano de 2012. Em
nota, Temer afirmou que “sempre respeitou estritamente os limites legais para
buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos
ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros
candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas”.
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RENAN CALHEIROS Este Senador e Presidente do Senado pelo PMDB de Alagoas foi quem indicou Sérgio Machado para a presidência da TRANSPETRO e o que mais recebeu propina, segundo o delator! |
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Em seu depoimento, Machado diz que “em 2004 ou
2005” Renan o procurou e disse que “precisava
manter sua estrutura e suas bases políticas”, indagando se ele não poderia
colaborar. De acordo com o delator, estava
implícito que o senador “não esperava que os aportes fossem feitos de meus
recursos próprios”, e sim via propinas pagas por contratos com a Transpetro.
As reuniões entre os dois ocorriam mensalmente para acertar os repasses, que totalizaram 32 milhões de reais, 8,2
milhões via doações oficiais de campanha feitas pela Queiroz Galvão, Galvão
Engenharia e Camargo Correa. Em nota, o senador diz que “jamais recebeu
recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja. Todas as doações de
campanhas eleitorais ocorreram na forma da Lei, com as prestações de contas
aprovadas pela Justiça”. Calheiros já é alvo de diversos inquéritos da Lava
Jato.
Aécio Neves (PSDB-MG)
Machado afirma que ajudou a captar recursos
ilícitos para a campanha do hoje senador tucano à presidência da Câmara dos
Deputados em 2001. Os recursos foram
usados para financiar a campanha de 50 parlamentares simpáticos ao parlamentar
mineiro. No total, as doações
irregulares totalizaram 7 milhões de reais. "Esses recursos ilícitos
foram entregues em várias parcelas em espécie, (...) aos próprios candidatos ou
a seus interlocutores. A maior parcela foi destinada ao então deputado Aécio
Neves, que recebeu 1 milhão em dinheiro", afirmou o delator. O senador já é investigado em dois
inquéritos da Lava Jato. Em nota, Aécio afirma que "são acusações
falsas e covardes de quem, no afã de apagar seus crimes e conquistar os
benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar".
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JOSÉ SARNEY Que já foi Presidente da República pelo PMDB é, segundo Sérgio Machado, o patriarca do partido, sem o seu conhecimento e beneplácito nada acontece! |
José Sarney (PMDB-MA)
Em 2006 Machado diz ter sido procurado por Sarney,
que relatou “dificuldades em manter sua
base política no Maranhão e no Amapá”, e pediu ajuda financeira. No total, o delator afirmou ter repassado 18,5
milhões de reais ao então senador, sendo que 2,2 milhões foram pagos via
doações oficiais das empreiteiras Camargo Correa e Queiroz Galvão para suas
campanhas de 2010 e 2012. O advogado de Sarney negou as acusações de Machado.
Romero Jucá (PMDB-RR)
Na delação, Machado afirma que acertou os repasses
com Jucá, que apoio sua nomeação para a Transpetro. Ele afirma que ia ao Senado mensalmente, onde entrava pela
garagem para se encontrar com o senador. Jucá teria recebido 21 milhões de reais, sendo 4,2 milhões em
doações oficiais de campanha pagas pela Camargo Correa e Queiroz Galvão em 2010
e 2014. Os advogados de Jucá negaram que o senador tenha recebido valores
indevidos. Gravações feitas por Machado já haviam levado, no mês passado, à
queda do senador do ministério montado por Temer.
Edison Lobão (PMDB-MA)
Maior responsável pelo crescimento exponencial do
esquema de propina da Transpetro, de acordo com Machado, Lobão teria afirmado que na qualidade de ministro “deveria receber a
maior propina mensal paga” dentre os políticos de seu partido. O delator
afirma que a expectativa do peemedebista era embolsar 500.000 reais por mês,
mas se contentou com menos quando foi informado que o máximo possível seria
300.000 reais. Os pagamentos a Lobão eram feitos, segundo Machado, a seu filho
Marcio Lobão. No total o ministro
recebeu 24 milhões de reais, 2,7 milhões via doações oficiais de campanha
da Camargo Correa e da Queiroz Galvão. Os advogados de Lobão negaram que o
senador tenha recebido valores indevidos.
Jader Barbalho (PMDB-PA)
Machado diz que era amigo de Barbalho desde 1991, e
que após assumir a Transpetro o senador
começou a pressioná-lo para receber propinas para fortalecer “sua base no Pará”.
No total o delator disse ter repassado 3
milhões de reais ao peemedebista, mas depois a relação entre os dois sofreu
um desgaste. Em seu depoimento Machado diz que Barbalho queria que ele saldasse
em 2006 uma dívida sua com o banco BVA, o que não foi feito. O presidente do
BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, teria ligado pessoalmente para cobrar a
dívida. Em nota enviada ao jornal Folha
de S. Paulo, Barbalho afirmou que "o que ele [Machado] quer, na
verdade, é, combinado com o Ministério Público e a Justiça, sair da cadeia e ir
beber vinho em Paris com os filhos. É um bandido com cobertura judicial".
