PMDB, PSDB e PT estão mais que preocupados!
A Lava Jato mudou de patamar
Elio Gaspari*
As pessoas que decidiram
colaborar com a Justiça permitiram que fosse desmantelado o maior esquema de
corrupção da história do país, que passou pelo PT, mas não nasceu nele nem
parou nele.
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JOSÉ ADELMÁRIO PINHEIRO (O LÉO PINHEIRO), EX-PRESIDENTE DA OAS E MARCELO ODEBRECHT, EX-PRESIDENTE DO CONGLOMERADO ODEBRECHT AMBOS TORNARAM-SE COLABORADORES DA JUSTIÇA |
A colaboração da Odebrecht e da OAS com a
Lava Jato dificilmente será concluída antes de agosto. Até lá, pingarão
vazamentos devastadores para marqueses de todos os partidos. Quem ouviu os
grampos de Sérgio Machado, gravados quando a colaboração da Odebrecht ainda era
um segredo, conheceu o cenário em que se discutiam manobras capazes de
"estancar a sangria". Não havia petista no circuito eletrônico de
Machado. A sangria ganhou ímpeto e
atingirá ilustres personagens de partidos que hoje sustentam o governo de
Michel Temer. É como se a Lava Jato
entrasse numa nova fase, à altura de Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney.
Virão, sem dúvida, velhos companheiros
do PSDB.
Quando
se vê a reação pluripartidária contra os pedidos de prisão encaminhados pelo
procurador-geral ao STF, desconfia-se que há algo além de simples indignação de
pessoas que, reconhecidamente, não conhecem as razões
oferecidas ao ministro Teori Zavascki.
O
PT já pagou uma parte de sua conta, e isso explica os primeiros murmúrios de
que o ex-tesoureiro João Vaccari poderia vir a colaborar com a Justiça.
Veterano dirigente do partido, ele ainda é considerado um amigo de fé, mas
depois que Marcelo Odebrecht resolveu colaborar, entrou-se no mundo do
inimaginável. Nele brilha o nome de José Dirceu. Em 2013, quando ele ergueu os
punhos a caminho da prisão, seria impensável que pudesse ser colocado numa
cela, em regime fechado, por muitos e muitos anos. No PT resta aquele que os procuradores de Curitiba poderiam chamar de a
baleia branca, Lula.
Com seu novo alcance, a Lava Jato chegará a ele
pelo apartamento do Guarujá e o sítio de Atibaia. Quem entende de processos
criminais argumenta que esses dois episódios produzem uma reprovação moral, mas
podem ser insuficientes para levar a uma condenação. Mais certeira será a bala do guarda-móveis Granero, que conservou de
janeiro de 2011 até janeiro deste ano o conteúdo de dez contêineres com bens
pessoais de Lula. O serviço custou R$ 1,3 milhão e foi pago pela OAS. Esse
mimo é conhecido há alguns meses, e a dissimulação do contrato da OAS foi
patente. A empreiteira falava em material de escritório de sua propriedade, mas
o PT admitiu que a tralha era de Lula, classificando-a de "acervo
museológico". A ver, pois o juiz Moro mandou inventariar o material.
Admitindo-se que a ajuda só começou em janeiro de 2011, quando Lula deixou o
governo, o caso já é feio.
A mudança de alcance da Lava Jato pode ser
percebida até mesmo na retórica de Lula. De um lado, mostra-se tranquilo:
"Duvido que algum procurador, que
algum delegado de polícia seja mais honesto que eu". (Em janeiro ia
mais longe e dizia que "neste país
não há uma viva alma mais honesta do que eu".) Podia parar por aí, mas
decidiu avançar, atacando o fulcro da Lava Jato: "Você prende um cidadão, fica ameaçando o cidadão, ameaçando prender a
mulher, o filho, se a pessoa não delatar. Dessa forma, as pessoas irão delatar
até a mãe".
Até agora ninguém incriminou a própria mãe. As pessoas que decidiram colaborar com a
Justiça permitiram que fosse desmantelado o maior esquema de corrupção da
história do país, que passou pelo PT, mas não nasceu nele nem parou nele.
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ELIO GASPARI - Jornalista autor deste artigo |
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ELIO GASPARI, nascido na Itália, veio ainda criança para
o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio
da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003 por “As Ilusões Armadas”. Esse é o título
de uma coleção em cinco volumes que disseca, como poucas, a ditadura militar
brasileira dos anos 1964 a 1985. Os primeiros quatro volumes foram publicados
pela editora Companhia das Letras (São
Paulo, SP), a partir de 2014, toda a coleção passou a ser republicada pela
editora Intrínseca (Rio de Janeiro,
RJ), inclusive o quinto e último volume: A
Ditadura Envergonhada, volume 1 (2002, 2014); A Ditadura Escancarada, volume 2 (2002, 2014; A Ditadura Derrotada, volume 3 (2003, 2014); A Ditadura Encurralada, volume 4 (2004, 2014) e A Ditadura Acabada, volume 5 (2016).
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