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HERÁCLITO FORTES (PSB-PI) Teria recebido propina para facilitar interesses da Transpetro no Congresso, segundo Machado |
Valdir Raupp (PMDB-RO)
O delator relata também que a Queiroz Galvão doou 850.000 reais para Raupp a seu pedido. Em nota,
o senador afirmou que "repudia as declarações" de Machado.
Heráclito Fortes (PSB-PI)
Em 2006 a Transpetro queria ver aprovado no Senado
um aumento de seu limite de endividamento, o que teria que passar por diversas
comissões. Machado alega que ao chegar à comissão de infraestrutura, presidida
pelo senador Heráclito Fortes, começaram a surgir dificuldades. Em sua delação,
ele afirma que o parlamentar não pautava a matéria para ir a votação. Machado procurou o tucano Sérgio Guerra
(morto em 2014), que se comprometeu, em
troca de um valor de propina, a convencer Fortes a votar o projeto. Ficou
acordado que cada um receberia um milhão
de reais. No final, Machado ficou devendo 500.000 reais para Fortes, que em
2014 “cobrou bastante durante as eleições”. “Existem várias ligações
telefônicas feitas por Heráclito à Transpetro para cobrar esse valor”. A
reportagem não conseguiu entrar em contato com Fortes, que está fora do país.
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)
Machado afirmou que sempre o ajudava em época de campanha com pagamentos de propina disfarçados
de doações oficiais. De acordo com o delator, Henrique Eduardo Alves recebeu 1,5 milhão de reais pago entre 2008 e
2014, em quatro eleições. Atualmente Alves é ministro do Turismo do Governo
do presidente interino Michel Temer. Em nota, o peemedebista disse que
"repudia a irresponsabilidade e leviandade" do teor da delação de
Machado. [Nesta quinta-feira, 16 de junho, Henrique
Alves pediu demissão do cargo de Ministro do Turismo!]
Candido Vaccareza (ex-deputado federal do PT-SP)
Em 2010,
Machado afirmou ter conseguido uma doação
de 500.000 reais por intermédio da Camargo Corrêa para Vaccareza. O petista
já foi citado na Lava Jato pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e
pelo doleiro Alberto Youssef. O petista divulgou nota na qual afirma que “Machado
nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse”, e
que seu nome é citado “de forma genérica”.
Jandira Feghali (PC do B-RJ)
e Luiz Sérgio (PT-RJ)
Os
dois sempre foram defensores da INDÚSTRIA NAVAL, setor no qual as empreiteiras
investiram pesadamente para obter contratos. Em sua delação,
Machado afirma que a Queiroz Galvão doou
100.000 reais para Jandira em 2010 e 400 mil para Luiz Sérgio, em 2010 e 2014.
O dinheiro seria propina disfarçada de
doação oficial. Em nota, o petista afirmou que as doações recebidas foram
legais e declaradas. Jandira afirmou que “repudia a tentativa de criminalizar
as doações feitas segundo as leis à época vigentes, portanto legais e públicas,
(...) bem como qualquer tentativa de vincular meu nome ao recebimento de
propina”.
Edson Santos (PT-RJ)
O petista teria procurado Machado no ano de 2014
pedindo ajuda para concorrer ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
O delator disse ter Intermediado doação
por meio da Queiroz Galvão no valor de 142.400 reais.
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Pediu ajuda a Machado em 2010, quando era
presidente do PP. A Queiroz Galvão doou
250.000 reais ao diretório do PP do Rio de Janeiro. Atualmente Dornelles é
governador interino do Rio de Janeiro. A reportagem não conseguiu contato com
seus advogados.
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IDELI SALVATI (PT-SC) |
Ideli Salvati (PT-SC)
Ela era a
líder do Governo Lula no Senado em 2010, e segundo Machado pediu doação de
campanha para concorrer ao Governo de Santa Catarina. A petista recebeu 500.000 reais da Camargo Correa naquele ano por
orientação do delator. A reportagem não conseguiu contato com seus advogados.
Jorge Bittar (ex-deputado federal do PT-RJ)
Recebeu
200.000 reais da Queiroz Galvão em 2010 por meio do diretório
regional do Rio. De acordo com a delação de Machado, o valor teria sido
repassado por sua orientação. Em nota, o petista afirmou que todas as suas
doações foram declaradas e feitas dentro da lei.
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
e Walter Alves (PMDB-RN)
Machado afirmou que em época de eleições Garibaldi o procurava. A última vez foi
em 2014. Na ocasião, pediu doação para
Walter Alves, seu filho. Foram doados 250.000
reais para o peemedebista, que se candidatou a deputado federal. Repassou
também 450.000 reais para Garibaldi
nas eleições de 2012 e 2014. Ambos afirmaram que as doações foram
"oficiais e sem nenhuma troca de favor, benesse ou vantagem de qualquer
natureza".
José Agripino Maia (DEM-RN)
e Felipe Maia (DEM-RN)
Segundo o delator, a Queiroz Galvão doou 300.000 reais para Felipe Maia, o filho de
Agripino, no ano de 2014, e 250.000 para o próprio senador no pleito de 2010.
Os repasses teriam sido organizados por Machado.
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